Emprego, emprego meu, há alguém mais competente do que eu?

Ensino

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Natália Rebelo

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O título poderá soar a alguma presunção da minha parte mas remete para o tema das VIII Jornadas Administrativas da Escola Profissional de Braga (EPB), organizadas, sob a minha orientação, por Inês Carvalho, finalista do Curso Técnico de Comércio. E é sob o mote da empregabilidade, quer através da integração no mercado de trabalho por conta de outrem ou do próprio negócio, quer do prosseguimento de estudos, que, a 22 de fevereiro, no auditório do Parque de Exposições de Braga, se reúnem mais de 300 alunos da EPB, aos quais os leitores estão convidados a juntar-se (entrada livre).

Um tema sensível e pertinente, que requer reflexão e ação, pois a transição para o mercado de trabalho constitui uma preocupação central da EPB que, no âmbito da sua política ativa de promoção da empregabilidade e numa lógica de responsabilidade social, procura responder a este desafio monitorizando continuamente a sua oferta formativa, aferindo a sua adequação às exigências do tecido empresarial, avaliando a situação profissional dos antigos alunos e disponibilizando informação sobre oportunidades de emprego. Fomentar a empregabilidade passa, igualmente, por aproximar os formandos dos empregadores e ajudá-los a desenvolver todo o seu potencial, para se adaptarem às exigências do mercado de trabalho, flexibilizando os seus conheci- mentos, as suas competências e as suas atitudes.

A tendência já não é “ter um emprego para toda a vida”, mas sim “tornar-se empregável para toda a vida”. Alertar os alunos para esta realidade leva a um esforço diário da equipa docente e dos colaboradores envolvidos no processo educativo, assim como das parcerias de renome e de profissionais exímios que despendem o seu precioso tempo a partilhar o seu know-how e vivências.

O formato das Jornadas Administrativas é exemplo disso! O público será convidado a viajar até ao mundo das startups. E orgulha-me referir que Braga é uma cidade onde surgiram startups internacionais bem-sucedidas que sustentam a já badalada designação de “Silicon Valley português”, com mão-de-obra jovem, qualificada e com atitude, para a qual a EPB está a contribuir. Impõe-se, então, uma paragem obrigatória pelo universo das soft skills! Já lá vai o tempo em que o mundo laboral valorizava quase única e exclusivamente as competências técnicas dos profissionais.

O cenário mudou e procuram-se profissionais dotados de competências sociais e comportamentais, que facilitam a relação com os outros, melhoram o desempenho profissional e aumentam as perspetivas de carreira. Antigos alunos partilharão o palco do auditório, num fórum de discussão com empresários da região com uma forte ligação à EPB, e, paralelamente, no hall de entrada, irá decorrer uma Feira de Emprego e Ensino Superior, dinamizada por empresas de recrutamento e seleção e por instituições de ensino superior, interessadas em facultar soluções aos nossos “futuros antigos alunos”.

No final do evento e, já agora, pela vida fora, são algumas as perguntas que esperamos que façam a si próprios: Quais os meus fatores de diferenciação em comparação com profissionais com formação semelhante à minha (fatores que versam sobre o Ser e são difíceis de ser replicados pelos pares: a personalidade, o caráter e o comportamento, entre outros)? Quais as razões que podem levar uma empresa a integrar-me no seu capital estratégico/ competitivo? O que vou fazer para melhorar a minha formação profissional?

Retomando este último ponto e porque não faço jus ao ditado “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”, aqui fica o meu exemplo nessa matéria. Iniciámos, há dias, na EPB, uma viagem transformacional de desenvolvimento pessoal e organizacional através de uma formação e uma das primeiras realidades com a qual me deparei, foi o ranking das 10 competências-chave para prosperar na Quarta Revolução Industrial, em 2020, constantes no relatório “The Future of Jobs”, divulgado no Fórum Económico Mundial.

Preparemo-nos para assistir à alteração de mais de um terço das competências consideradas atualmente importantes, grandemente motivada pelos avanços tecnológicos que mudam a forma como vivemos e trabalhamos. Essa lista de competências é liderada pela “resolução de problemas complexos”.

Corroboro! As organizações precisam de profissionais capazes de compreender os problemas, de pensar em soluções criativas, eficientes e eficazes, de planear e executar estratégias e de validar os resultados obtidos, extraindo lições para o futuro, numa perspetiva de melhoria contínua. Atrevo-me até a citar Albert Einstein: “se tivesse uma hora para resolver um problema e a minha vida dependesse disso, passaria 55 minutos a definir a pergunta certa a fazer, pois quando soubesse a per- gunta correta, poderia resolver o problema em menos de 5 minutos”.

Voltando à classificação das ditas competências, a criatividade assume, e muito bem (permitam-me a ousadia), o terceiro lugar. Com efeito, novos produtos, novas tecnologias e novas formas de trabalho, obrigam a que sejamos mais criativos e, consequentemente, diferenciadores. Mas a criatividade não é inata, depende da predisposição do profissional em exercitá-la, não só através da leitura ou da formação mas, fundamentalmente, através da abertura para uma nova forma de observar o mundo à sua volta, do “pensar fora da caixa”.

Devo confessar que, na supracitada lista, verifico, com algum pesar, a ausência de uma das competências que considero basilar, a resiliência, que faz com que a pessoa, e não apenas o profissional, mantenha o foco nas soluções quando surgem obstáculos e adversidades e seja capaz de lidar com o insucesso, encontrando uma estratégia para vencer, sem perder a motivação.
Em jeito de conclusão, sim, há alguém mais competente do que eu, mas esforço-me diariamente por fazer a diferença…

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