Pós-Internet

Ideias

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João Ribeiro Mendes

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Em pouco mais de 20 anos, a Internet passou de uma curiosidade a um bem de primeira necessidade. Calcula-se que no início de 2017 os seus utilizadores - isto é, pessoas com acesso à mesma a partir de casa - chegaram a 3,5 mil milhões. E bom número deles dirá que se tornou quase impensável passar sem ela.
Todavia, se experimentarem digitar no Google a expressão “fim da Internet” (em inglês, claro!) recebem o incrível resultado de cerca de 711 milhões de páginas a seu respeito. Imaginem que gastavam 1 segundo apenas a consultar cada uma delas; precisavam de mais de 8 dias, sem pausas, para o fazer.

Mas que significa essa expressão? Pelo menos três coisas. Desde logo serve para referir um divertimento (iniciado na década de 1980) conhecido como a “última página da Internet” ou, se preferir, um popularizado meme no ciberespaço. Veja-se, por exemplo, em www.theendofinternet.com, onde se lê: «Parabéns!!! Você encontrou O Fim da Internet!! Você já viu tudo o que vale a pena ver no mundo virtual, por isso, desligue o computador e saia pela porta para enfrentar a realidade. Conheça pessoas na vida real, converse com elas cara a cara, brinque com as crianças na rua. Você é livre de fazer o que quiser. Obrigado por visitar a Internet, esperamos que tenha gostado a navegação».

Uma significação alternativa é a daqueles que falam do fim da Internet “tal como a conhecemos”. E neste caso temos uma bifurcação que aparta os que anteveem uma sua evolução mais sóbria dos que lhe conjeturam alterações mais dramáticas.
No primeiro grupo encontramos Sir Tim Berners-Lee, o reputado físico e cientista da computação britânico que propôs a sua criação. Com efeito, no passado domingo, 12 de março, decorridos 28 anos dessa sua iniciativa, recordou numa mensagem exposta na Web Foundation intitulada “Three challenges for the web”: «Imaginei-a como uma plataforma aberta, permitindo que quem que seja, onde quer que esteja, possa partilhar informações, aceder a possibilidades e colaborar através de fronteiras geográficas e culturais. De muitas maneiras, a web tem conseguido concretizar essa visão, embora tenha sido uma batalha recorrente mantê-la aberta. Nos últimos 12 meses, contudo, tenho estado cada vez mais preocupado com três novas tendências, que acredito que devemos combater para que a web possa alcançar seu verdadeiro potencial como ferramenta a serviço de toda a humanidade.». Estas tendências em intensificação são as da crescente perda de controlo sobre nossos dados pessoais, da excessiva facilidade com que se dissemina desinformação (informação má ou enganadora) e do marketing político que, cada vez mais frequentemente, se alimenta destas duas outras tendências, para manipulação de processos eleitorais e perverter práticas, processos e instituições democráticos.

Já no segundo grupo, mais heteróclito, encontramos quem pretenda, mais radicalmente, alterar a própria infraestrutura da Internet, nomeadamente regionalizando-a. Uma dessas propostas, invocando razões de segurança e defesa nacionais veio da Chanceler alemã, Angela Merkel, que reivindica a necessidade da criação de uma rede pan-europeia (fechada) de computação em nuvem, uma variante do que Daniel Castro, presidente da Fundação Information Technology and Innovation, denominou “nacionalismo de dados”, isto é, da política que determinados países desejam de manter informações “críticas” armazenadas em servidores alojados no seu espaço físico.
A velha Internet está (provavelmente) morta! Viva a nova (?) Internet!

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