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A sabedoria do cuidar no Alzheimer

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A sabedoria do cuidar no Alzheimer

Voz à Saúde

2019-09-21 às 06h00

Cláudia Costa Cláudia Costa

Hoje, 21 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer. A doença de Alzheimer acomete habitualmente pessoas com mais de 65 anos, sendo a causa mais comum de demência na população idosa.
Com causa desconhecida, trata-se de uma doença neurodegenerativa, progressiva e irreversível, com impacto na memória, atenção, concentração, linguagem e pensamento.

O diagnóstico desta patologia é realizado pelo método de exclusão, bem como pela observação cuidadosa do exame físico e mental do doente. As mudanças características do envelhecimento humano e os primeiros sinais da doença são de difícil diferenciação, visto que a perda de memória é uma característica natural do envelhecimento.
A sobrevida após o diagnóstico pode variar de 3 a 20 anos, dependendo da demora do diagnóstico, do estado clínico do doente no momento e da capacidade da família em desempenhar papel de cuidador.
Os doentes de Alzheimer diferem na velocidade com que deterioram as suas capacidades, podendo ocorrer de um dia para o outro, ou mesmo ao longo do dia. Esta deterioração, em alguns casos é rápida, pode ocorrer em poucos meses ou ao longo de vários anos.

Numa fase inicial da doença surge, a perda de memória, dificuldade na concentração, desorientação no tempo e no espaço, problemas de raciocínio e confusão, com repercussões a nível comportamental e na personalidade.
A posteriori surge limitação na capacidade funcional da pessoa, que apresenta dificuldades na realização de atividades simples do dia a dia, como cuidar de si próprio, tornando-se totalmente dependente com a progressão da doença. Nesta fase muitas capacidades se perdem, mas algumas conseguem manter-se, preservam a sensação do toque e a audição, bem como a capacidade de responder às emoções.
O doente com esta patologia, necessita de estímulo contínuo para a realização de tarefas rotineiras e familiares, mantendo o foco na preservação da sua autonomia. Esta doença não tem cura, no entanto há terapêutica e atividades intelectuais, como leitura, palavras cruzadas, sopa de letras, que exercitam o cérebro, contribuindo para o retardar da progressão da doença.

Cuidar de um familiar com Alzheimer é uma tarefa árdua e desafiadora, que requer muita paciência e dedicação, pois as mudanças são significativas e precisam ser compreendidas e incorporadas na rotina da família.
À medida que a doença progride são os cuidadores, que a par com o doente, sofre com o declínio mental e físico que a doença de Alzheimer provoca, face à consciência que têm dos efeitos e progressão da doença.
O familiar cuidador deve evitar discutir e argumentar, chamar a atenção em público, fazer questões elaboradas, usar a expressão "já te disse", devendo ao invés, concordar com o doente, sem argumentar, sem envergonhá-lo, com realização de questões simples e ajudá-lo a relembrar situações que este não é capaz por si só.

Os cuidadores de doentes com Alzheimer podem contar com o apoio dos profissionais de saúde, nomeadamente, da equipa de enfermagem, que tem um papel interventivo na promoção do bem-estar e na melhoria da qualidade de vida, tanto do doente como do familiar cuidador.
O enfermeiro tem um papel fulcral na capacitação e treino dos cuidadores, que devem estar atentos à gestão do regime terapêutico, à preservação dos contactos sociais, às condições de segurança e às necessidades de autocuidados, como: cuidados de higiene, vestir-se, alimentar-se, uso da casa de banho e asseio pessoal, tendo em conta a evolução da doença e o contexto socioeconómico e rotina de cada família.
Os cuidadores assumem um papel de extrema importância na vida do doente com Alzheimer, quer no auxílio das tarefas diárias quer nas questões psicológicas relacionadas com a doença. No entanto, é também fundamental que os cuidadores cuidem de si!

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