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2016: Ano Internacional das Leguminosas (cont.)

Solidão

Escreve quem sabe

2016-02-20 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As leguminosas têm sido cultivadas durante séculos por várias culturas. Parece certo que, juntamente com os cereais, constituem um dos alimentos básicos da população desde o Neolítico, a partir do momento que o Homem começa a cultivar a terra e a praticar a agricultura de forma complementar à caça.
Os feijões cultivados pelas civilizações pré-colombianas da América (especialmente México e Peru), eram utilizados não só como alimento, mas também como moeda de troca. Certo é que entraram na Europa nos anos posteriores aos Descobrimentos e logo passaram a fazer parte inseparável do que hoje é chamada Dieta Mediterrânea.
Além das leguminosas mais conhecidas, comidas frescas, secas, em conserva ou congeladas, como as ervilhas, favas, lentilhas, grão-de-bico e feijão (de vários tipos), existem outras menos comuns, como as favas secas (conhecidas como favas ricas, daí a expressar “até vir a mulher da fava rica” - tendo como significado “poderemos ter de esperar muito tempo, mas vai valer a pena”!) e as cascas (conhecidas por “casulas” em Trás-os-Montes), tratando-se de um feijão com a sua vagem para consumir assim mesmo. Para se obterem as casulas há que colher o feijão dentro da vagem ainda verde. Depois a vagem é seccionada em pequenos pedaços. Posteriormente colocam-se ao sol, espalhadas em cima de uma manta, ou de palha, até secarem. Uma vez secas, guardam-se num saco de pano, à espera dos dias frios, para se cozerem com o também tradicional bulho (igualmente conhecido por “butelo”, “palaio” ou “chouriça de ossos”), prato tão tradicional nesta altura do ano!
As leguminosas são uma parte importante nos sistemas de rotação de culturas utilizados pelos agricultores para manter o solo fértil. Uma boa variação de culturas inclui cereais (trigo, cevada e aveia), sementes oleaginosas (linhaça e girassol) e leguminosas. As leguminosas têm um impacto positivo na qualidade do solo porque ajudam a fixar o azoto. Isto contribui para um melhor rendimento das culturas seguintes.
Também se provou que as leguminosas produzem grandes quantidades e diversos tipos de aminoácidos que outras plantas não produzem e que ficam no solo, como resíduos, depois da colheita, melhorando a qualidade do solo para futuros culturas.
Todos esses benefícios que as leguminosas propiciam ao solo favorecem o aparecimento de outras culturas, ao mesmo tempo em que as protegem das doenças causadas por bactérias e fungos.
O azoto é o nutriente mais utilizado na produção de culturas e a adubação azotada é fabricada a base de gás natural. As leguminosas são uma cultura muito especial, já que elas absorvem o azoto que necessitam diretamente do ar e, por sua vez, fixam este azoto no solo deixando-o disponível para futuros cultivos, reduzindo o uso de fertilizantes, tanto nelas mesmas como nas culturas posteriores, estendendo os seus benefícios ambientais a todo o ciclo de produção de alimentos. As mais conhecidas são as da família Fabaceae como os trevos, alfafa, soja, feijões, ervilhas, que possuem nas suas raízes nódulos radiculares com bactérias simbióticas (risóbios), que produzem compostos azotados que ajudam a planta a crescer e a competir com outras. Quando a planta morre, o azoto ajuda a fertilizar o solo. Acredita-se que, durante a vida da planta, também se enriquece o solo através das substâncias libertadas pelas raízes, ricas em azoto. A associação leguminosa-bactéria é normalmente muito específica, embora algumas espécies bacterianas sejam capazes de formar simbiose com leguminosas diferentes.
As leguminosas também são uma fonte de proteína para o ser humano com um baixo impacto ambiental, tanto em emissões de carbono como no aproveitamento de água. Por exemplo, para produzir um quilo de carne de vaca e de frango é necessário utilizar 18 e 11 vezes, respetivamente, mais água que para produzir um quilo de leguminosas. Há ainda a acrescentar a pegada de carbono, tão elevada no caso da carne (9.5Kg de CO2/kg) e baixa no caso das leguminosas (0.5Kg de CO2/kg).

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