Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Abelhas, mel e ambiente

Igreja do Bom Jesus faz hoje anos

Escreve quem sabe

2013-01-26 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

No âmbito das actividades agrícolas tradicionalmente desenvolvidas pelo Homem, destaca-se, desde tempos remotos a apicultura, pois, são vários os vestígios arqueológicos que provam que a humanidade há muito conhece e explora as abelhas.

A partir dos séculos XVII e XVIII, fizeram-se grandes descobertas sobre o comportamento das abelhas, sobre a sua biologia e os melhores métodos e técnicas de maneio, que foram evoluindo ao longo dos tempos, com o aperfeiçoamento dos apicultores e exigências dos consumidores.
Esta actividade, principalmente dirigida para a produção de mel e cera, tem sem dúvida o seu ponto forte na polinização de muitas espécies vegetais, contribuindo para a preservação da biodiversidade, já que 80% das espécies vegetais e 75% da produção alimentar na Europa dependem da polinização efectuada pelas abelhas.

Nos dias de hoje é relativamente fácil produzir em quantidade, devendo no entanto os apicultores apostar na qualidade, produzindo em áreas despoluídas, com tecnologias adequa-das, onde não se apliquem pesticidas, e outros químicos, hormonas, etc., podendo-se obter assim produtos apícolas de superior qualidade, ou seja, em Modo de Produção Biológica.

O facto do mel ser produzido por um ser vivo, a abelha, não lhe confere reconhecimento, pois nada garante ao consumidor que o néctar, o pólen, a água, o material apícola ou o maneio das abelhas estão conforme os princípios sobre apicultura biológica. Assim a Apicultura em MPB, está sujeita a regras específicas de produção, sendo um sistema de exploração especial que se rege por princípios regulamentados, garantidos ao consumidor através de um Organismo Certificador Acreditado.

Actualmente, a saúde das abelhas, tem sido afectada por numerosos factores letais, muitos deles interligados, tais como: ácaro varroa; pesticidas; condições climáticas e ambientais; redução da biodiversidade vegetal (incêndios); organismos geneticamente modificados (OGM); práticas apícolas menos correctas e espécies invasoras, poderão debilitar os sistemas imunitários das abelhas e favorecer assim o aparecimento de patologias oportunistas. A ocorrência de doenças nas colmeias pode acarretar prejuízos directos pela diminuição da produtividade, uma vez que o aumento da mortalidade, tanto de crias como de abelhas adultas, leva a uma redução da população da colmeia com a consequente redução da produção.

Nos últimos anos, as principais instituições da UE, tem alertado para a importância da apicultura e da grande mortalidade das abelhas, com reflexos naturalmente na biodiversidade e na produção e qualidade do mel. Assim, devem os apicultores apostar na qualidade, obtendo conhecimentos teóricos e práticos em acções de formação, principalmente sobre a legislação, doenças e inimigos, que actualmente tanto preocupam os apicultores.

No sentido de contribuir para uma sustentabilidade ambiental, conhecimento e informação destes problemas, a Quercus - Núcleo de Braga organiza acções de formação sobre apicultura, em módulos teóricos e práticos, em que abordará assuntos como a biologia da abelha, o maneio ao longo do ano, doenças e inimigos, legislação e produtos da colmeia, em Modo de Produção Biológico.

A próxima das quais decorrerá no Mosteiro de S. Martinho de Tibães, em Braga nas sextas (das 19h30 às 23h30) e sábados (9h às 13h), respectivamente, dias 15 e 16 de Fevereiro, 1, 2 e 8 de Março de 2013. Inscrições, em ficha própria, a solicitar pelo correio electrónico braga@quercus.pt, até 4 de Fevereiro. A taxa de inscrição é de 71€ para sócios e 87€ para não sócios. É obrigatório que os formandos possuam Equipamento de Protecção Individual (fato de apicultura, máscara e luvas ou máscara-casaco e luvas).

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