Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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A Nanotecnologia e o impacto na euro-região Norte de Portugal

Eu, Fausto.

Ideias

2015-10-31 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Aaposta no investimento no conhecimento científico e na inovação é crucial para o crescimento socioeconómico e para o desenvolvimento sustentável da região Norte. O investimento em projetos científicos e inovadores é um dos grandes desafios que a região enfrenta. A região Norte de Portugal é identificada como uma área geográfica que apresenta um certo grau de suscetibilidade no que concerne aos desafios da globalização e descentralização dos mercados, o que se poderá traduzir em algumas dificuldades relacionadas com a atração do investimento externo. A alteração de paradigmas vinculados à implementação de modelos de inovação é crucial para o posicionamento económico da região e fomento das capacidades industriais.
A incerteza que marca o atual contexto económico, financeiro e os desafios que se enfrentam na Europa não só reforçam a pertinência da estratégia Norte 2020, recentemente enunciada para a Região Norte, como inclusivamente, a torna ainda mais exigente. As grandes prioridades para a intervenção dos fundos comunitários definidas pelo governo no âmbito Quadro Estratégico Comum 2014/20 são: a competi- tividade da economia portuguesa e das regiões; a formação de capital humano; o desenvolvimento sustentável e a coesão social e territorial. As regiões, as suas cidades, as universidades, as suas instituições públicas e privadas e as empresas terão de ter uma responsabilidade acrescida, e cada vez mais, saber recorrer à utilização dos novos instrumentos europeus e regionais para financiamento resultantes da Estratégia Europa 2020 e Horizonte 2020. No âmbito do programa quadro Horizonte 2020 serão investidos cerca de 6 mil M€ para o desenvolvimento das capacidades industriais da UE em Tecnologias Facilitadoras Essenciais (em inglês KET - Key Enabling Technologies). As KET incluem a fotónica e a micro e nanoeletrónica; nanotecnologias; materiais avançados e tecnologias de processamento emergentes; e a biotecnologia. Ligado à área da nanotecnologia, aumento da competitividade das empresas e a investigação e o desenvolvimento tecnológico, tenho vindo a coordenar, desde 2011, o projeto “NanoValor: Criação de um Polo de Competitividade em Nanotecnologia para capitalização do potencial de I&DT na Euroregião Galiza-Norte de Portugal”. O consórcio é constituído pela UMinho, TecMinho, Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), Fundación Empresa-Universidad Gallega, Universidades de Santiago de Compostela e do Porto, INESC Porto e Asociación de Investigación Metalúrgica del Noroeste. O projeto, cofinanciado pelo FEDER, representa um investimento de 1,4 M€ e tem vindo a ser desenvol- vido no âmbito do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal 2007/13. A principal missão é reforçar os laços institucionais entre os atores-chave da nanotecnologia das regiões da Galiza e Norte de Portugal, através da criação e formalização de um Polo de competitividade. A plataforma NanoValor conta com a colaboração de dezenas de empresas e visa aumentar a competitividade das empresas e potenciar a Investigação e o Desenvolvimento Tecnológico (I&DT).
A nanotecnologia está a revolucionar vários produtos que a indústria mundial tem lançado nos últimos anos nos mercados internacionais. Em Portugal, a nanotecnologia tem assumido um papel determinante na alavancagem da investigação científica e desenvolvimento tecnológico. Enquanto tecnologia facilitadora em vez de uma indústria específica, espera-se que a implementação de processos de desenvolvimento nanotecnológicos tenha impacto significativo em diferentes fases da cadeia de valor de um espetro alargado de produtos. As expectativas para que a nanotecnologia melhore a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos são elevadas por se apresentar como uma aposta estratégica com um potencial enorme que se consubstancia na apresentação de novas soluções para problemas industriais através de técnicas de funcionalização e nanofabricação emergentes. A bionanotecnologia e nanomedicina contribui- rão para a melhoria da saúde humana perspetivando-se desenvolvimentos de novos biomateriais, dispositivos e técnicas de deteção.
O NanoValor vincula as suas ações na perspetiva de que o conhecimento em nanotecnologia gerado na Região Norte terá de contribuir para além do fomento da competitividade das empresas e sua internacionalização, promover o emprego qualificado atraindo e fixando talento de jovens graduados e cientistas com reconhecimento internacional e incentivar ações de empreendedorismo que possam contribuir para a criação de novos postos de trabalho.
Destaque-se o papel determinante das Universidades e de alguns dos recentes investimentos avultados em infraestruturas de I&DI nos Eixos do Conhecimento e Inovação que têm a importante responsabilidade de contribuírem para o desenvolvimento económico, afirmação e reconhecimento internacional da excelência científica e tecnológica. O INL é considerado o maior investimento estratégico e muito importante para o desenvolvimento da nanotecnologia no Norte de Portugal. Em Portugal existem cerca de uma dezena de empresas dedicadas exclusivamente à nanotecnologia (a maioria spin offs e start-ups), sendo o maior investimento nacional a empresa Innovnano cuja atividade se insere na produção, à escala industrial, de nanopartículas. Atualmente decorrem várias dezenas de projetos de I&DT financiados no domínio da nanotecnologia envolvendo empresas.

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