A bolota na nossa alimentação: uma questão vital!

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Ana Cristina Costa

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Uma coisa começamos a saber, é que o nosso organismo não está adaptado aos alimentos modernos, por isso são cada vez mais as pessoas que sofrem de intolerâncias ou patologias inflamatórias e degenerativas em que a alimentação tem uma forte relação.
O atual regime alimentar é aliás um dos principais responsáveis pela maior epidemia: 86% dos portugueses morrem devidas a doenças crónicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, cancro, diabetes, entre outras).

Por outro lado, a calamidade dos fogos no nosso país tem evidenciado a importância da nossa floresta autóctone, porque precisamente por ter sido substituída por monocultura de árvores “incendiárias” (pinheiro e eucalipto) conduziu o nosso país, em especial a região centro, ao “inferno”.
Todos concordarão de que é preciso dar prioridade à resolução destas epidemias. A boa notícia é que podemos fazê-lo em simultâneo. A má notícia é que isso vai demorar tempo.
A reintrodução do consumo da bolota na nossa alimentação afigura-se-nos pois como uma questão vital, diríamos mesmo como uma questão de estado para o nosso país!

Precisamos de valorizar a nossa floresta, e a valorização da bolota como alimento ajudará decisivamente para que a reflorestação com as nossas espécies, com destaque para as plantas do género Quercus (azinheira, carvalhos, sobreiro) seja viável e não permaneçamos amarrados à ideia da “inevitabilidade do eucalipto para termos rentabilidade na floresta”.
Com um melhor ajuste entre o que comemos e o nosso território estaremos a torná-lo mais resiliente aos fogos, e adicionalmente a recuperar recursos e serviços ecológicos que permitirão a produção de mais e melhores alimentos no futuro!

Antes da agricultura, na pré-história, comia-se exclusivamente o que a Natureza dava! Não havendo outros frutos, nem cereais, para fornecer as calorias necessárias, entre outros nutrientes, no território onde agora é Portugal, a bolota era sem dúvida o fruto mais abundante e por isso foi a base da alimentação das primeiras populações humanas, assim como noutras regiões onde plantas do género Quercus dominavam o coberto vegetal natural, ou seja, todo o hemisfério norte, da América do Norte ao Japão.

E, durante muitos milhares de anos, foi assim, por isso o nosso organismo tem bem inscrito no seu código genético a adaptação a este alimento ancestral.
Agora a ciência desvenda as propriedades nutricionais e funcionais da bolota, que são de facto muitas, e sabemos que é um superalimento, por isso temos este estímulo extra para “dar um passo atrás se queremos continuar a seguir em frente”.
Quando pensamos em bolota como alimento, a primeira ideia que virá à cabeça de muitos é: os porcos. Para os apreciadores de carne de porco, não há dúvida de que a carne dos animais alimentados com bolotas, não só é mais saborosa, mas mais saudável. Lá está!

Será necessária a existência de unidades de processamento da bolota para que este alimento fique mais disponível e acessível à população em geral, mas podemos já hoje usufruir deste alimento de forma gratuita com métodos artesanais ou recorrer às empresas pioneiras na sua produção e comercialização. Se quer saber mais sobre o uso da bolota, e outros alimentos silvestres, a Quercus tem à disposição dois guias práticos sobre “Ervas Silvestres Comestíveis” e “Frutos Silvestres Comestíveis” e ainda uma série de vídeos “Natureza Comestível”.

Para discutir, partilhar informações e divulgar mais dados científicos sobre a importância da bolota na nossa alimentação realizar-se-á um evento imperdível em Matosinhos, no dia 18 de novembro, a 1ª Conferência Ibérica: A Bolota - alimento com passado, presente e futuro: https://vipa1051.com/, ao qual a Quercus não poderia faltar.

Para quem já está sensível à importância da bolota como alimento para humanos (um alimento genuinamente 'slow') irá aprofundar ainda mais os seus conhecimentos. Para quem só agora está ouvir falar disto ou é cético, então tem aqui uma oportunidade de “ouro” para abrir horizontes ... que só pode ser benéfico a vários níveis! Fica o convite!

*Em co-autoria com Alexandra Azevedo

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