“Persona” significa máscara

Escreve quem sabe

autor

Ana Paula Silva

contactarnum. de artigos 12

A palavra vem do teatro grego, onde cada personagem utilizava uma máscara para construir a sua personagem.
“Persona é a máscara usada pelo indivíduo em resposta às convenções e tradições sociais...” Carl Gustav Jung (psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica).

Jung usou este termo para mostrar a maneira como uma pessoa se adapta ao mundo, é a sua máscara, a sua forma de ser socialmente. Essa máscara é necessária para nos adaptarmos à vida e sobrevivermos em sociedade. O propósito da máscara é causar uma impressão definida nos outros e, muitas vezes, embora não forçosamente, ocultar a verdadeira natureza da pessoa.
Jung percebeu que agimos de maneira diferente em cada ambiente social, que precisamos ser aceites para pertencer ao grupo e que temos que nos adaptar dependendo das circunstâncias. O resultado é a criação de papéis/personas.

Durante a infância, pais e professores vão transmitindo à criança os seus valores e regras e ela vai comportando-se de acordo com aquilo que lhe é incutido. Com isso aprende a fazer mais aquilo que recebe aprovação, pois precisa da aceitação destes primeiros grupos sociais para se desenvolver. Assim, aos poucos vai-se criando uma “persona”, que estará presente nos vários papéis da vida.

Uma persona dominante leva à identificação da pessoa com a sua persona levando-a a ver-se de forma superficial, através dos seus papéis sociais, das suas fachadas.
Por outro lado uma persona frágil faz com que não consiga afirmação no mundo social, nem consiga estabelecer relações sociais produtivas.

Aspeto positivo da Persona
A persona é um instrumento funcional da psique que possibilita ao ser humano a convivência social e a adaptação ao mundo. Se alguém viver sem persona, não será aceite pela sociedade, não conseguirá relacionar-se e não estará aberto a novas atitudes e pontos de vista.
A persona é muito importante na medida em que dependemos dela para os nossos relacionamentos diários, no trabalho, na família e no grupo de amigos. Também transmite segurança, na medida em que se espera que cada um desempenhe o papel que dele é esperado.

Aspeto negativo da Persona
Quando a pessoa utiliza a persona de tal forma que vive como gostar

ia de ser, e não o que realmente é, esquece-se dos seu verdadeiro eu e confunde individualidade com um papel social. Ao incorporar essa máscara, sente-se forte e poderosa, mas rígida pois não se humaniza.
Ex.1: Um policial que em casa que se relaciona com sua família como se estivesse num quartel.
Ex.2: Um adulto que assuma com a sua esposa a persona de filho (fazendo com que esta precise de ser mãe dele ao invés de mulher).

Quando há identificação com a persona, o seu mundo torna-se empobrecido, pois está incapaz de contatar com sua vida interior e as múltiplas facetas da personalidade.
Um ego bem estruturado relaciona-se com o mundo exterior através de uma persona flexível.
A verdade é que saber usar no momento adequado a persona é positivo e auxilia a pessoa a adaptar-se à vida. Ela é necessária para nos relacionarmos, ninguém fala tudo o que sente, há um limite, um respeito com o próximo.
Mas não se pode esquecer quem somos verdadeiramente. A persona pode diferir da nossa identidade, no entanto há que estar consciente de que é apenas um papel que se está a desempenhar em prol da adaptação ao coletivo.

No processo terapêutico, temos que conhecer a persona para apoiar o outro a conhecer-se verdadeiramente. No entanto não se deve esquecer que a persona também faz parte do nosso eu, sendo uma parte integrante e muito importante na primeira fase da nossa vida - a fase do crescimento, desenvolvimento e adaptação. Na segunda fase da nossa vida (meia idade) ao olhar dirige-se para o interior e inicia-se o processo da integração Este processo é por vezes muito doloroso, potenciando a depressão e a raiva, na primeira confrontação com o “desconhecido”.
No conto ‘O espelho’, Machado de Assis descreve um alferes (antigo posto militar) que se orgulhava da sua farda. Quando estava de férias, trocava a farda por um pijama. Aos poucos notava que sua imagem no espelho estava desaparecendo.

“- Lembrou-me vestir a farda de alferes. Vesti-a, aprontei-me de todo; e, como estava defronte do espelho, levantei os olhos, e...não lhes digo nada; o vidro reproduziu então a figura integral; nenhuma linha de menos, nenhum contorno diverso; era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.”

vote este artigo

 

Comente este artigo

Faça login ou registe-se gratuitamente para poder comentar este artigo.

comentários

Não existem comentários para este artigo.

Últimos artigos desta categoria - Escreve quem sabe

Tempo

Classificados

Edição Impressa (CM)

Edição Impressa (MF)

Newsletter

subscrição de newsletter

mapa do site

2008 © todos os direitos reservados ARCADA NOVA - comunicação, marketing e publicidade, S.A. | concept by: Cápsula - soluções multimédia