Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A obra da ditadura em Braga e Barcelos

Encontrão Ambiental

Ideias

2011-03-14 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes

Quando o Estado Novo foi instituído, no dia 11 de Abril de 1933 (consequência da entrada em vigor da Constituição de 1933), foi dado início a uma obra há muito ansiada pelas populações do interior dos concelhos de Braga e de Barcelos.
Essa obra foi a abertura de uma estrada que ligava as freguesias de Sequeira e S. Julião de Passos, no concelho de Braga, às freguesias de Bastuço S. Estevão, Bastuço S. João, Sequiade e Moure, no concelho de Barcelos, vindo ligar à estrada que ligava Barcelos ao Porto, passando por Famalicão.

Essa estrada, que foi iniciada em 1933, manteve-se durante as décadas seguintes como uma das principais ligações entre o interior dos concelhos de Braga e de Barcelos. Aliás, muitas das pessoas que se deslocavam através de autocarros, de Braga para Barcelos ou para as praias de Apúlia, faziam-no usando este percurso.

Foi, como referi, no ano em que entrou em vigor o Estado Novo (1933) que essa estrada foi construída. Foi no início do mês de Junho que, nas freguesias de Moure e Sequiade, as obras se iniciaram. Segundo o jornal ‘Correio do Minho’, de 8 de Julho de 1933, “os trabalhos do corte da nova estrada que partindo do lugar Pinheiro Grande, em Crujães, na estrada que desta cidade segue para o Porto, por Famalicão, vai passar por Airó, Moure, Sequiade, Bastuço S. João e Bastuço S. Estevão, para ligar à estrada de S. Julião de Passos”.

A inauguração destes trabalhos ocorreu no dia 20 de Junho de 1933 e nela participaram o Governador Civil de Braga (José Gomes de Matos Graça); o Presidente da Câmara Municipal de Barcelos (Furtado Martins); o Administrador do Concelho (Francisco Monteiro Torres) e ainda as autoridades das freguesias envolvidas nesta obra.
Na cerimónia de inauguração destes trabalhos assistiu uma enorme multidão de pessoas, que aproveitaram o momento para “dar vivas” aos presentes, mas também a Oliveira Salazar, ao Governo da União Nacional e ao ‘Portugal Novo’.

O ‘Correio do Minho’ referiu que era enorme o entusiasmo das populações destas freguesias, uma vez que este era um melhoramento que há muitas dezenas de anos ambicionavam.
Os trabalhos decorreram durante o Verão, tendo os habitantes destas freguesias, nomeadamente os lavradores, dado um impulso enorme à obra, já que auxiliaram os trabalhadores da obra.
No dia 29 de Junho de 1933 o jornal ‘Noticias de Barcelos’ referia que se trabalha “com entusiasmo na construção da nova estrada; dentro em poucos meses, a caminhar assim se poderá transitar por ela”.

Mas as obras “da ditadura”, como então ficavam conhecidas, não se limitaram apenas a estas freguesias. Em Agosto desse mesmo ano, a freguesia vizinha de Couto de Cambeses beneficiou do início da construção de uma obra de grande interesse local. Tratou-se da abertura de uma estrada que ligava o apeadeiro da freguesia à estrada de Sequiade, entroncando precisamente na estrada que ligava S. Julião de Passos a Moure.

O início destas obras ocorreu no dia 30 de Julho de 1933, e nela marcaram presença o Governador Civil, o Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, o Administrador do Concelho e ainda o vereador das estradas (Bessa e Menezes). Segundo o jornal ‘Noticias de Barcelos’ (de 10 de Agosto de 1933) a “recepção foi imponente, sendo acompanhados por todo povo da freguesia desde a sua chegada ao Apeadeiro - começo da Avenida - até à residência do snr abade Sebastião de Sá, com vivas, fogo e musica, onde lhes foi servido um lauto almoço”.

Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Barcelos referiu que há muitos anos que tem inúmeros amigos nesta freguesia, pelo que o seu empenho na resolução dos problemas é total.
Era do interesse das autoridades presentes que as obras da avenida principal da freguesia fossem concluídas antes da chegada do Inverno (1933), uma vez que, se as chuvas caíssem com intensidade, poderiam estragar esta obra, que tem um declive acentuado.

A recepção destes convidados foi de tal forma imponente, que o jornal ‘Noticias de Barcelos’, do dia 10 de Agosto de 1933, referiu que “Suas Ex.as deviam ter notado que o bom povo de Cambezes prima em receber bem os seus hospedes e ser reconhecido a quem o estima”.
Estas foram duas obras de grande interesse para as populações do interior dos concelhos de Braga e de Barcelos, mantendo-se estas estradas, ainda hoje, como as principais que atravessam estas freguesias.

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