A indisciplina na sala de aula

Voz às Escolas

autor

Pedro Cerqueira

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Parece-me inquestionável o progresso que assistimos nas últimas décadas em Portugal no que respeita às taxas de escolarização e do nível médio de escolaridade da população. Apesar da taxa de abandono escolar precoce em Portugal continuar um pouco acima da média da União Europeia, não se compara ao que sucedia há 25 anos atrás. Mas será que a qualidade da formação acompanhou esta tendência de escolarização?

Bem, não será fácil responder a esta questão, mormente pela falta de estudos e dados científicos, mas o fato de termos praticamente toda a população na escola durante 12 anos trouxe novos e mais difíceis desafios às escolas e à sociedade. A ideia e a importância da escolarização plena da população como fator de desenvolvimento económico e social é relativamente recente na sociedade portuguesa, sendo natural que uma parte apreciável da população ainda não tenha interiorizado esta ideia e não se reveja neste desiderato nacional.

Neste enquadramento de uma escola para todos, tem emergido nas nossas escolas um problema grave que compromete o sucesso das aprendizagens e causa um enorme desgaste físico e psíquico aos docentes e que tem sido assunto para muitos artigos de opinião e de muita atenção nas redes sociais: a indisciplina na sala de aula. Não me refiro àquela indisciplina grave, tanto ao gosto dos meios de comunicação social sensacionalistas, que ocorrem pontualmente ou mesmo sem registos de ocorrências em muitas das nossas escolas, mas à “pequena” indisciplina, ao “ruído de

fundo”, que causa perturbação constante na sala de aula, sendo um fator de degradação da qualidade das aprendizagens.

É importante e fundamental o trabalho e intervenção da sociedade civil para se encontrar caminhos e soluções para esta problemática que é complexa e que requer o envolvimento da sociedade no geral, não se compadecendo com atuações baseadas no empirismo. A diminuição do número de alunos por turma tem sido apontada como a solução milagrosa. Com certeza que o trabalho de um docente que tem 20 alunos numa sala poderá ser mais eficiente do que se tiver 30 alunos. No entanto, poderemos estar a ser muito redutores ao apontar como única e principal solução aquilo que poderá ser, em muitos casos, apenas um facilitador do processo. A meu ver, mais uma vez, está a centrar-se o problema exclusivamente na escola, quando se trata de um problema bem mais vasto que tem forçosamente que envolver toda a sociedade.

Sobre a questão do sucesso escolar, que estará diretamente relacionado com esta temática, valerá a pena ler um artigo de 24/2/2016 do jornal Público em que se relaciona a escolaridade das mães e o estrato social com o percurso escolar das crianças. Não é nada de novo, mas este estudo mostra que na sociedade portuguesa há uma forte relação entre a escolarização das mães no sucesso escolar das crianças. Mostra também o estudo da DGEEC, em que se baseia o artigo, que a escola não tem conseguido ultrapassar com sucesso o determinismo socioeconómico nos resultados escolares dos alunos.

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