Vende-se Confiança

Ideias Políticas

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Francisco Mota

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A fabrica confiança volta assumir a liderança das audiências políticas em Braga. Depois de mais um acto de vandalismo, mesmo sendo legal, ao património público por parte do Bloco de Esquerda inscrevendo nas paredes da antiga fábrica de sabonetes “A confiança é de todos”, eis que se instala a discussão sobre o futuro deste equipamento.

Mas antes disso, recordo a necessidade de rever a legislação da propaganda política que se encontra desatualizada e fora do contexto para uma sociedade que se diz desenvolvida e tecnologicamente avançada.

Alguém de bom senso, independentemente da ideologia política, confere que a pintura de morais, casas ou qualquer tipo de património público, já não se trata de uma forma de liberdade de expressão, mas antes sim de vandalismo e poluição visual. Com os meios disponíveis nos dias de hoje, as redes sociais a surgirem como ferramentas eficazes e eficientes na proliferação de informação ao segundo e ainda com órgãos de comunicação social livres e disponíveis, parece-me oportuno rever a legislação que permite estes actos arcaicos e medievais. Enquanto assim não for espero que o bom senso impere face a uma lei que não confere as reais necessidades.

Quanto à aquisição do imóvel por parte do município no ano de 2013, enquanto líder da Juventude Popular e Deputado Municipal, assumi ser contra a sua aquisição. Acreditava profundamente, à data dos factos, que não se tratava de uma prioridade para o concelho e que 3,5 milhões de euros deveriam ser investidos em outras áreas mais prementes da esfera municipal, fora o facto que o novo quadro de financiamento que se avizinhava não parecia visar o investimento em novos equipamentos públicos do género que se pretendia para aquele espaço.

Volvidos cerca de 4 anos, após um concurso de ideias e umas eleições autárquicas a onde a coligação “Juntos Por Braga” venceu poderíamos resumir esta história em: eu tinha razão.
Mas penso que o dossier é bem mais importante do que um simples resumo a puxar por um qualquer galão político, aliás, porque acredito em políticas de ganho para os bracarenses e não de perda como é o caso. Assim sendo e com a impossibilidade de financiar o concurso de ideias para aquele espaço a possibilidade de a autarquia o vender demonstra uma grande lucidez governativa.

Como sabem, sempre defendi o respeito inter geracional na gestão da coisa pública e primei por um exercício autárquico transparente, afirmando já por diversas vezes que as decisões presentes devem proteger as futuras gerações e não as próximas eleições. Seguramente a oposição e de certa forma os bracarenses estariam acomodados a que se fizesse a obra, qualquer que fosse o custo ou independentemente de quem e quando a pagaria, mesmo que isso onerasse os próximos executivos municipais. Mas Ricardo Rio, pondera e bem, a venda da Confiança por saber que não há condições financeiras para cumprir aquele caderno de encargos e que não tem o direito de condicionar as opções futuras como fizeram com o seu executivo.

A confirmar-se esta venda, como acredito que deve acontecer, o valor da transação deve ser por aquele que o mercado ditar, de acordo com um projecto para a envolvência e estrategicamente deveria ser assegurado a execução da ligação entre a Rua D. Pedro V e a Rua Nova de Sta Cruz.
Quanto aos serviços que estavam previstos para o imóvel, compreendo a preocupação da Junta de Freguesia de S. Victor, mas não posso deixar de apontar um caminho prioritário, alternativo e bem mais benéfico para a freguesia. Com a passagem do antigo edifício da Escola Francisco Sanches para o domínio municipal, deveriam ser assumidas duas grandes prioridades: a delegação de competências na junta de freguesia para a concepção de projecto e consequentemente a sua requalificação, que visaria ser a sede da junta de freguesia bem como um equipamento para albergar o associativismo victoriano.

Tudo isto financiado com parte da venda da confiança, podendo ainda a sede da Associação Académica da Universidade do Minho poder receber parte deste valor.
Venda-se a Confiança!

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