Mapa e bússola para o século XXI: Com o GPS a caminho

Ensino

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Liliana Esteves

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Estando nós já a viver no século XXI há mais de década e meia, é com muita confiança e segurança que observamos o crescente desenvolvimento tecnológico e procuramos aplicá-lo a todas as áreas da existência. Hoje em dia é possível levar a cabo um sem-fim de operações apenas usando um teclado de computador ou um telemóvel, desde aceder a volumes de informação praticamente infinitos, até controlar um automóvel.

A escola, como espaço atual que é, também pretende oferecer, tanto a alunos como a professores, acesso a ferramentas tecnológicas que permitam desenvolver um trabalho sério e de qualidade na formação de alunos que venham a ser adultos plenamente integrados em termos de competências no mundo que os espera. Deste modo, as escolas apetrecham-se, naturalmente, de ferramentas tecnológicas que permitam levar a cabo tal tarefa. E espera, naturalmente, que os professores consigam eles mesmos usar essas ferramentas, ao mesmo tempo que instam a que os alunos as usem de forma proveitosa.

No entanto, nem sempre é fácil trabalhar como se toda a escola estivesse de facto no século XXI. Na verdade, há certamente um número significativo de estabelecimentos escolares nos quais ainda não é fácil colocar na prática todo um conjunto de intenções aliadas ao uso massivo das novas tecnologias. Há escolas onde existe ainda alguma resistência a que tal aconteça, seja ela consciente ou não. Nalguns casos, por exemplo, poderá haver professores que não se sentem à vontade com o uso de ferramentas tecnológicas nas suas aulas. Noutros, não permitem que os alunos as usem, pois temem que eles de distraiam e não as utilizem em prol da aprendizagem proposta.

Contudo, há também professores que querem usar as ferramentas tecnológicas, porque têm noção que elas são - e serão - cada vez mais fulcrais no nosso modo de vida. Assim sendo, sê-lo-ão também no contexto escolar, pois a escola tem a obrigação de se manter sempre na vanguarda do desenvolvimento a todos os níveis (social, técnico, tecnológico, de procedimentos, etc.). Perante esses professores surgem muitas vezes obstáculos que os impedem de orientar a sua prática pedagógica com maior naturalidade no âmbito da utilização frequente e produtiva das novas tecnologias. Porquê? Desde logo porque nem sempre o sinal de internet tem potência suficiente (e por vezes nem sequer existe), o que impede totalmente que se leve a cabo todo um conjunto de atividades previstas que contemplam a utilização dessa ferramenta com potencial praticamente infinito.

Outras vezes, pretende-se que os alunos trabalhem, no contexto da aula, com computadores, mas a escola não dispõe de computadores suficientes, ou então já não são os mais modernos e não funcionam da maneira ideal. Também se dá o caso de haver escolas onde os alunos não têm todas as condições de que necessitam para levar a cabo trabalho autónomo, como bibliotecas bem apetrechadas, não só de livros em papel, mas de bases de dados informáticas e número suficiente de com- putadores (tablets, etc.) onde os alunos possam ir trabalhar fora do contexto da sala de aula. E que dizer de uma mediateca, onde os alunos possam ter à sua disposição todo um leque de ferramentas tecnológicas que lhes permita trabalhar autonomamente e potencialmente de forma bastante produtiva?

De facto, estando nós no século XXI, e considerando-nos cidadãos do século XXI, é mais que justo que exijamos professores e escolas do século XXI. Queremos com isto dizer que deveremos ter professores que saibam usar um aparelho (ou uma aplicação para telemóvel) de GPS. E, de facto, há professores que sabem e querem usar o GPS nas suas aulas. Mas não podem fazê-lo sempre porque às vezes apenas dispõe de um mapa e uma bússola para trabalhar. Um mapa e uma bússola são excelentes instrumentos de navegação, que foram muito úteis a muita gente durante séculos. E certamente será muito útil saber usar um mapa e uma bússola num dia de necessidade. O que não se deve fazer, é insistir na oferta de apenas mapa e bússola para que o professor ajude a mostrar o caminho aos seus alunos.

O professor do século XXI tem nos seus ombros uma exigência de corresponder à modernidade contemporânea. Então, para que tal se concretize verdadeiramente, tenha-se um mapa e uma bússola na caixa de utilidades que se use excecionalmente quando o GPS não funcionar. Dê-se aos professores desde já a possibilidade de usar o GPS com os seus alunos. Para haver professores do século XXI a preparar alunos para o século XXI, é necessário que as escolas se assumam de forma total e definitiva como entidades do século XXI, onde as ferramentas de séculos passados não podem ser usadas como se fossem atuais.

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