Porque que é que o Rei de Espanha não visitou Braga e Viana do Castelo?

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Abílio Vilaça

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No final do ano passado D. Filipe VI, Rei de Espanha, esteve de visita oficial á cidade do Porto. Na oportunidade ficou patente que o Porto tem capacidade para receber e bem receber. Esta visita sempre acompanhada pelas televisões portuguesas e espanholas, constituiu uma excelente promoção da cidade do Porto nas comunidades espanholas e também fora da Península Ibérica.
Esta visita de Estado que passou por Guimarães e Lisboa foi marcada pela amizade entre os dois povos, serviu também para reafirmar a importância da ciência e tecnologia e possibilitou a visita ao Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. O Rei de Espanha, D. Filipe VI, salientou na oportunidade a importante transformação da cidade. Referiu então que “um dos elementos principais que contribuíram para essa transformação é, sem dúvida, a pujança da Universidade do Porto e do seu Parque de Ciência e Tecnologia, e que fazem do Porto uma cidade empreendedora por excelência, contribuindo para dinamizar a economia e atrair cada vez mais empresas que desejam instalar-se nesta magnífica cidade'.
Visitou também a Fundação de Serralves e a magnífica exposição de Miró, agora disponível para ser visitada e que regista já uma notoriedade que importa acompanhar. A cidade do Porto vai-se afirmando com muita astúcia como cidade de cultura. A Casa da Música, a Fundação de Serralves, a Torre dos Clérigos, a exposição Miró, os Museus, etc. São muitos os eventos de características internacionais que ali vão acontecendo.
O Porto é uma cidade com projeto e com ambição de ser claramente uma cidade de interesse mundial. Os operadores turísticos rejubilaram de alegria quando a coleção Miró se instalou de vez em Serralves, abrindo uma preciosidade cultural ao mundo, elevando a cidade do Porto a um patamar de oferta de turismo cultural muito importante.
O Porto vai-se transformando numa cidade central da dinâmica social, económica. cultural e política do país. Essa dinâmica deve-se á astúcia e capacidade dos seus dirigentes políticos que compreenderam a importância de se estruturarem em torno de um projeto. A prática de boa vizinhança, a capacidade de diálogo institucional e político e naturalmente uma atitude mais ambiciosa no que reporta á perspetiva do desenvolvimento.
No que concerne ao turismo a situação é clara. As infraestruturas determinantes na entrada de turistas (aeroporto Sá Carneiro e terminal de Cruzeiros de Leixões) estão concluídas e recebem constantemente prémios pela qualidade dos seus projetos e serviços. Duas portas de entrada, de turistas e visitantes, muito qualificadas e muito bem organizadas.
Os cruzeiros no rio Douro, as ligações á Régua por comboio histórico, as caves do vinho do Porto, os novos hotéis e o alojamento, constituem um motor de uma renovação e revitalização desejáveis em todo o centro histórico. Espera-se muito mais num futuro breve. O Porto, como destino turístico, é já uma realidade e com destaque internacional.
O Porto afirma-se dia a dia numa construção perfeita entre a renovação da cidade velha, ligando o rio, a população, as tradições, a Universidade, a tecnologia, a cultura, enfim a ambição, legítima, de uma cidade com força mundial.
O Porto compreendeu que a sua luta não é já com Lisboa, a sua luta de competitividade é com cidades europeias com Madrid, Barcelona, Lyon, Estocolmo, Amsterdão, entre outras. É assim que vai surgindo no mercado mundial, como um destino turístico apaixonante. As forças económicas, políticas e sociais do Porto compreenderam finalmente que as diferentes dimensões que a cidade assume não necessita de nada nem de ninguém para ser referenciada. As suas gentes, a sua hospitalidade associada ao que tem vindo a construir na oferta de alojamento de qualidade, na oferta cultural, na oferta gastronómica e vínica, nas suas festas populares, sempre com autenticidade, consegue surpreender os turistas e visitantes com grande entusiasmo.
Os Museus da cidade, têm agora que ser mais ambiciosos com os seus acervos e a sua dinâmica. A coleção Miró despertou um novo interesse cultural mundial pela cidade. O Porto já pode ambicionar encontro internacionais de arte, música, cultura, pois tem já uma oferta que preenche completamente a exigência de públicos seletivos e muito qualificados. A Universidade tem naturalmente dado a sua ajuda vital, a que lentamente se vai associando a nova Igreja do Porto, assente numa sensibilidade que D. António Francisco dos Santos tem vindo a afirmar para uma cultura religiosa mais autêntica e menos superficial.
Bem vistas as coisas, compreende-se porque não visitou o Rei de Espanha a cidade de Braga ou de Viana do Castelo.
Enquanto Braga e Viana do Castelo não se unirem em projetos conjuntos de desenvolvimento regional agregadores, não se afirmam como cidades turísticas de dimensão europeia e mundial. Note-se que só em termos europeus existem cerca de 105 cidades com mais do que 300 mil habitantes a trabalhar para serem também cidades turísticas de importância europeia e mundial. A história e cultura são importantes, porém é necessário escala em termos populacionais que possam mobilizar públicos para os eventos. Não se pode nem deve limitar as atividades culturais a uma oferta de festas, festividades e pequenos festivais sem critério de qualificação turística.
Se o Rei de Espanha viesse a Braga ou a Viana do Castelo no final do Outono e início do Inverso o que teria para se ocupar? E quem seriam os interlocutores?

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