Dia Mundial do Livro: faça da leitura uma causa de vida

Voz às Bibliotecas

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Carla Araújo

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Quando há dias recebi o mail da Diretora de Serviços do Livro, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, com a habitual informação anual sobre a comemoração do Dia Mundial do Livro e dos Diretos de Autor, a 23 de abril, devo confessar que, como primeira reação, me senti um pouco inconformada.

Dizia assim: Em 2017, e porque se comemoram os 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal, a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas quis relacionar o Dia Mundial do Livro com esta efeméride, incitando à leitura e celebrando o livro como um hino à vida. Com alguma impertinência momentânea pensei para comigo mesma: Porquê ligar a comemoração do Livro com a Pena de Morte? Sinceramente que não vi, à partida, a sua relação. Ainda assim, quando abri um dos anexos do mail com a versão portuguesa do cartaz oficial desta efeméride, mais relutante fiquei. Era a imagem de um carrasco, de capuz preto a cobrir a cara e com uma corda ao lado do corpo. Tive que me abstrair da leitura mais superficial que estava a fazer e inferir um pouco mais sobre ela. Percebi.

A imagem de um carrasco, de capuz preto a cobrir a cara, com uma corda “largada” ao lado do corpo, “mas com um livro aberto a ocupar ambas as mãos, e uma inscrição que dizia: Faça da leitura uma causa de vida.”, um cartoon com conceção e design da ilustradora e cartoonista portuguesa Cristina Sampaio, mostra como, simbolicamente, o livro e a leitura são fatores fundamentais que se encontram na base da cidadania plena. Nesse mesmo mail, e na mensagem do Diretor-Geral, da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, o propósito da ligação da comemoração do Dia Mundial do Livro à comemoração dos 150 anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal foi-me, depois, mais amplamente reconhecida.

Assim, ao assinalar-se em 2017 a passagem dos 150 anos sobre a Abolição da Pena de Morte em Portugal, e como forma de relembrar, também, a atribuição da Marca do Património Europeu, em 2015, à Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte, a comemoração do Dia Mundial do Livro ganhou outra profundidade, significado e abrangência. Como certa- mente todos sabemos, Portugal foi um dos primeiros países a inscrever no seu regime legal uma lei de abolição da pena de morte para crimes civis, destacando-se, assim, na linha da frente dos países pioneiros do cumprimento deste desígnio.

Desta forma, Portugal serviu de argumento aos defensores do movimento abolicionista na Europa como o exemplo de um País que, nascido da mesma herança cultural e histórica, tal como a maior parte dos seus congéneres europeus, teve a coragem de abraçar uma grande reforma civilizacional.

Este foi, de facto, um acontecimento que teve forte impacto no contexto europeu da época. Como refere Silvestre Lacerda, Diretor-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, acerca desta, afinal, feliz coincidência: É pois, com muito orgulho, que participamos desta efeméride de tamanha importância para a nossa consciência cívica e vivência histórica enquanto cidadãos portugueses, europeus e do mundo, em associação a entidades dos mais diversos setores da nossa sociedade. Aproveito, assim, a oportunidade para endereçar convite a todas as entidades locais e regionais que desejem associar-se a esta iniciativa e a comemorar, também, a leitura como uma causa de vida!

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