Prática do desporto na natureza durante o inverno

Ensino

autor

António Brandão

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Quando falamos de desportos de inverno, pensamos logo em ski, snowboard, passeios com raquetes de neve, montanhismo, ou seja, atividades que em grande parte do território nacional não são possíveis de realizar.
A nossa questão surge: será que a quadra hibernal impede por completo as atividades do desporto na natureza a que estamos habituados? É próprio deste período surgirem condições meteorológicas adversas que desencorajam os amantes do desporto em meios naturais.

Temos consciência que as atividades desportivas, em relação às épocas do ano mais movimentadas (primavera/verão), são fortemente afetadas. Porém, os apaixonados do desporto na natureza suportam mal a inatividade nos meios propícios à prática do seu desporto de eleição ao ar livre.

Perante o acréscimo de risco de maiores incidentes/acidentes, ao longo da época de inverno, para o praticante, enquanto formadores e participantes nas atividades desportivas na natureza, somos obrigados a avaliar e a analisar a informação que temos disponível através dos conhecimentos, informação e experiências adquiridas, aumentando o nível de confiança nos executantes das tarefas. A motivação individual e coletiva empurra-nos constantemente a vivenciar certas experiências singulares próprias do desporto da natureza e que só são possíveis durante os tempos mais adversos.

Lançando um olhar crítico sobre os desportos de natureza e aventura, mas dentro de um espírito de alta competição, verificamos que os atletas de canoagem, BTT, trail, surf, remo, entre muitos outros, continuam a treinar durante o inverno, mesmo sabendo que o tempo chuvoso e frio lhes tira muita vontade. É certo que tal temporada obriga a maior preparação para enfrentar as circunstâncias altamente adversas do dia-a-dia, mas a pessoa, motivada pelo desporto que faz, dificilmente para por completo durante esta época.

Lance Armstrong é exemplo disso, pois num dos seus inúmeros treinos em altitude, no inverno dos Alpes, nevando e com bastante vento, ele pega na sua bicicleta e prepara-se. O seu treinador pergunta-lhe o que ele vai fazer, ao que ele responde: vou treinar, pois hoje sei que mais ninguém o vai fazer, logo fico com mais um dia de treino/preparação. Referenciando este gesto do atleta, abrimos as portas para a reflexão de todos os apaixonados/praticantes de desportos de natureza e para os responsáveis diretos e indiretos na logística organizativa dos desportos de natureza.

Após a visão de atletas de alto rendimento, queremos citar mais duas iniciativas:
Esta primeira referente ao projeto Centro de Mar, que foi criado e está a ser implementado em Viana do Castelo.

A Câmara Municipal desta cidade [Melgaço] aproveitou o que a natureza lhe oferece, o rio e o mar, para apoiar organismos ligados aos desportos aquáticos, como o surf, remo, canoagem e vela. Os diretores das escolas do concelho e professores de educação física, juntamente com o município e os clubes, metera

m mãos à obra, enquadrando mais de 1700 alunos do concelho para que estes possam frequentar tais atividades durante todo ano.

Estamos perante um sistema que proporciona condições para os praticantes amadores treinarem/exercerem as suas atividades desportivas, mesmo durante o inverno. Com o que está concretizado até à data, observamos um impacto notável a nível regional e nacional, sendo um modelo de referência para o país no que diz respeito ao desenvolvimento do desporto na natureza, em concreto nos desportos náuticos.

Como segunda referência, queremos abordar a parte comercial/turística. Existem empresas mais vocacionadas para turismo da natureza e aventura, como as que atuam no rio Paiva, que desenvolvem as suas atividades de animação turísticas durante o inverno para proporcionar experiências de rafting aos seus clientes que seriam mais incertas nas outras épocas do ano. Aqui precisamos das condições atmosféricas hibernais para trazer a prática deste desporto, pois em outras épocas do ano são menos procuradas porque falta ao rio o caudal ideal para a prática de rafting. Estamos perante uma situação real, em que os praticantes são mais ativos no inverno do que nas outras épocas.

Dentro da visão turística coloca-se a questão às associações/empresas que oferecem uma animação vocacionada para todos aqueles que procuram atividades de lazer enquadradas nos desportos de natureza. Devem os promotores do lazer diminuir a oferta e a aposta no turismo de desporto na natureza durante o período de inverno? Realmente é preciso ponderar as variáveis: condições do meio, equipamento adequado, responsabilidade das empresas, monitores/treinadores qualificados e vontade, entre outras.

Enveredamos por tomar uma atitude responsável dentro de uma via sustentável para o empreendimento turístico de lazer. Com isto queremos dizer que podemos e devemos potenciar o desporto de natureza no inverno, tornando o nosso país cada vez mais um destino turístico de aventura, para o qual temos de apresentar condições de excelência para os turistas, amantes e profissionais do desporto na natureza. O conhecimento, as aprendizagens, as competências, e sobretudo, o grau de experiência, nesta área é uma realidade a ter em conta para oferecer uma segurança credível para os turistas e minimizar o risco devido às condições próprias da época hibernal.

Incentivar a prática desportiva em meio natural no inverno é realmente diferente de propor/proporcionar atividades desportivas na natureza na primavera/verão, pois na época hibernal estamos a expor-nos a condições adversas. A nossa experiência ao longo dos últimos anos leva-nos a testemunhar que é possível conciliar a aventura, o bem-estar e o meio natural para uma motivação controlada pelo desporto na natureza durante o inverno. Quanto maior é o conhecimento, a competência técnica e a experiência, maior é a perceção para assumir o risco, apresentando segurança à prática da modalidade.

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