Correio do Minho

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A Nanotecnologia no setor da saúde

Nunca é tarde para ser feliz

Ideias

2015-09-19 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

A Nanotecnologia está a revolucionar vários produtos que a indústria mundial tem lançado nos últimos anos nos mercados internacionais. Portugal não foge à regra e desde há vários anos que algumas universidades portuguesas, com destaque para a Universidade do Minho, e vários institutos de investigação científica e tecnológica, como o INL e o CENTI, dedicam uma forte atenção e recursos ao desenvolvimento da nanotecnologia no nosso país.
A Nanotecnologia constitui uma das áreas onde poderá existir um maior grau de inovação, e com relação direta com a vida quotidiana dos cidadãos. A nanotecnologia tem assumido um papel determinante na alavancagem da investigação científica e desenvolvimento tecnológico. Enquanto tecnologia facilitadora em vez de uma indústria específica, espera-se que a implementação de processos de desenvolvimento nanotecnológicos impacte diferentes fases da cadeia de valor de um espectro alargado de produtos.
A nanotecnologia constitui uma aposta estratégica da União Europeia. No âmbito do programa quadro Horizonte 2020 serão investidos cerca de 6 mil milhões de euros para o desenvolvimento das capacidades industriais da União Europeia em Tecnologias Facilitadoras Essenciais (KET-Key Enabling Technologies). As KET incluem a fotónica e a micro e nanoeletrónica; nanotecnologias; materiais avançados e tecnologias de processamento emergentes; e a biotecnologia.
A Nanotecnologia é uma área de investigação e desenvolvimento muito ampla e multidisciplinar que se baseia nos mais diversificados tipos de materiais (polímeros, cerâmicos, metais, semicondutores, compósitos e biomateriais) estruturados à escala nanométrica (nanoestruturados) de modo a formar blocos de construção como clusters, nanopartículas, nanotubos e nanofibras que, por sua vez, são formados a partir de átomos ou moléculas. Materiais nanoestruturados são aqueles que apresentam pelo menos uma dimensão menor que os 100 nanómetros (notar que o diâmetro médio de um cabelo tem a espessura de cerca de 60 mil nanómetros).
As expectativas para que a nanotecnologia melhore a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos são elevadas, por se apresentar como uma aposta estratégica com um potencial enorme que se consubstancia na apresentação de novas soluções para problemas industriais através de técnicas de funcionalização e nanofabricação emergentes. A bionanotecnologia e nanomedicina contribuirão para a melhoria da saúde humana perspetivando-se desenvolvimentos de novos biomateriais, dispositivos e técnicas de deteção (p.ex. lab-on-a-chip), bem como recuperação biológica de órgãos e tecidos. Assim, questões como síntese, fabrico e caracterização de nanomateriais funcionais e nanoestruturas para aplicações biomédicas (nanotubos, nanofios, nanopartículas, biomateriais auto-organizados, nanomateriais à base de polímeros biodegradáveis, revestimentos nanoestruturados, superfícies inteligentes, reconhecimento biomolecular, imagiologia médica, nanodiagnóstico e terapia, etc.) assumem um papel preponderante.
A indústria do setores saúde, farmacêutica, indústria química, bem como a indústria da cosmética beneficiam dos desenvolvimentos da nanotecnologia. É de sublinhar que nas áreas médica e farmacêutica, estamos a evoluir para novas abordagens no diagnóstico e na terapêutica. Temos o conceito de nanofármacos e da nanomedicina. A título de exemplo, quando alguém faz uma análise ao sangue, normalmente é extraída uma quantidade apreciável de sangue, que depois é enviado para um laboratório clínico e por lá demora alguns dias até ser realizada a informação do resultado dessa análise. Recorrendo à nanotecnologia, e já existem vários projetos nesse sentido, é possível produzir um microchip (ou um sistema de nanodispositivos) que será ele próprio um laboratório sofisticado de análises clínicas (mas numa escala micro- ou nanométrica) e que fará a análise a uma pequena gota do sangue permitindo desde logo efetuar o despiste de várias doenças em poucos segundos. E são chips com um custo muito baixo, descartáveis, logo, facilmente produzidos e aplicados em larga escala no mercado.
Destaco também projetos inovadores de dispositivos que permitirão avanços consideráveis no diagnóstico médico, como este que coordenei: desenvolvimento de plataformas micro-nano para deteção ultra rápida e de baixo custo de agentes patogénicos, nanoarquiteturas inovadoras de dispositivos sensoriais com superfícies modificadas dos nanomateriais, que permitem otimizar a biofuncionalização superficial para imobilização dos microorganismos a detectar.
Muitas empresas da área têxtil utilizam a nanotecnologia para acrescentar valor aos seus produtos e até param aplicações biomédicas. Por exemplo, é possível adicionar nanocápsulas nas fibras têxteis, que com o tempo vão libertando aromas ou princípios ativos químicos (por exemplo bactericidas) e consequentemente eliminando as bactérias, produtos com cada vez maior importância na sua utilização hospitalar.
Em questões de segurança alimentar estão a ser desenvolvidos, no âmbito de projetos nacionais e europeus, novos nanomateriais para sistemas de embalagens alimentares flexíveis, com o objetivo de aumentar a segurança alimentar conservando as suas características naturais, entre eles embalagens bioativas e nanorevestimentos transparentes de barreira ao oxigénio ou que evitam a proliferação de bactérias, etiquetas inteligentes e multisensoriais (capazes de detetar variações de temperatura, pH, presença de agentes patogénicos).

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