Pela positiva

Ideias Políticas

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Pedro Sousa

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Tanto Pedrógão Grande, como o fim-de-semana de 15 de outubro, os episódios mais terríveis de um verão absolutamente nefasto ao nível dos fogos florestais, com a perda de mais de uma centena de vidas humanas, de milhares de animais e de dezenas/centenas de milhares de árvores, cenas de verdadeiro terror e destruição maciça em muitos concelhos do país, deixaram a nu a urgência de encarar as questões da floresta, do cadastro e ordenamento florestal, da prevenção e do combate com bastante maior seriedade, coordenação, investimento, planeamento e, também, maior determinação e coragem.

O relatório independente à tragédia de Pedrógão confirmou, sob o ponto de vista da organização e coordenação do combate, um conjunto de falhas graves, que não deveriam ter acontecido e que deixaram o país em absoluto sobressalto.
O facto de meses mais tarde, a 15 de outubro, em pleno outono, termos vivido tudo novamente, reforçou a desconfiança das pessoas, dos cidadãos que, massivamente, saíram à rua em várias cidades do país e manifestaram o seu descontentamento pelo cenário verdadeiramente dantesco que assolou o país.

Não desculpando, obviamente, todas as falhas técnicas, humanas e de coordenação ao combate que possam ter existido em mais este fatídico dia, é imperioso pensar, questionar como é possível que, em meados de outubro, se possam verificar mais de 500 ignições em apenas um dia?? Não tenho, na verdade, resposta para esta questão, mas acredito que a que mais se aproximará da realidade, dirá que se tratou de uma tempestade perfeita, com a existência, ao mesmo tempo, de um conjunto de circunstâncias que fez com que um verdadeiro tsunami de fogo varresse várias zonas do país.

Para além da inexistência de verdadeiras políticas e estratégias de prevenção, concretizadas, entre outras, através do ordenamento e cadastro florestal, de falhas na organização e coordenação do combate, de falta de meios técnicos e humanos, não esquecendo as temperaturas absolutamente anormais para a época do ano e uma situação de seca extrema em grande parte do território nacional, a que se somou um número de incêndios e de ignições (muitos deles com intervenção criminosa) absolutamente inauditos, ditaram o desfecho que, infelizmente, todos conhecemos.

Sobre a questão do clima, um alerta. Em junho, os Estados Unidos, o maior produtor mundial de gases de efeito estufa, sob a brilhante (ironia, claro) liderança de Donald Trump, abandonaram o acordo de Paris, rejeitando o compromisso de diminuir as suas emissões poluentes.
Faço, aqui, esta chamada de atenção para recordar uma notícia recente, de há dois ou três dias, em que Christine Lagarde, a Directora-Geral do FMI, se demonstrou extremamente preocupada com o futuro do planeta face à evolução das alterações climáticas. A frase ficou-me gravada na memória assim que a ouvi: “Se nada fizermos seremos torrados, assados e grelhados”.

As temperaturas loucas, a rondar os 30 graus, que, hoje, último dia do mês de outubro (dia em que escrevo), se verificaram em vários distritos do país devem deixar bem claro para todos a importância deste alerta.
Também em Braga o fim de tarde/noite de 15 de outubro e a madrugada de 15 para 16 outubro foram um verdadeiro terror, uma aflição nunca vista.
Houve, por certo, falhas, e há, sabemos todos, fragilidades ao nível dos meios, recursos, no nosso sistema de protecção civil municipal que urge superar.

O PS poderia, como outros, procurar colocar a tónica na inoperância, quiçá na irresponsabilidade da Câmara Municipal mas fez diferente, fez melhor. Não entrou no jogo da crítica fácil, rasteira e da baixa política. Não avançou com moções de censura ou quaisquer outros artifícios próprios da chicana política.
Fê-lo como deve fazer sempre, com maturidade, responsabilidade e equilíbrio, através de propostas concretas que possam ajudar a melhorar, a qualificar a governação municipal.

Analisada a realidade e conhecendo o contexto naturalmente finito de meios técnicos e humanos da corporação de bombeiros sapadores de Braga e reconhecendo, ao mesmo tempo, a enorme importância do papel desempenhado pela corporação de bombeiros voluntários, o Partido Socialista propôs que o executivo do Município de Braga recomendasse à administração da empresa AGERE, que, em cada fatura, esta ceda 0,20€ (sem acrescentar qualquer valor adicional ao consumidor), aos Bombeiros Voluntários de Braga para reforço de investimento em meios para a prevenção e combate aos incêndios.
A bem de uma cidade, de um concelho mais seguro para todos.

A política só faz sentido assim, pela positiva. É assim que se faz cidade e o PS-Braga num registo afirmativo e propositivo mostrou ao que vem, apontando a uma forma de estar oposição que deseja, dia após dia, afirmar-se como uma alternativa estruturada, sólida, capaz e preparada para gerir os destinos do município.

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