Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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A partilha

Quem fez o trabalho de casa?

Ideias

2016-04-29 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

A palavra é por demais significativa, sendo que no momento actual assume um papel por demais relevante, mormente quando proferida por certas figuras ou intervenientes na actual conjuntura sócio-económico-política e religiosa, e com responsabilidade em tal área. E quando ouvimos o Papa Francisco falar em partilha e solidariedade, quando assistimos a outras figuras da Igreja Católica e de associações de apoio e solidariedade social muito motivadas em acções de partilha com os mais necessitados e carentes, forçosamente temos de convir que “partilha” é um termo de profundo alcance e significado, mesmo que já um pouco “fanado” com o uso e abuso que uns quantos fazem, quase desvirtuando suas valências e sentido.

Aliás, ouvimos hoje na rádio alguém dizer que sobretudo o que lhe interessava era “partilhar” com as pessoas as músicas que diz compor, uma partilha, note-se, que até pode ser ou representar uma tortura para os ouvidos e sensibilidades mais delicadas, que de muito bom grado dispensariam tal partilha.

Mas partilha por partilha, diga-se, sem ainda nos envolvermos em distribuição e repartição de heranças ou bens no concreto da realidade, muito gostaríamos que Marcelo partilhasse com todos nós os seus muitos afectos, que o Centeno partilhasse também conosco, à falta de melhor, os motivos e as razões por que está sempre a rir-se (será de nós, considerando-nos parvos?) e já agora, ainda que tão só para eliminarmos algumas interrogações e dúvidas, muito nos agradaria que Costa partilhasse de igual modo com todos os portugueses o que está por detrás do seu contínuo, intrigante e cínico sorriso.

E se os afectos são a marca do PR, a que vem juntando mesmo assim todo um ar sorridente quando surge em público, distribuindo beijos e tirando fotografias, o sinal distintivo deste governo, dos CC e dos demais, é todo um ar de aparente e contínua risibilidade, de sorrisos mais ou menos cínicos ou talvez não, porque de incontornável felicidade pela realização pessoal e concretização de alapados sonhos.

Aliás, por falarmos em sonhos, a Catarina “soltou-se” com a ideia de substituir o «cartão de cidadão» por um «cartão de cidadania», para não haver qualquer sinal de discriminação em relação às mulheres como acontece coma actual denominação do documento, algo que também já o advogáramos em relação aos animais ( “algo que não são coisa mas também não são gente”), sem fazer qualquer discriminação entre gato e gata, cão e cadela, etc., etc.. Valha-nos santo António, o protector de todos os animais, mesmo dos ditos racionais. Apenas ditos... admita-se!

Mas isso das partilhas tem muito que se lhe diga, ocorrendo-nos logo um episódio em que teria sido interveniente Salazar (sim !... esse mesmo!... mas nada temam que o homem está mesmo enterrado em Santa Comba e não terá o mínimo interesse em voltar à vida, para mais face à actual situação do país!...). Aliás, conta-se que, quando Presidente, fora abordado por um alto conterrâneo amigo intercedendo por um outro amigo também de Santa Comba, pedindo-lhe que lhe arranjasse um emprego.

Para tal argumentava então que ele era casado, bom homem, com filhos, trabalhador, pacato, sério, respeitador, filiado na União Nacional e pertencente à Legião, acrescentando ainda que o moço era católico, atilado e um dos filhos de Fulano e de Cicrana, pessoas de bem lá da terra, entretanto falecidas, e que o Senhor Professor bem conhecera. Salazar, que o ouviu atentamente abanando algumas vezes a cabeça, limitou-se a perguntar: «E já fizeram as partilhas?”

Com toda a sua sabedoria e experiência de vida, que aliás o 25 de Abril de modo algum conseguiu destruir, tal personalidade apenas evocou e lembrou a particular e muito conhecida realidade de que quando há partilhas surgem sempre imprevistos problemas, inesperadas questões, algumas desavenças com todo um aflorar de “qualidades”, “virtudes”, “intenções” e “vontades” que de todo em todo não se adivinhavam nem se previam.

Como no caso actual, em que as muitas entidades e autoridades envolvidas numa questão de solidariedade e de partilha com os actuais refugiados, se “encolhem” e se “recolhem” nas suas vontades e afectos, recuam, revertem posições e compromissos, pondo o acento tónico nos seus interesses particulares, nacionais, partidários ou de conjuntura, e em crise, claro, toda a valência, significado e importãncia de um gesto e de uma atitude.

Uma atitude e um gesto que naturalmente apreciamos, mas que muitas das vezes não passa de um mero “show off” para “inglês ver”, envolvendo e deixando entrever apenas tola vaidade, muita insensatez, desconhecimento das realidades e situações concretas de carências e de “verdades” que estão mesmo ao nosso lado, “clamando” por uma ajuda e refúgio e “gritando“ por uma partilha e mais solidariedade.

Partilha e solidariedade com os muitos “refugiados” portugueses, aliás vivendo muitas situações precárias, mas que afinal parecem não merecer preocupação deste governo, todo ele mais interessado em dar satisfação às “loucuras”, “devaneios” e baboseiras de certos grupelhos políticos e outros ditos “intelectuais” e “pensantes”, como “criminalizar” o piropo, em dar um outro “estatuto jurídico” aos animais, em dar autonomia no IRS às despesas veterinárias, em atender às “catarinices” loucuras da diferença do género nos cartões de cidadão, etc., etc.

Ideias e pensamentos com os quais não queremos qualquer partilha, ainda que não nos custe “confessar”que partilharíamos de bom grado com o “Senhor dos Afectos” o “pacote de queijadas” que foi comprar aquando da sua ida e presença no NewsMuseum, no Palácio Nacional de Sintra, onde passou “distribuindo cumprimentos e tirando fotografias” (C.M.25.4.16), entre a “nata” dos políticos (Costa, P.Coelho, Basílio Horta, etc.). Mas afinal teria mesmo comprado “um pacote de queijadas” ?... Não teria sido um “pacote de natas” ! ?... Mas de uma coisa ou outra não recusaríamos a sua partilha!...

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