Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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A natureza no quintal

A avestruz risonha que tocava Strauss

Escreve quem sabe

2013-04-20 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Sabe identificar e denominar as plantas que tem no seu quintal? O seu nome vulgar e o científico? Que tal aproveitar a chegada recente da Primavera para se debruçar sobre isso e assim poder cativar as crianças (filhos, sobrinhos, afilhados, vizinhos) para as maravilhas da Natureza? Vai ver que além dessas espécies, suas conhecidas, encontrará muitas outras pois os indivíduos silvestres gostam de passar despercebi-dos!

Então, muna-se de um conjunto de guias de identificação (de aves, de borboletas, de plantas, de insectos, de pequenos mamíferos, para começar), de lupa, lápis e bloco de notas, e máquina fotográfica, e encha-se de paciência pois é preciso perseverança e bastante atenção. E saiam, miúdos e graúdos, para a grande aventura! Vai ver que da próxima vez que for fazer jardinagem vais ser muito mais criterioso com as ervas que arranca e com os animais que mata.

Se tem árvores de fruta, é possível que apareçam borboletas tais como a borboleta-zebra (Iphiclides podalrius) de asas amarelas e negras, de até 8 cm. Se tem nabos e couves é provável que por perto andem também as borboletas-das-couves (Pieris brassicae) e borboletas-pequenas-da-couve (Pieris rapae) que, quando em forma de larva, se alimentam dessas hortícolas ou borboletas-do-nabo (Pieris napi) pois é habitual ficarem quase todo o ano.

Se entre as plantas se encontram trevos e luzerna, procure a maravilha (Colias croceus) de asas alaranjadas. Já a malhadinha (Pararge aegeria) surge junto de árvores de folha caduca. Durante a noite, as espécies a esvoaçar serão outras. Procure-as junto aos candeeiros acesos. Mas se vai para perto de pinheiros tenha cuidado pois pode encontrar uma procissão de lagartas de processionária (Thaumetopoea pityocampa), a descer do pinheiro onde fizeram um ninho branco e a tentar enterrarem-se no solo, para de lá saírem já na forma de borboletas pois se tocar numa das suas cerdas urticantes pode ter uma reacção alérgica.

Agora procure coleópteros nas flores, raízes e folhas das plantas, nos muros e solo. A que mais facilmente identificará é certamente a joaninha-de-pontos (Coccinella septempunctata), a que é usada como símbolo da agricultura biológica pois alimenta-se de pulgões, que prejudicam as culturas). À noite procure os pirilampos, que tanto nos deliciam no escuro, com a sua pequena luz!

Moscas e mosquitos há muitos, para além daquelas espécies que tanto nos incomodam no Verão! Alguns desses insectos passam por abelhas ou vespas, tal é a sua semelhança! Agora procure abelhas, vespas e formigas e as suas complexas comunidades. Maravilhe-se com a sua organização. No meio de toda esta bicharada é normal que apareçam os predadores, tais como o louva-a-deus-comum (Mantis religiosa), centopeias e aranhas. Mas eficientes devoradores de insectos são os morcegos, que os perseguem à volta das luzes dos candeeiros pois cada um chega a comer mais de 500 indivíduos por noite.

Se quiser ver répteis, procure locais aquecidos pelo sol, onde encontrará provavelmente lagartixas e as osgas à noite, em redor das lâmpadas. Já ente os mamíferos, procure o simpático ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) que ajuda a controlar os caracóis e lesmas da horta e a toupeira (Talpa occidentalis) que tanto irrita os jardineiros aos fazer os seus túneis e montes de terra nos relvados; para além dos já referidos morcegos.

Quanto às aves, a delícia da visão e audição, pelas suas cores e formas diversas, bem como trinados tão variados, podem ser encontradas em grande variedade na cidade. Só no Parque de S. João da Ponte já foram identificadas 34 espécies, entre chapins, verdilhões, pintassilgos, alvéolas, toutinegras, papa-moscas, rabirruivos, gaios, andorinhas e andorinhões, felosas e tantas outras!

Agora que, sem sair do seu quintal, fez toda uma excursão ou mesmo um safari fotográfico, apresse-se a fazer uma apresentação no computador, colocando o indivíduo em causa, o nome científico e o vulgar, e se possível o correspondente ecossistema, para verem nas tardes de Inverno, em que sair de casa está fora de questão!

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