Braga Mais, Braga Menos

Ideias Políticas

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Pedro Sousa

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Braga MAIS. Foi na semana passada conhecida a Cidade Portuguesa que vai ostentar o título de Cidade Europeia do Desporto, em 2018. Depois de Guimarães, em 2013, Maia, em 2014, Loulé, em 2015, Setúbal, em 2016 e Gondomar, no ano em curso, em 2018 será Braga, a nossa terra, o nosso Concelho, a ostentar este título, tendo vencido, diz-se que ao “sprint”, a cidade de Almada.
A decisão foi divulgada na passada terça-feira, 31 de Janeiro, pela ACES Europa (Associação das Capitais e Cidades Europeias do Desporto) que destacou o “desenvolvimento de programas municipais de incentivo à prática desportiva junto de toda a população, bem como os seus benefícios ao nível da promoção da saúde, integração e educação”.

Este deve e tem de ser um motivo de regozijo e de orgulho para todos os Bracarenses e para todas as forças políticas sem excepção, como devem ser todas as iniciativas e realizações que possam valorizar, qualificar e afirmar a cidade.
A este respeito, não pode o Partido Socialista deixar de reclamar a sua coroa de louros, na medida em que as condições ímpares para o desenvolvimento, ecléctico, da prática desportiva no Concelho de Braga foram, em grande medida, responsabilidade da acção política do Partido Socialista, ao longo dos sucessivos mandatos em que governou os destinos do Município.

Impõe-se, aqui, dizer que o Município de Braga é, desde há muitos anos, uma referência de políticas públicas na área do desporto, tendo desenvolvido uma estratégia de investimento que lhe permitiu, ao nível dos equipamentos e infraestruturas, ser uma referência regional e nacional, facto que, a par de um movimento associativo forte, vivo e comprometido, contribuiu de forma decisiva para que Braga se afirmasse como uma cidade “do” e “para” o desporto, com números de prática federada e não federada, nas diferentes modalidades, superiores, em larga medida, aos da generalidade das cidades portuguesas.

Esta política de investimento em equipamentos e infraestruturas dos sucessivos executivos municipais socialistas foi absolutamente decisiva para o florescimento e para o engrandecimento do movimento associativo desportivo, que, desta forma, encontrou em Braga terreno fértil e adequado ao desenvolvimento dos seus projectos desportivos.

O desejo do PS e o meu desejo pessoal é, naturalmente, que esta realização consubstancie mudanças positivas, se traduza num contexto desportivo cada vez mais ecléctico, contribua para uma prática mais equitativa entre homens e mulheres, reforce a aposta no desporto para todos, confirme a visão de uma cidade do desporto que vê, olha, sente e vive o desporto como algo que afirma e qualifica uma cidade em todas as dimensões (educação, saúde, inclusão, etc) e, sobretudo, que permita, de uma vez por todas, cumprir as adiadas intervenções e requalificações do complexo desportivo da Rodovia, do pavilhão Flávio Sá Leite e do Parque de Exposições de Braga anunciadas, com pompa e circunstância, por Ricardo Rio na última campanha eleitoral.

Braga MENOS. A recém anunciada instalação de uma grande superfície comercial nos terrenos das Oficinas de São José, em pleno coração da cidade, é um erro histórico e grosseiro que, não tenho dúvidas, marcará profunda e negativamente a governação da actual maioria. Durante mais de uma década, Ricardo Rio, na qualidade de líder da oposição, criticou dura e repetidamente, algumas vezes com razão, as opções do Partido Socialista no que ao Urbanismo e ao desenho da cidade diz respeito.

Falava, repetidamente, de um novo modelo, de uma nova identidade urbanística, de decisões mais sensatas, mais centradas nos cidadãos e na sua qualidade de vida.
Esta decisão não é, aparentemente, ilegal. Esse é, aliás, o único mérito da mesma. No entanto, na medida em que contraria tudo o que durante anos a fio ouvimos Ricardo Rio defender, é incongruente, inconsequente e injustificável.

Em pleno século XXI, as tendências das capitais europeias visam, no plano urbano, afirmar-se através de intervenções que proporcionem cada vez mais qualidade de vida para os seus habitantes e que sejam, ao mesmo tempo, capazes de captar novas receitas provenientes do turismo, de afirmar a nossa identidade e de reforçar o sentimento de pertença e de ligação com a nossa história e com o nosso património.
De forma a consegui-lo, as intervenções urbanísticas devem privilegiar a vivência humana e, de igual modo, a dimensão ecológica e de sustentabilidade, vectores centrais na construção actual das cidades.

Intervir urbanisticamente numa zona nevrálgica da cidade, principalmente numa das áreas mais cuidadas e com mais feliz desenho urbano do nosso Concelho, num dos quarteirões que foi pensado, projectado e executado à escala humana, de forma harmoniosa, proporcionando qualidade e ordem à vida urbana, para destruir um espaço verde e implantar um verdadeiro “mamarracho”, com as implicações que isso terá em termos da sustentabilidade do pequeno comércio, do aumento do volume de trânsito que será necessário acomodar e, consequentemente, da perda de qualidade de vida daquela zona em particular e de toda a cidade em geral, é uma ideia absolutamente nefasta que, põe a nu a visão pobrezinha e as prioridades, totalmente erradas, que Ricardo Rio e a actual maioria têm para Braga.

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