As bibliotecas como ‘makerspaces’

Voz às Bibliotecas

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Aida Alves

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Há quem afirme que as bibliotecas estão com os dias contados. Provavelmente engana-se quem assim pensa, pois o livro, em qualquer forma ou suporte que assuma no futuro próximo, não vai deixar de ser lido, nem tão pouco explicado, mediado, e as bibliotecas continuarão a ter o seu importante papel de acompanhamento na mediação, na evolução do meio, como temos verificado desde as civilizações gregas e romanas.

A história já longa das bibliotecas, demonstra-nos que no presente há muitos caminhos a abrir, a definir, transformações rápidas a fazer, para que as bibliotecas não esmoreçam no seu importante papel de mediação e recreação entre a informação e o conhecimento, o saber e o fazer de cada indivíduo, acrescentando o seu valor social. Há que haver entre profissionais da informação e documentação e estruturas distintas de governação, lugar à reflexão e à abertura a novos conceitos, novas incorporações, muitos deles já inseridos sobretudo noutras áreas do saber e classes profissionais, na gestão de empresas e nas engenharias.

Temos vindo a assistir nos últimos anos ao aparecimento e desenvolvimento de uma série de espaços comunitários que oferecem espaços abertos ao público, disponibilizando tecnologias e equipas para a criação autónoma, espaços de conhecimento e desenvolvimento de competências, mais usualmente conhecidos por hackerspaces, makerspaces, techshops e fablabs entre outros.
Na opinião de alguns especialistas da Ciência da Informação e Documentação, no futuro, as bibliotecas tornar-se-ão centros de conhecimento. Num primeiro momento, elas fornecerão a base de informações necessária para as pessoas navegarem no mundo virtual. Futuramente, promoverão tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento de projetos comunitários.

Assim, destacamos hoje os conceitos de makerspace e o de design thinking, uma vez que eles têm sido mais recentemente associados às bibliotecas.
O conceito de makerspace surgiu por volta do ano de 2005. Contudo, não se popularizou até 2011. Refere-se a espaços acessíveis ao público, disponibilizados para o desenho e a criação em sentido mais amplo, incluindo manualidades infantis, com qualquer material, aberto à participação de aficionados e profissionais, alunos e especialistas. Este conceito tem estado mais presente nas bibliotecas e nas áreas infantis a elas afetas.

O modelo de design thinking (“forma de pensar” multidisciplinar), surge a partir de 1969, entendido como conjunto de métodos e processos para abordar problemas, colocando pessoas no centro de desenvolvimento de um projeto/iniciativa, gerando resultados que são os mais desejáveis para elas, mas que são, ao mesmo tempo, financeiramente interessantes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade. Recorre-se à criatividade e à empatia para obtenção de soluções inovadoras em contextos de necessidade.

A Biblioteca da experimentação empática, a curiosidade e a produção, devem proporcionar o acesso a novas ferramentas, experiências e oportunidades para a criação e a exploração do conhecimento. Autênticos laboratorios públicos que focalizem os processos na informação, no design, nas tecnologias e artes multimédia aplicadas, com espaço adequado ao trabalho individual ou de grupo, com equipamentos, softwares, e proporcionando a realização de eventos e reuniões de trabalho. Estes laboratórios podem apoiar a produção e a partilha de conhecimentos distintos.

As tecnologias emergentes ocupam um lugar destacado em todos estes centros e nas bibliotecas (qualquer que seja a sua tipologia), com espaços de aprendizagem das novas tecnologias e sobretudo como “fazer as próprias criações” a partir de laboratórios de impressoras 3D, cortadores de laser e aplicações multimédia, entre outros.

Duas bibliotecas nos Estados Unidos (de entre varias já existentes a nível mundial) - a Westport Libray, em Connecticut, e a Fayetteville Free Library, em Nova York - já tem os seus MakerSpaces, destinados ao desenvolvimento de projetos que estimulem ideias inovadoras, como, por exemplo, oficinas de recuperação de SuperNintendos, aulas de serigrafia e até montagem de maquetes de aviões e outros objetos de interesse.

A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, em Braga, desenvolve agora, pela primeira vez em Portugal, em Consórcio Europeu de Bibliotecas, o modelo do Design Thinking, no ámbito do Projeto New Lib. Esta iniciativa é apoiada pela Comissão Europeia, no programa Europa Criativa 2020.
A biblioteca do século XX foi uma biblioteca de consumo, uma instituição que refletia a época dos meios de difusão, um lugar onde se podia ler, ver e escutar passivamente.

A biblioteca do século XXI é um lugar onde se estabelecem novas relações sociais, um lugar onde o conhecimento se explora ativamente, se cria e se compartilha, se mapeiam experiências pessoais, para se ganhar uma visão mais completa, gerando soluções que ajudem a sociedade.

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