Acerca do Terrorismo Alimentar

Ensino

autor

Manuela Vaz Velho

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Este Verão assisti a um seminário interessantíssimo, organizado pela SGS em parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a FIPA e a Tecnoalimentar, sobre os temas “Terrorismo e Fraude Alimentar”.
Em termos gerais ficámos com a ideia de que a probabilidade da água e dos alimentos poderem ser as novas armas do terrorismo não é ficção, mas uma realidade próxima que já está a ser acautelada por organismos reguladores e autoridades responsáveis pela avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar.

Em 2003 a OMS já tinha publicado um relatório com 45 páginas, intitulado «Ameaças Terroristas aos Alimentos», onde se advertia para o risco de uso de pesticidas, vírus e parasitas como «forma de, deliberadamente, causar dano a populações civis».
O Prof. Jørgen Schlundt, à época responsável pela Segurança Alimentar da OMS, advertiu que grupos extremistas ou fundamentalistas poderiam tentar contaminar alimentos com agentes patogénicos e tóxicos e pediu aos países do mundo que aumentassem a sua vigilância. Mencionou ainda que cerca de 1,5 milhão de pessoas morriam, todos os anos, devido a doenças com origem na alimentação e se extremistas adicionarem agentes patogénicos ou tóxicos a alimentos, muito mais pessoas poderão morrer.

Segundo o mesmo responsável, os atentados mais eficientes seriam aqueles que contaminassem os alimentos nas suas primeiras fases de produção.
Disse, ainda, que o relatório não tinha o objetivo de criar alarme, mas sim de alertar os governos para que aumentem a vigilância e planeiem medidas de resposta em caso de uma emergência pois há potencial para ocorrer contaminação propositada.

Passados 14 anos, dada a frequência da ocorrência de ataques terroristas a possibilidade de enfrentarmos situações terroristas de contaminação propositada de alimentos parece estar cada vez mais próxima, conforme foi dito no referido seminário, e teremos que ter um plano de Defesa Alimentar de prevenção e resposta a situações desta natureza.
Até agora falávamos de “Segurança Alimentar”, “Pontos Críticos de Controlo” e “Plano HACCP”; agora falaremos também de “Defesa Alimentar”, “Pontos Críticos de Defesa” e “Plano de Defesa Alimentar”.

Assim um “Plano de Defesa Alimentar” compreenderá a avaliação dos riscos de contaminação intencional dos alimentos e das estratégias de defesa.

A lista de estratégias de mitigação de defesa alimentar da agência federal americana Food and Drug Administracion (FDA) é grande mas uma vez unânime que o principal fator de risco é o pessoal, quase tudo passa pela restrição de acesso a pessoal autorizado file:///C:/Users/mvazv_000/Downloads/FDA-2013-N-1425-0146.pdf :

. Restringir o acesso ao equipamento e aos controles ao pessoal autorizado;
. Restringir o acesso a ingredientes e produtos ao pessoal autorizado;
. Restringir o acesso ao local ao pessoal autorizado;
. Restringir o acesso a aberturas ou pontos de acesso ao pessoal autorizado;
. Restringir o acesso a matérias-primas ao pessoal autorizado;
. Restringir as operações ao pessoal autorizado;
. Restringir a área de receção de pedidos e pedidos ao pessoal autorizado;

E, conforme foi dito no seminário, uma das formas de minimizar o risco de ataques terroristas, numa determinada indústria alimentar, é assegurar o recrutamento de trabalhadores honestos, íntegros e de confiança e não olhar somente às competências técnicas e profissionais dos candidatos.
Serão estes o “pessoal autorizado”?
Pois sinto-me aterrorizada!
Aterrorizada enquanto consumidora;
Aterrorizada enquanto agente da cadeia agroindustrial;
Aterrorizada enquanto cidadã e foi esta última perspetiva que me motivou a escrever este texto.
No presente os terroristas que importam são pessoas de fações extremistas que praticam atos de terror em nome de uma religião, que até advoga a paz, que tem crentes em todas as partes do mundo.
E aqui residem os meus receios.

E receio que neste combate ao terror e em nome desses valores- honestidade, integridade e confiança, tão difíceis de avaliar, se excluam do mundo laboral do agroalimentar milhões de candidatos com base na sua religião ou cor de pele, atributos bem mais fáceis de detetar numa entrevista de recrutamento de pessoal.

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