Mobilidade. As cidades são as pessoas

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António Fernandes - Leitor de Braga

Devem as cidades ser pensadas em função da presumível prevenção de hipotéticas necessidades técnicas e outras de índole estruturante futuras a que as pessoas se limitem a anuir e com as quais devem coabitar e, se o não conseguirem, ser coercivamente inseridas?
Ou, pelo contrário, devem as cidades ser pensadas em função das necessidades das pessoas e daí resultarem soluções integradas em articulação com técnicas e tecnologias existentes e a desenvolver em função dessas mesmas necessidades?

Destas duas questões resulta estratégia de posicionamento político das diversas forças vivas da cidade e do Município. Sendo que, ao Município compete a gestão dessa variável em absoluto.
À cidadania cabe a crítica construtiva por uso; à investigação os ensaios sobre as necessidades, impactos sociais e ambientais; à industria a produção em quantidade; ao comércio a distribuição; ao marketing a implementação da ideia.

Fica a faltar definição objetiva sobre a designada por: responsabilidade inovadora. Matéria até há bem poucos anos da responsabilidade da indústria com os seus núcleos de desenvolvimento nos domínios da espécie e de há uns anos a esta parte sob a alçada do domínio académico associado a um novo conceito, o empreendedorismo, numa tentativa de responder à atual correlação existente entre a diminuição da manufatura e o aumento da automatização.

Nesta perspetiva de análise daquilo que importa à mobilidade concluo que quando se tenta parcelar as especificidades desgarradamente resulta a mobilidade possível no emaranhado da conveniência e do interesse. Que é coisa contrária ao princípio da planificação.
Ora, no que concerne à planificação há duas perspetivas de relevo: a técnica e a política, que parecendo ser, as duas perspetivas, de contornos e conteúdo similar, o certo é que são completamente diferentes.

No que toca à primeira, a sua base de suporte e projeto é de origem e conteúdo tecnocrata desde o projeto à conceção. Enquanto que, no que reporta à segunda, a abordagem de suporte e conteúdo assenta no raciocínio de gestão abrangente onde as pessoas são o ponto de partida e os equipamentos o ponto de chegada.
Ao longo dos tempos as cidades mais não são do que a concentração de pessoas e dos serviços a si afetos por circunstancialismos diversos.

O seu crescimento tem sido circunscrito aos critérios que o aumento da densidade habitacional acarreta visando soluções homogéneas de vida em sociedade organizada em torno de direitos e deveres que acabam por se impor como sendo a regra.
Desde logo: o emprego como garante de sustentabilidade permissivo à constituição da família; o equilíbrio social, garante da estabilidade necessária; a indústria, o comércio; os serviços; a agricultura limítrofe; outros. A organização da vida em sociedade que dê respostas exequíveis em todos os domínios da, e para a, vida das pessoas.

Ou seja; não faz sentido pensar uma cidade no seu todo de potencial tecnológico com as ferramentas e soluções disponíveis de forma a que as pessoas se ajustem, como se estas fossem a solução para a implementação experimentalista de inovação e não o problema que exige soluções à tecnologia existente, uma vez que as de carácter exclusivamente humano já não respondem em tempo útil, tendo em atenção especificidades de natureza diversa.

É este exercício que urge fazer. Estabelecer diferenciação entre o pensamento político e o pensamento tecnocrata.
Se um é vocacionado para a análise permeável e sensível, o outro é vocacionado exclusivamente para a solução técnica.

Sobre a questão se ambos serão complementares.
Respondo:
- Obviamente!
Mas se a questão for colocada no foro da componente humana já não tenho a mesma opinião porque a génese matricial de cunho social é profundamente diferente.

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