Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Aceitemos as ervas espontâneas!

O exemplo do “livro de obra” …

Escreve quem sabe

2019-04-20 às 06h00

Ana Cristina Costa

Quando se fala das alternativas aos herbicidas na manutenção de espaços públicos, uma das primeiras questões que se colocam são os custos.
O alegado baixo custo dos herbicidas de síntese, com o é o caso do glifosato, tem sido um dos fatores motivadores para a sua expansão, mas uma perceção mais alargada dos seus reais custos, tem feito com que cada vez mais autarcas assumam, e passo a citar a presidente da câmara municipal de Occhiobello em Itália, que "… a saúde das gerações futuras e um ambiente seguro não podem ser comparados com uma limpeza artificial dos espaços públicos."
Um local hostil a outros seres vivos também não pode ser um bom local para seres humanos!
Assim, a proteção do ambiente, da saúde pública e da saúde dos funcionários dos serviços de higiene pública e espaços verdes tornam-se prioritários face a outras políticas e decisões.
Uma abordagem na manutenção de espaços públicos sem herbicidas de síntese tem de considerar e colocar uma questão, mesmo antes de se ponderarem sequer as alternativas, que é: uma maior aceitação das ervas espontâneas!
Aparentemente simples, uma vez que esta “solução técnica” permite automaticamente poupar dinheiro em controlos desnecessários, esbarra numa outra… digamos que complexa… a nossa mentalidade e consciência.
Como é que nas épocas do ano em que é natural surgirem um pouco por todo o lado ervas, a maioria das pessoas ainda ache que é feio? Como é que o verde e a natureza podem ser feios e sujos? E ver a paisagem desfigurada por ervas secas ou terra nua (que só é natural no deserto) é ainda tolerado por muita gente, e em particular por muitos autarcas, e portanto com responsabilidades acrescidas pela mudança de mentalidades?
Este é sem dúvida o primeiro desafio que se coloca quando falamos de alternativas aos herbicidas: passar a considerar algumas ervas (porque como é óbvio não é aceitável que as ervas ponham em causa a segurança das pessoas) como normal e parte integrante nas nossas aldeias, vilas e cidades, até porque são um recurso natural com várias aplicações e serviços ecológicos!
Há que fazer uma ressalva importante. Uma conceção mais natural dos espaços não implica necessariamente um aspeto mais descuidado, inestético ou insalubre, bem pelo contrário, poderá conduzir a uma paisagem urbana mais verde e mais florida, tornando a cidade num melhor local para se viver, e simultaneamente reduzir os custos, e outros recursos, na manutenção dos espaços da responsabilidade da autarquia que assim poderão ser aplicados noutras áreas igualmente prioritárias!
Para se alcançarem melhores resultados a formação dos jardineiros e funcionários autárquicos é fundamental! Precisamos todos de conhecer melhor a vegetação espontânea e com isso passaremos a olhar com outros olhos para ela.
Outro passo importante é a progressiva adaptação dos espaços para um modelo de paisagem urbana que deverá dar mais espaço à natureza numa lógica de cooperação ao invés de uma lógica de controlo sistemático em que praticamente toda e qualquer planta espontânea é considerada indesejável.
Para aqui chegarmos, e também como ponto de partida, a definição de uma estratégia de comunicação e sensibilização da população é fundamental. Para isso devem ser utilizados todos os meios como cartazes, folhetos, site, e-mail, e sem dúvida que a colocação de cartazes com frases simples como por exemplo: “Zero pesticidas para proteger o ambiente e a nossa saúde” é a forma mais simples das pessoas perceberem porque é que a paisagem está a mudar e aceitarem mais facilmente essa mudança.
A comunicação sistemática junto da população, antes e durante todo o processo, envolvendo-a na procura e implementação de algumas soluções, levará a uma progressiva mudança de mentalidade e deste modo haverá uma inversão na perceção sobre os espaços, passando a considerá-los mais bonitos e aprazíveis!
Serão sobretudo as nossas crianças de hoje (e as que ainda não nasceram) que nos irão agradecer pelo cuidado e preocupação por um ambiente mais limpo de pesticidas!


*Alexandra Azevedo
em co-autoria

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