São Nuno de Santa Maria • O Santo Condestável

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Carlos Alberto Pereira

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Esta semana iniciou-se com o dia 6 de novembro, que o calendário litúrgico dedica a São Nuno de Santa Maria, que foi Condestável de Portugal, na primeira parte da sua vida, e um humilde frade Carmelita que se dedicou, na segunda parte da vida, inteiramente aos mais frágeis de Lisboa, como diria hoje o Papa Francisco.
Nuno Álvares Pereira (24.julho.1360 - 01.abril.1431), é o patrono do Corpo Nacional de Escutas, desde a sua fundação, em 27 de maio de 1923, pelo Arcebispo Primaz de Braga, D. Manuel Vieira de Matos, e, a partir dessa data, no hino de Nuno Álvares Pereira, os escuteiros sempre o evocavam como “Herói e Sano Nuno imortal, / Valei às terras de Portugal”.

Logo após a sua morte, os pobres de Lisboa já o aclamavam como “Santo Condestável”, muito pela dedicação que ele dispensava aos desprotegidos e aos pobres, para quem instituíra a «sopa dos pobres».
D. Duarte, rei de Portugal, foi o primeiro a promover o processo de canonização do Condestável, como se pode comprovar pela sua carta, assinada a 21 de julho de 1437, onde se queixava, ao abade de Florença e seu conselho, de ainda não ter recebido “o desembargo que saiu do canonizamento do Santo Condestabre per que tire inquirição que sobre isto se costuma fazer”1. Deste documento se conclui que o Papa mandara começar o processo de canonização de D. Nuno Álvares Pereira.

Mas só, no dia 23 de janeiro de 1918, o Papa Bento XV ratifica e aprova o Decreto da Congregação dos Ritos “Clementissimus Deus”, de 15 de janeiro de 1918, promolgando, deste modo, a beatificação de D. Nuno.
A história deste processo poderia ter conhecido o seu epílogo quando, na década de 40 do século passado, o Papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, contudo, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa.

O processo de canonização foi reaberto no dia 13 de Julho de 2003, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa. A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo, por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe. A cura de Guilhermina, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa.

Assim, no dia 26 de abril de 2009, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Bento XVI canonizou cinco Beatos, entre os quais Nuno Álvares Pereira. Na sua homilia, ao referir-se “ao bem-aventurado Nuno de Santa Maria, herói e santo de Portugal”, o Santo Padre afirma: “Os setenta anos da sua vida situam-se na segunda metade do século XIV e primeira do século XV, que viram aquela nação consolidar a sua independência de Castela e estender-se depois pelos Oceanos - não sem um desígnio particular de Deus - abrindo novas rotas que haviam de propiciar a chegada do Evangelho de Cristo até aos confins da terra.

São Nuno sente-se instrumento deste desígnio superior e alistado na «militia Christi», ou seja, no serviço de testemunho que cada cristão é chamado a dar no mundo”. E o Papa termina dizendo: “Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélico, é possível atuar e realizar os valores e princípios da vida cristã, sobretudo se esta é colocada ao serviço do bem comum e da glória de Deus.”2

1Cfr o Códice Ashburnham 1792 da Biblioteca Laurenziana de Florença onde existem dois volumes de originais, pertencentes à correspondência original que ao abade beneditino D. João Gomes chegava de Portugal. Neste códice encontra-se a carta original (publicada pelo Pe. Domingos Maurício: Brotéria VII-1928) que D. Duarte dirige ao Abade de Florença.
2http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2009/documents/hf_ben-xvi_hom_20090426_canonizzazioni.html

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