Viver o presente

Escreve quem sabe

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Ana Paula Silva

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“DEPRESSÃO É O EXCESSO DE PASSADO, ANSIEDADE É EXCESSO DE FUTURO”
Experienciar cada momento é essencial para reduzir a depressão e a ansiedade.
Viver o presente pode parecer simples, mas não o é, para a maioria das pessoas.
Repare nestas afirmações que tantas vezes proferimos:
“É tão bonito aqui! Quero voltar cá um dia!”.
“Este café que estou a tomar não está tão bom quanto o que tomei semana passada.”
“Espero que esta refeição não acabe.”

A nossa mente gasta sensivelmente 70% do seu tempo reproduzindo memórias e criando cenários perfeitos, sobrando apenas 30% para viver o presente.
Explore esta frase: passado e futuro não existem.
Quando o futuro vier a existir, este será o aqui e o agora.
Quando o passado existiu, naquele momento, era o aqui e o agora.

Se dividiremos as pessoas na forma como elas vivem o seu tempo, poderíamos caracterizá-los em quatro tipos (de certeza que consegue nomear algum conhecido para qualquer um dos tipos):
- Pessoas que vivem as suas vidas sentindo apenas nostalgia (“Eu era feliz quando tinha 6 anos …”), ressaltando o valor do passado em detrimento do presente, chegando mesmo a fantasiar, inconscientemente, o passado.
- Pessoas que dedicam o seu tempo a lembrar com frequência os seus sofrimentos passados, deixando passar os bons que estão a acontecer no presente.
- Pessoas que passam o tempo a pensar no futuro (“Eu serei feliz quando estiver reformado.”), esquecendo-se que existe a possibilidade de não chegarem lá.
- Pessoas que se escravizam com o “E se…?”, e, temendo o futuro, deixam de viver as coisas boas do presente.
Viver o presente, é viver o aqui e o agora!

Sobre o passado só se pode recordá-lo e aprender com ele, e sobre o futuro só se pode fazer planos, sem garantia que se realizarão. É muito importante ter esta consciência para nos libertarmos da carga emocional negativa que nos mantem presos num outro momento.
Viver o presente, sem se preocupar excessivamente com o futuro e não ficar remoendo o passado parece simples, mas para isso é necessário esforço e um maior autoconhecimento sobre as suas emoções, pensamentos e ações.

SER OU ESTAR
Ser infeliz não é a mesma coisa que sentir-se infeliz. Quando se refere a si como sendo uma pessoa infeliz, está a personalizar esse estado e considerá-lo permanente.
As emoções não são reações fixas a acontecimentos externos, elas emergem dos pensamentos, crenças e avaliações. As coisas ESTÃO não SÃO, se aceitar esse ponto de partida, pode questionar-se se gostaria de transformar algo e, assim, começar a mudar o foco de atenção para a ação.
Para aprender com o passado é necessário força de vontade e coragem. Não é uma tarefa fácil superar o passado e viver o presente, nada é mais difícil do desapegar-se do que se lamenta e aceitar a realidade nua e crua. Viver com o passado é manter as memórias dolorosas e punir-se, reavivando a dor diariamente e recusar-se a aprender, ora isto não parece nada construtivo ou positivo para a vida presente.

O passado é algo que ficou para trás e pouco pode fazer sobre o que aconteceu. No entanto, consegue mudar os sentimentos e pensamentos que são acionados quando se lembra do que aconteceu no passado, o evitamento não é uma opção pois só amplifica a negatividade. Encarar as emoções negativas e aceitá-las como uma parte da sua vida, pode ajudar a reduzir a quantidade de energia que investe no evitamento ou negatividade, libertando mais energia para desfrutar o momento presente.

Optar pelo caminho da vitimização, mesmo com legitimidade, pode durar o suficiente para desistir e render-se à infelicidade. O outro caminho é aceitar a realidade dos fatos e tomar consciência que pode mudar aquilo que sente (tristeza, ansiedade, fúria, desesperança, depressão). É crucial perceber que aprender com o passado e viver com ele ou dependente dele, são duas coisas diferentes. A aceitação ajuda a desbloquear padrões mentais e emocionais que de certeza voltariam a incomodar no futuro. Por vezes confunde-se a aceitação com resignação, passividade, mas aceitar é 'ressignificar', dar-lhe outro significado, perceber as coisas por outro prisma.

Aceitar-se! Aceitar a minha humanidade e aceitar a do outro. Esta é a base importante para a felicidade.
Não se pode controlar, como muitas vezes desejamos, os acontecimentos. O que podemos fazer é escolher participar de forma ativa ou passiva nas nossas vidas. Não precisamos estar presos a pensamentos passados ou desejos futuros, pois existe a opção de tentar olhar o mundo e a própria vida prestando mais atenção ao que é agradável e positivo ao invés de se fixar no que é penoso e negativo.
Viver o presente, ter boas lembranças e um bom futuro depende da forma como encaramos e percebemos os acontecimentos do momento e como agimos perante eles ao enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que vão surgindo no aqui e agora!

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