D(e)sencontros com a História

Voz às Escolas

Vários órgãos de comunicação social noticiavam/recordavam nas respectivas edições de 16 de março de 2008 o teor do seguinte acontecimento:
“No meio do Atlântico, George W. Bush (EUA), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha), recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, para uma cimeira que culminou, quatro dias depois, na madrugada de 20 do mesmo mês, com o início da intervenção militar no Iraque.”

Após este fatídico encontro que, inolvidavelmente, mudou o mundo, quiseram as vicissitudes do tempo que a então escola secundária da póvoa de lanhoso, tivesse convidado, nos idos de maio de 2003 o Líder do Bloco de Esquerda, professor Francisco Louçã, para uma conversa com os nossos alunos sobre a paz no mundo.
Não vou aqui tecer exacerbados considerandos sobre o teor daquela conversa, mas ancorado na minha memória, não de Historiador, mas de professor de história, que o orador manifestou um veemente repúdio sobre aquela cimeira, dizendo que a falta de provas sobre as tão faladas “armas químicas”, poderiam representar uma desordem mundial conducente a uma hecatombe muito próxima da 3ª guerra mundial.

Na oportunidade, e apesar dos meus já “vetustos” 37 anos de idade, com a voz trémula, ousei questionar: Será que o mundo não está a atravessar uma verdadeira crise de lideranças? É que habituei-me a falar aos meus alunos do pós segunda guerra, em nomes como Helmut Kohl, François Mitterrand, Jacques Delors, a Dama de Ferro (Margaret Thatcher), Nelson Mandela, sem olvidar o nosso Mário Soares. E agora quem vemos nós assumir o destino do mundo?! Durão Barroso, George Bush, Aznar, Tony Blair, Sarkozy, François Hollande, Putin, entre tantos outros!!
Ciente de que poderia ter reprovado no teste, o certo é que o orador convidado concordou em percentagem plena, com a minha interlocução, acrescentando que tal política de subserviência aos desmandos americano-capitalistas não auguravam nada de bom.

Como este espaço não se compadece com considerandos de natureza subjetiva, facto é que o mundo evoluiu assim:
- Em 2008, Bush referia-se à então tida como hipótese credível de o Iraque dispor de armas de destruição maciça, nomeadamente químicas, uma suspeita que, embora tivesse sido a principal justificação oficial para a intervenção militar externa no país, viria a revelar-se infundada e nunca suficientemente sustentada, como reconheceram anos depois, um a um, todos os protagonistas da Cimeira das Lajes.

> - Os verdadeiros líderes que anteriormente idolatrei, caíram, uma após um, fruto do determinismo etário e biológico do criador.
- Em sua substituição ergueram-se outros que ficarão conhecidos por obras e feitos que da lei da morte jamais se libertarão, com assinalável vacuidade:
1 - Um por ser apanhado pelos “paparazzi” a fugir de moto da casa da amante a horas em que o leito conjugal o esperava à muito!
2 - Outro que se separou duma mulher de reputação irrepreensível para casar com uma cantora famosa, ainda que para isso passasse a usar sapatos de salto…para parecer mais alto e ajustável à silhueta da dita cançonetista;
3 - Nas áfricas, Mandela viu um Jacob Zuma mais preocupado com a sua vintena feminina poligâmica do que com a erradicação da pobreza e da SIDA;
4 - Na Rússia assistimos a um rotativismo democrático entre Putin e o seu delfim Medvedev, combinando várias ações “democráticas” como o assassinato à porta da sua casa da jornalista russa, Anna Politkovskaia, o envenenamento em Londres do espião russo Litvinenko e a prisão do grande xadrezista e oposicionista Gary Kasparov;
5 - Em Portugal assistimos aos “donos disto tudo”, a procurarem ser mesmo donos disto tudo, independentemente dos meios, dos empréstimos dos amigos e das legítimas progressões jotistas”!!!

Como se tudo isto fosse tão pouco, quiseram os americanos mais pobres e explorados pelo capitalismo, brindar o mundo, no ocaso de 2016, com a eleição dum ser, que só por prurido, qualifico de aberração da natureza.
Todavia, sempre ensinei aos meus alunos que os factos históricos são repetíveis, pese embora as personagens não o serem! Mas aquilo a que assistimos nos últimos tempos é de expectar o pior das circunstâncias.
Quando um homem totalmente impreparado para o exercício duma função, a exerce de facto, a proximidade do caos nunca esteve tão perto.

Se colocarmos um incartado a conduzir um camião TIR, por certo que a destruição acontecerá. Mesmo um encartado, eivado de preconceitos foi capaz de destruir a paz de Nice!!
Colocar um magnate gigolo, homofóbico, xenófobo, sexista, analfabeto funcional, aos comandos duma nave que é o mundo, por certo que urge alertar todas as companhias de seguro que existem em cada um de nós!
Organizemos-mos no protesto, antes que seja tarde demais!!
Não quero ser epitetado de velho do restelo! Porque o dito cujo até foi resiliente!
Mas, ou ousamos navegar por mares já antes navegados, ou o apocalipse será inevitável!

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