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A vitória do PSOE e as suas leituras

Nelinha

A vitória do PSOE e as suas leituras

Ideias Políticas

2019-05-07 às 06h00

Pedro Sousa Pedro Sousa

A vitória do PSOE, Partido Socialista Operário Espanhol, nas eleições gerais do passado dia 28 de abril foi, sem dúvida, uma grande notícia para a social-democracia europeia, que, como é sabido, vive desde há muito num estado de desânimo generalizado, fruto dos fracos resultados obtidos nas diferentes eleições, nos principais países europeus.
Na verdade, este facto ficou cabalmente demonstrado pela alegria incontida com que o resultado das eleições foi recebido pelos seus membros, começando pelo candidato a Presi- dente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Como é óbvio, o triunfo num país, mesmo que num dos mais fortes, relevantes e representativos da União Europeia, não significa, necessariamente, uma mudança de tendência em toda a União, sobretudo se não for seguido por outros sinais que corroborem que o vento está a mudar na mesma direcção em vários lugares ao mesmo tempo.
Não sendo conclusivos, não são de ignorar os sinais dados, desde Setembro de 2018, nessa direção. Entre os quais se inclui a vitória, ainda que pela margem mínima, da social-democracia sueca, corroborada pela sua capacidade de convergir com parte do centro direito a fim de impedir o acesso dos extremistas à maioria do governo, a vitória, ainda que com uma maioria muito relativa, alcançada pelos socialistas finlandeses, que lideram um executivo da coligação e, finalmente, as boas previsões para a Dinamarca e Portugal, que terão eleições para os respectivos governos ao longo de 2019.

Além do mais, nestas eleições os socialistas ganharam claramente e fizeram-no num dos quatro principais países da zona euro; facto que fez com que a vitória do PSOE de Pedro Sanchéz rompesse as tradicionais barreiras nacionais e linguísticas (poucos descobriram o que aconteceu na Suécia ou na Finlândia, por exemplo) e ocupasse, em toda a UE, as principais manchetes jornalísticas, nos mais relevantes meios de comunicação.
Mas a relevância europeia da vitória do PSOE não tem apenas que ver com o tamanho e com a centralidade de Espanha, mas, sobretudo, com ter feito frente a uma direita radical de centro e a uma extrema direita que, pela primeira vez desde a restauração da democracia, apareceu com expectativas eleitorais e com um discurso anti-europeu e reivindicativo do seu passado fascista.

Contra tudo isso, os socialistas espanhóis venceram com um programa claramente pró-europeu e muito atraente não apenas para os eleitores de esquerda, mas também para aqueles do centro que não se identificaram com a campanha do Ciudadanos e com o seu objetivo de chegar ao Palácio da Moncloa.
E é precisamente aqui que reside a principal lição para os socialistas europeus: a de que é possível ser primeira força política sem abandonar os seus princípios mais basilares, as suas orientações mais estruturantes, conseguindo apresentar um projeto de governação que, mesmo muitas pessoas não ideologicamente de esquerda, conseguem identificar como um programa político nacional que favorece os interesses de uma vasta maioria de cidadãos trabalhadores, no sentido mais amplo da expressão.

Ou seja, não regressando, de forma alguma, à "Terceira Via" (que muitos eleitores de esquerda identificam, corretamente, com uma transformação neoliberal dos partidos socialistas), mas, também, não abraçando as propostas da esquerda populista. Foi assim, foi por isso que o PSOE foi capaz, de com sucesso, captar muitos votos do Ciudadanos e do Podemos, mantendo todos os seus.
O ciclo eleitoral espanhol enfrenta, agora, uma e terceira etapas, também elas de enorme importância e na qual o PSOE terá que aplicar o mesmo pensamento de forma completar sua vitória; porque, na verdade, num país federal como a Espanha, governar comunidades autónomas e municípios adquire uma importância fundamental, assim como ajudar a formar um Parlamento Europeu capaz de passar a agir na vanguarda do aprofundamento político da União Europeia.

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