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A poda de árvores ornamentais em meio urbano

Cimeira da Acção Climática: “ainda não é tarde”...

Escreve quem sabe

2011-03-25 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As árvores nas nossas cidades desempenham um papel ambiental, social e psicológico fundamental. Diminuem as temperaturas, libertam oxigénio, diminuem o impacto do ruído, funcionam como barreira visual, retêm as poeiras e partículas tóxicas do ar, para além de proporcionarem sombra e uma clara mais-valia para quem usufrui dos espaços sob as suas copas.

Para tudo isto é fundamental que a selecção das espécies seja adequada aos espaços disponíveis para o seu desenvolvimento, de forma a que possamos tirar partido, das suas diferentes formas, colorações e portes e, da conjugação destes factores, consigamos ter espaços verdes urbanos mais valorizados e em maior equilíbrio, dentro das nossas cidades.

Para atingirmos tudo isto é fundamental que exista um correcto acompanhamento e manutenção das árvores urbanas, de forma a, por um lado, garantir todas as condições necessárias ao seu desenvolvimento e, por outro, uma correcta manutenção destas árvores, nomeadamente ao nível da poda destes exemplares, que deverá ser correctamente executada.

A poda das árvores ornamentais nas nossas cidades, sofre ainda influência, das tradições rurais, nomeadamente da poda das árvores de fruto e da poda das árvores utilizadas no suporte da vinha de enforcado, que tinham uma função específica de suporte da vinha e por esse motivo eram fortemente podadas.

No caso das árvores ornamentais presentes nas nossas cidades, pretende-se que desenvolvam o seu porte natural associado à espécie em causa e, por esse motivo, a poda deve ser sobretudo de limpeza e arejamento da estrutura natural da árvore, com remoção de ramos mortos, ramos com problemas fitossanitários, ramos cruzados que poderão levar à formação de feridas e, para além destes, deve incidir apenas na remoção de ramos pontuais que interfiram com edifícios ou, em zonas de circulação automóvel, a remoção dos ramos mais baixos, sobre a via.

É também fundamental que se efectuem os cortes correctamente, sem deixar ‘tocos’ ou cortes demasiado rasos, que impedem a cicatrização dos cortes e levam a uma exposição destas ‘feridas’ por demasiado tempo, ficando as árvores sujeitas à entrada de fungos, que originam ‘podridões’, que evoluem gradualmente a partir destas zonas, para o interior dos ramos e troncos, levando à deterioração da madeira, à perda da sua capacidade de resistência e à ruptura dos ramos e, eventualmente, do próprio tronco.

Por este motivo as denomina-das podas drásticas, com corte de ramos com diâmetros muito grandes, executados de forma aleatória e em grande número numa determinada zona da árvore, levam a uma rápida destruição de toda a estrutura interior da mesma, diminuindo drasticamente a longevidade do indivíduo e trazendo, nos anos seguintes, um grave problema de segurança dos utentes que utilizam o espaço, uma vez que a forte rebentação de ‘gomos dormentes’ que origina, leva ao aparecimento de uma densidade excessiva de ramos ‘ladrões’, provenientes de gomos da casca, com inserções débeis na estrutura da árvore e que, após dois a três anos de crescimento, facilmente são arrancados por ventos fortes, ‘esgaçam’ e caem.

Para além deste problema as ‘podridões’ instaladas nas zonas de corte, progridem rapidamente no interior dos ramos e troncos, levando a problemas de ruptura e queda desses ramos e colocando seriamente em risco a segurança dos utilizadores e seus bens.

Por todos estes motivos a poda bem executada, é fundamental à manutenção da qualidade estética e ambiental das nossas cidades, do bom estado sanitário das árvores ornamentais e da manutenção da segurança, pela diminuição do risco de queda de ramos ou até da própria árvore, devendo esta ser executada por profissionais qualificados, com formação adequada e tecnicamente capazes de executar o trabalho em causa.

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