Que mais podem fazer os grupos folclóricos?

Escreve quem sabe

autor

José Hermínio Machado

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Corre o tempo propício à revisão de conceitos, a ver por díspares e inconsequentes intervenções nas redes sociais, onde o debate se esboça mas não avança, onde a crítica se semeia mas não germina, onde a maledicência cresce mas não se atalha.
Pode ser que esta tribuna contribua para o alvoroço temperado que a questão merece e a questão é esta: o que fazem os grupos folclóricos é tudo quanto podem fazer?
É também tudo quanto sabem fazer?

A minha resposta é não, como se pode depreender e eu tentarei justificar. Mas antes, faço questão de esclarecer que eu não critico os grupos folclóricos pelo que eles fazem, critico-os, se é que a este reparo se pode chamar crítica, por fazerem bem o que fazem sempre da mesma maneira e justificarem tanta repetitividade com o justificativo de que no passado era assim e só assim.

Posto isto, e não vendo eu outros defeitos nos grupos, justifico a minha resposta á interrogação inicial com os seguintes argumentos:

a) o primeiro é o da diversidade de solicitações que recebem os grupos, as associações e as comunidades, para entrarem nos mais variados circuitos de animação cultural: feiras e festas, coros e desfiles, encontros e celebrações: vemos as mesmas pessoas, e provenientes muitas vezes dos mesmos grupos, nas feiras e festas romanas, nas feiras e festas medievais, nas barrocas e nas contemporâneas, nas festas e procissões, nos desfiles e nas romarias, etc., etc.
b) o segundo argumento é de natureza musical e instrumental e coral: quem canta e toca determinadas melodias provenientes da tradição, toca e canta muitas outras melodias, próprias ou emprestadas, que ilustram os tempos e os modos sociais; quem participa no coro da paróquia e depois co-participa no grupo folclórico, quem faz parte de um conjunto e também faz parte do grupo folclórico, quem sabe cantigas e quem sabe também fados, quem toca melodias no cavaquinho de toda a espécie, quem… quem… é sempre uma mais-valia para a animação cultural.
c) o terceiro argumento é o de que os estudos sobre a formação de grupos de animação, desde pelo menos o século XIX para cá, levantaram muitas hipóteses de concretização que foram sendo postas de lado, as mais das vezes por razões de censura, pouco ou nada fundamentada em razões de substância cultural, quase sempre por razões de conveniência ideológica.
d) o último argumento é o da própria natureza da animação cultural contemporânea que é mais exigente em termos de cenários, em termos de espectacularização de luz e de som, em termos de frequência de ocasiões de exibição.

Assim sendo, faltaria agora que eu concretizasse modalidades de intervenção, que eu exemplificasse e que eu sugerisse campos temáticos, o que não recusarei em próximas oportunidades.
Mas não se iludam os leitores com o perfil das expectativas: estamos num campo em que a variação mínima já se diferencia que bonda.

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