Correio do Minho

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A verdade dos eurodeputados

Muita desconfiança é patológica

A verdade dos eurodeputados

Ideias

2019-02-19 às 06h00

Francisco Mota Francisco Mota

A Europa vive um dos períodos mais controversos desde o seu início enquanto União. O modelo populista e nacionalista optado pelos responsáveis políticos fazem acreditar que a história não tem evidenciado os maiores atentados ao progresso e à paz entre nações. A facilidade com que se comunica e transmite a visão social, cultural e política contemporânea acarreta uma responsabilidade redobrada a quem as profere. Se a palavra liberdade tem um peso acrescido perante o garante das novas e futuras gerações, a pronuncia e os valores com que são difundidas têm um custo ainda maior. Percorrem o mundo a uma velocidade incapaz de controlar e com consequências difíceis de calcular.

Os episódios recentes, dando conta de uma extrema direita emergente são tão preocupantes como as falidas extremas esquerdas. O fascismo e totalitarismo são reprováveis quer de um lado como do outro. Deixemos é de viver a hipocrisia de uma democracia vazia nos discursos e carregada de raiva nas acções. Deixemos de alimentar um populismo adormecido pelas opções do facilitismo dos políticos. Tenhamos a coragem de carregar a verdade por mais que ela custe, porque infelizmente enquanto a mentira dá a volta ao mundo a verdade não tem tempo de se vestir.

Infelizmente a europa volta a manchar a sua credibilidade perante os eleitores e cidadãos europeus. Em tempo de fake news, impressiona que a 3 meses de eleições europeias seja lançado na comunicação social a tabela do MEP Ranking, que estabelece a classificação dos eurodeputados sobre o princípio da produtividade e assiduidade. O MEP Ranking não é nenhum site oficial. É um blogue criado por um activista catalão, sem supervisão de quem seja, tão absurdo nos critérios que como se constata a sua simples análise, tendo no topo deputados com muito menos trabalho produzido, do que outros abaixo na lista. Tem preferências políticas, engana as pessoa e nessa medida é uma fraude.

Este mecanismo de avaliação do trabalho desenvolvido no seio da UE pelos deputados portugueses é estranho e não espelha a verdade se não vejamos: O social democrata José Manuel Fernandes, que a aparece nesse ranking como sendo o melhor tem 811 discursos; 20 perguntas escritas; 3 moções apresentadas; 2 declarações; 164 emendas de relatórios; 932 explicações de voto. O então anunciado cabeça de lista do PSD, Paulo Rangel, tem 655 discursos; 8 perguntas escritas; 4 moções apresentações; 0 declarações; 254 emendas de relatórios; 544 explicações de voto.

Por outro lado, um dos piores eurodeputados de acordo com o ranking, Nuno Melo do CDS tem 848 discursos; 142 perguntas escritas; 12 moções apresentadas; 6 declarações; 546 emendas de relatórios; 549 explicações de voto. Ganhando em quase toda a linha aos colegas do PPE (Partido Popular europeu), o porque de ser noticiado o contrário e descredibilizado estes mesmos dados? Que interesses podem estar instalados nos critérios de atribuição desta mesma classificação?
De acordo com o MEP Ranking, avalia quatro categorias gerais de atividades parlamentares – relatórios, declarações, funções e assiduidade – e depois atribui pontos com critérios quantitativos e qualitativos. Pois bem, parecem avaliações à medida dos avaliados, porque nem todos podem fazer relatórios, apenas os relatores e as funções dentro dos grupos parlamentares não são sinónimos inequívocos de qualidade no trabalho desenvolvido. Após isto percebemos o verdadeiro valor quanto ao quantitativo e qualitativo das classificações.

Esta é uma forma pouco séria, abusiva e falsa de estar na política, querendo atirar areia para os olhos dos portugueses. A provar-se, ainda, a suspeita de pagamentos por parte dos eurodeputados à organização do MEP para ficarem melhor classificados só poderá significar uma das maiores falências de confiança entre os organismos europeus e os estados membros e entre os eleitos e eleitores.
Os eurodeputados deveriam ser os baluartes dos valores europeus, assentes na democracia, humanismo, verdade, solidariedade e fraternidade que sempre estiveram no ADN desta nova organização do velho continente. A esperança no futuro é que o Portugal poderá continuar a contar com o melhor do País na Europa: Nuno Melo.

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