A Comunidade do Escutismo Lusófono

Escreve quem sabe

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Carlos Alberto Pereira

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Com a criação dos novos estados que utilizam a Língua Portuguesa como uma das suas línguas oficiais, foi germinando a ideia de, um dia, se constituir uma comunidade de países e povos lusófonos e, lentamente, mas de forma consistente, esta ideia foi ganhando forma nos anos oitenta até que, no dia 17 de julho de 1996, no Centro Cultural de Belém, os Chefes de Estado e de Governo de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, reunidos em Lisboa, assinaram a Declaração Constitutiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP.

Seis anos mais tarde, em 20 de maio de 2002, com a conquista da sua independência, Timor-Leste tornou-se o oitavo país membro da Comunidade, materializando, desta forma, o sonho comum de tantos povos.

Este sonho, de diálogo, partilha e cooperação, no seio da comunidade escutista que utiliza a Língua Portuguesa, também foi ganhando força até que durante o 18º Jamboree (Acampamento) Mundial do Escutismo, realizado em Dronten, na Holanda, foi assinada a Carta do Escutismo Lusófono, no dia 6 de agosto de 1995, por quatro organizações escutistas: Corpo Nacional de Escutas/Escutismo Católico Português, União dos Escoteiros do Brasil, Corpo Nacional de Escutas da Guiné-Bissau e Associação de Escuteiros de S. Tomé e Príncipe. Estava assim criada a Comunidade do Escutismo Lusófono no universo escutista.

No ano seguinte, 1996, três novos países integraram esta comunidade lusófona: a Associação dos Escoteiros de Portugal, a Associação dos Escuteiros de Cabo Verde e a Associação dos Escuteiros de Angola. Em 1997 a Liga de Escuteiros de Moçambique também subscreveu a Carta do Escutismo Lusófono. Os escuteiros de Timor-Leste são membros convidados desta comunidade.

As Associações signatárias desta Carta reafirmam a sua total e inequívoca adesão aos Princípios e Finalidades do Escutismo. Mais ainda, destacam o Escutismo como um autêntico espaço de crescimento e desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens, de ambos os sexos, uma verdadeira escola de democracia e de amizade sem fronteiras de qualquer espécie - políticas, geográficas, religiosas, rácicas ou outras -, em suma, um bom instrumento de progresso do homem todo e de todos os homens, por conseguinte, de povos e nações. Finalmente, reafirmam, igualmente, a sua fidelidade ao espírito da Carta de Marraquexe.

Em concreto, as Associações Escutistas signatárias da presente carta manifestam a sua intenção de cooperação e entreajuda nos seguintes domínios:
• Troca de informação, de experiências e de projetos;
• Realização de projetos comuns de cooperação, aproveitando as possibilidades existentes;
• Presença e relações internacionais concertadas, com o compromisso de consultas recíprocas sobre as suas posições, no quadro da Organização Mundial do Movimento Escutista, no respeito pela independência e soberania de cada Associação neste domínio;
• Reconhecimento internacional das jovens Associações Escutistas Africanas de Expressão Portuguesa. As Associações signatárias já membros de OMME - CNE e UEB - utilizarão toda a sua influência e boa vontade com vista ao rápido reconhecimento das referidas Associações, quer junto da Região Africana, quer junto do Bureau Mundial do Escutismo;
• Reforço da língua portuguesa como veículo de comunicação intercontinental e fator de união de povos e nações, para o que estabelecerão contactos com os órgãos escutistas mundiais a fim de se garantir a produção de documentação e a tradução simultânea em atividades, no âmbito da OMME.

Embora as reuniões plenárias dos representantes do escutismo lusófono só aconteçam, em paralelo a qualquer evento mundial, por causa dos custos, e os contactos bilaterais sejam mais frequentes, este espaço e ocasiões de diálogo intercontinental, cobrindo quatro continentes de lusofonia, no âmbito do Escutismo, tem fortemente contribuído para o aprofundamento das relações entre os povos e países que representam, para o acolhimento das associações escutistas dos novos países, nossos irmãos, no seio da Fraternidade Mundial do Escutismo.

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