A ciência no treino e o treino com ciência: muito do que o futebol continua a necessitar

Ensino

autor

Filipe Clemente

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A consolidação da investigação no âmbito das ciências do desporto tem permitido o desenvolvimento acentuado de novas técnicas, metodologias e propostas de intervenção para a otimização do rendimento e para o incremento qualitativo do treino desportivo. Esta projeção consolidada do conhecimento nos locais de prática consubstanciam o propósito da academia, ou seja, formar técnicos superiores com suporte teórico e com capacidade de inovação e adição de valor à prática quotidiana.

No caso concreto do futebol, o assunto dínamo do presente artigo, assistimos, paulatinamente, à aceitação e reconhecimento do valor dos técnicos superiores de desporto nos clubes de maior expressão nacional materializado na criação de laboratórios/gabinetes de suporte à performance/rendimento. Se antes a equipa técnica, e cingimo-nos estritamente aos papéis associados à intervenção desportiva, era reduzidamente caracterizada pela composição do treinador principal, treinador-adjunto, treinador de guarda-redes e preparador físico, no quotidiano, para além da adição de novas funções/papéis (e.g., analista de jogo, fisiologista), constata-se um crescimento do número de técnicos superiores que atuam paralelamente à ação da principal equipa interventiva.

Nos clubes de maior expressão nacional, os laboratórios de apoio à performance têm como principais funções avaliar, monitorizar e complementar a evolução dos jogadores ao longo do período competitivo. Tal processo, apesar de amplo e diversificado, poder-se-á retratar:
i) na avaliação da aptidão física dos jogadores através de testes periódicos que consigam determinar o estado de prontidão dos praticantes;
ii) na monitorização do rendimento em treino, nomeadamente no controlo de variáveis físicas e fisiológicas que permitam determinar a resposta individual ao estímulo imposto pelo treino;
iii) na monitorização do rendimento em jogo, onde as variáveis de análise poderão ser retratadas por variáveis de expressão posicional como distância, velocidade ou aceleração e pelo comportamento técnico e tático;
iv) pela monitorização da resposta fisiológica e imunológica ao estímulo do treino e jogo;
v) pelo treino para a prevenção de lesões.

Para cada um destes vetores de intervenção existem, nos clubes de maior expressão nacional, equipas constituídas por técnicos superiores de desporto com formação especializada provenientes das mais diferentes instituições de ensino. E porquê técnicos especializados com elevado rigor científico nestes gabinetes de apoio à performance? Porque ao lidar com a avaliação e a monitorização do rendimento, lidar-se-á com a utilização das mais diferentes tecnologias geradoras de uma ampla faixa de dados quantitativos/ qualitativos que, pela sua elevada magnitude, nada podem retratar para a prática se incorretamente interpretados.

É neste contexto de tratamento de informação variada que se apresenta a importância do recurso a técnicos superiores especializados, devidamente conhecedores do fenómeno de otimização da performance humana. O que diferencia o técnico desportivo com grau superior dos demais conhecedores de áreas correlatas ou de treinadores formados pelas federações? A especificidade de conhecer o funcionamento do corpo humano no enquadramento do exercício com aprofundamento em matérias tão díspares como fisiologia, anatomia, cinesiologia, didática, pedagogia, prescrição do exercício ou avaliação e controlo do treino.

Por isso mesmo, formar em especificidade no contexto do ensino superior é relevante, pertinente e aliciador. E a utilização destes recursos humanos em contextos amadores e profissionais favorecerão o correto processo de desenvolvimento de atletas desde os escalões de formação ao contexto de elite competitiva.

Treinar com rigor científico é inovar e ser metódico sendo claramente diferente do que treinar por intuição e pela repetição. E por isso mesmo, a oferta de Cursos Técnicos Superiores Profissionais em Treino Desportivo como o da Escola Superior de Desporto e Lazer (Melgaço) possibilitam, em dois anos, dotar os estudantes de conhecimentos teórico-práticos específicos do treino desportivo num enquadramento de formação inovadora, atual e muito direcionada às expectativas dos alunos.

E como aliciante maior, tal curso não necessita de exames de acesso ou pré-requisitos, bastando possuir o 12º ano de escolaridade. A vontade férrea em aprender e atualizar conhecimentos por via académica são, ainda, o garante para a evolução do desporto. Pela ciência no desporto!

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