Padres ou empreiteiros?

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Costa Guimarães

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O título desta crónica leva-nos para o universo da caricatura mas serve apenas para aguçar o desejo de reflectir um pouco sobre um recente alerta de D. Jorge Ortiga aos seus padres, aos pastores do Baixo Minho.

Quantas vezes as pessoas limitam o juízo que fazem de um pároco com a Expressão: ele é muito dinâmico, ampliou a Igreja, construiu o Centro Social e o adro está bonito.

É a imagem do padre empreiteiro que seduziu muitos membros do clero das nossas aldeias. Fazem-me às vezes lembrar alguns presidentes dos Bombeiros Voluntários que só descansam quando construirem um novo quartel maior que o da corporação vizinha ou as comissões de festas que querem um conjunto mais caro que o da festa vizinha.

Não podemos ignorar que é de primordial importância revitalizar os movimentos para respostas concretas. .. porque não devemos ficar a olhar para o céu de braços cruzados perante a pobreza dos irmãos.

Uma paróquia sem uma dimensão social não pode considerar a sua missão completa e de tanto se insistir nesta maxima, desatamos todos numa correria à construção de equipamentos que traduzissem a prática da caridade cristã, de forma concreta, com as famílias pobres.

A preocupação com qualidade exigida pelo Estado, para dar a sua esmola, endeusou o profissionalismo e muitos sacerdotes tornaram-se profissionais qualificados no acompanhamento de obras e na gestão económica e financeira de equipamentos.

Transformaram a assistência evangélica numa técnica tanto mais aperfeiçoada quanto diminuía a disponibilidade psicológica, escasseavam o tempo e as forces para que os padres fossem verdadeiramente pastores.

Face ao alargamento da acção social do Estado — como é sua missão constitucional —, pairam agora tantas dúvidas sobre tantos investimentos e tantos sacrifícios feitos e desperdiçados.

Por isso, consideramos pertinentíssimas as dúvidas que o Arcebispo de Braga colocava aos seus padres, a começar pela necessidade de todos os equipamentos existentes e outros novos em projecto.

Há que pensar bem — e devem ser os párocos a fazê-lo nos encargos assumidos - nos empréstimos bancários para a construção — que podem lançar na falência as comunidades cristãs?

D. Jorge interroga-se mesmo — face ao futuro difícil que aí vem — se deve continuar a assinar Cartas de Conforto ou autorização para hipotecas com encargos para diversos anos.

A opção está nas construções faraónicas ou em centros de dia e num voluntariado responsável? Esta pergunta de D. Jorge não deve desmotivar os padres das nossas aldeias, mas deve gerar uma reflexão a partir “duma certa originalidade diferente que as Instituições da Igreja devem possuir”.

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comentários

Obrigado

28 de Outubro de 2010 às 17:57h por Antonio Sousa

Parabéns pelo artigo e pela clarividência revelada.
Agradeço reconhecido.

P. António Magalhaes

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