Vida Inteligente

Ensino

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Lia Oliveira

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Desengane-se que não venho argumentar sobre a existência ou não de extraterrestres, avistamento de OVNIS ou sobre o facto de agora que foram descobertos planetas semelhantes ao nosso, ser possível existir outra “humanidade”. Também não descobri, nem tenho conhecimento de nenhum método para aumentar a inteligência e tornar o comum dos mortais num Einstein dos dias modernos com a capacidade de revolucionar o mundo da ciência. Simplesmente, enquanto tentava de forma pacífica convencer a minha miniatura de 2 anos a ficar à mesa, após engolir a sopa, recorrendo a lápis e papel, eis que ela constata “mas ele tem telemóvel, eu também quero, porque tu num dás?!”. Pois na realidade não é fácil explicar porque optam 4 pessoas adultas por ficar coladas aos seus Smartphones em vez de falarem entre elas, de vez em quando lá esboçaram um sorriso, mas para o mais que tudo que cabe na palma das mãos. Lá teve de sair um “porque eu digo e pronto!”.

Nos últimos anos, a nossa sociedade foi engolida pela pretensão de que tudo o que temos em nosso redor tem de ser “SMART”, ou seja, está relacionado com a integração da tecnologia permitindo funcionalidades avançadas. Mas será que temos algum momento do nosso dia que não seja dominado pelo conceito “inteligente” ou como dizemos milhares de vezes por dia “SMART”?!
Começamos pelos amplamente difundidos Smartphones (estes até têm lugar cativo na cama) que para além de terem as funções óbvias, telefonar e enviar mensagem de texto, parecem autênticos computadores com máquinas fotográficas integradas.
A inteligência destes pequenos aparelhos é tão grande que manipula grande parte da sociedade fazendo-a acreditar que a interação e os relacionamentos são desnecessários, tornando-se nos seus melhores amigos.

Associados a estes conceitos surgem os Smartwatch que não “dizem” apenas as horas, mas o tempo, mostram os e-mails, fotografias, e um sem fim de informações.
Até nos dão música! E surgem ainda as Smart TVs também dominadas pela valiosa ligação à Internet e o sem fim de aplicações que trazem, como se já não bastassem as centenas de canais e aplicações que já nos entravam pela casa dentro. Mas quanto mais melhor, mesmo que só se usem apenas 5 ou 6 canais.

Os carros também são dotados de toda esta tecnologia, ora estacionam sozinhos, telefo

nam em caso de acidente, estão conectados com tudo o que tenha tecnologia, dizem-nos onde estamos e para onde devemos ir, um sem fim de tecnologia em evolução constante em prol do nosso conforto e segurança. Mas atenção, a designação da marca “SMART” nada tem a ver com inteligência. Na realidade deriva da parceria da Swatch (marca de relógios) com a Mercedes e a sua pretensão de criar “art”.

As casas não ficam de fora, através da designação de Domótica, tudo fica interligado desde a máquina do café, ao sistema de aquecimento, passando pelo alarme. E para controlar tudo isto apenas é necessária uma ligação à Internet em qualquer parte do mundo. Depende do estofo financeiro de cada um.

Mas não ficamos por aqui, enquanto as sociedades se alinham ao redor destes dispositivos que facilitam o seu dia-a-dia dotados de tecnologia, levando-nos a não precisar de nos esforçar sucessivamente e cada vez menos a provar o nosso lado SMART (afinal temos tudo na nossa mão), os governos também se alinham. Os esforços governamentais focam-se nas SMART Cities e na 4ª Revolução Industrial.

As Cidades Inteligentes atuam no plano da gestão urbana e surgem com o objetivo de criar sustentabilidade, melhorar as condições de vida das populações e impulsionar a sua economia combinando, para tal, conhecimentos das tecnologias avançadas de informação e comunicação, otimizando o uso dos recursos, a mobilidade e os serviços.
A 4ª Revolução Industrial surge pela mão do governo alemão em 2013 para agregar algumas medidas fundamentais para o desenvolvimento industrial e consiste em estruturar o seu funcionamento através da combinação de Sistemas Cyber-físicos, da Internet das Coisas e da Internet de Serviços criando redes inteligentes compostos por todos os elementos conectados entre si ao longo de toda a cadeia de valor permitindo maior autonomia.

Se estamos no caminho certo?
Não sabemos, mas parados não podemos ficar já que a evolução sempre fez parte da nossa essência enquanto ser humano. A chave está na nossa capacidade em saber utilizar o que temos de forma positiva.
Estamos rodeados da “Era Smart”, mas estaremos a ser ou estaremos a colocar em causa essa nossa própria capacidade ao transferir para toda essa tecnologia pequenas coisas como simples raciocínios matemáticos?! Ou mesmo a nossa capacidade de nos relacionarmos?!

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