Minha Terra Queimada

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Ana Carla Gomes

Minha Terra queimada - todos os anos um tumulto febril?
Quem faz algo criativo contra o terror anual dos incêndios e dá respostas eficientes e conselhos em vez de discursos de protesto palavrosos e emocionalmente elaborados nos media oficiais? Há várias considerações a por em discussão.

A propósito de moral: será que alguém incendeia, por qualquer razão, a sua amada pátria, a sua “minha terra”, poeticamente elogiada e comoventemente cantada com as palavras líricas “jardim à beira-mar plantado” e “ponto da minha vida”? Será compreensível a contradição infernal de enaltecer pomposamente o seu país, mas deixá-lo esfumar-se imprudentemente e permitir que a sua inocência verde seja roubada?

A proposta da análise genética: encontramos síndromes de doença piromaníaca de mãos criminosas, um prazer eufórico na ruína e na destruição, orgias extáticas de explosões de fogo mágicas num “país de foguetes”, de dinâmica e ímpeto de vento e calor? Será também devido às lacunas de perceção socioculturais de generalidade ou até mesmo características genéticas de uma fraqueza auto-imune, enraizada de autodestruição com elementos residuais autofágicos? Como estatisticamente 90% dos terrenos em Portugal pertencem a privados, esperemos que não se trate parcialmente de “jogos quentes” entre rixas de vizinhos. Muitos terrenos abandonados e negligenciados oferecem possibilidades obscuras.
A proposta dos custos: segundo a imprensa diligentemente informada, os números chocantes apontam, cada ano, para uns gordos milhões em serviços de aviões de combate a incêndios, despesas dos bombeiros, dos serviços de salvamento e das organizações de apoio privadas, com a preciosa ajuda dos meios aéreos estrangeiros, um crescendo destruidor desde há uns anos.
A proposta do ponto de vista do plano governamental, especialmente da Ministra da Justiça, reforçando, neste contexto, o facto de que a boca popular formula a verdade certa, sem fantasias erradas nem imagens distorcidas: fala-se de estratégias conjeturadas, metas monetárias, negociatas secretas, autoridades incluídas, determinados interesses, também em favor dos serviços de aviação, dos bombeiros e das unidades de salvamento, no sentido de usar as suas próprias capacidades.

Em suma: temos de nos concentrar com esta situação inaceitável e unânime em sofrimento e protesto, de estarmos perante uma tragédia natural e biológica violentíssima nas suas proporções e dimensões, instigada pela vontade própria de muitas pessoas piromaníacas, que abre, com uma força brutal, clareiras irreparáveis nas florestas.

Auto-ignição de vegetação rasteira seca provocada pelo calor abrasador? Como pode ser e em quase cento e vinte pontos simultaneamente no País? O número oficial de 35% de “mão criminosa” é uma boa fama. Perto de 100% deve ser a realidade. O fogo não cai de cima e não cresce nos campos e florestas. Os antigos nunca viveram um desastre natural tão terrível, nomeadamente lamentam sobre o turismo gravemente perturbado, num ambiente calamitoso e as perdas avultadas para a economia local.

Precisam de uma sensibilização e uma paixão mais profunda para as belezas e valores da própria natureza, de agir com uma predisposição intelectual de prevenção viva em vez de reagir à calamidade e ao desespero, inventando palavras coloridas, como é por exemplo “bandas terroristas”.

Infelizmente não se vêem, portanto, significativas explosões de protestos, nem manifestações de amigos da natureza, nem uma campanha concertada, bastante eficaz contra a política ainda ineficaz, de cidadãos vítimas contra o diabo do fogo, nem uma juventude despertada que rebele acerrimamente contra a geração mais velha, irresponsavelmente saturada e inerte, ignorando que cada novo incêndio roube cruelmente à floresta e ao País um pouco da sua alma.
Portugal lindíssimo, um cumprimento de bom dia sem fumo, sem cinzas, sem cheiro a queimado?!
Quem dera!

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