Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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Água: esse líquido essencial

Uma Justiça que é tão cega

Escreve quem sabe

2013-03-23 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Fonte de vida na Terra, a água é um dos recursos decisivos para a sobrevivência do ser humano. Da água disponível no planeta, apenas aproximadamente 2,5% é doce mas nem toda ela está ao nosso alcance, estimando-se que essa seja 0,5% pois a restante está nas calotes polares. A água é verdadeiramente um recurso escasso mas o seu consumo está a aumentar vertiginosamente nos países em expansão eco-nómica, à medida que esses habitantes adoptam hábitos semelhantes aos nossos. A água é uma das grandes preocupações das Nações Unidas sobre o futuro das relações entre estados e regiões, dai 2013 ser o Ano Internacional da Cooperação pela Água.
O consumo diário médio, por habitante (capitação), é de 109 l/dia em ambiente misto (urbano e rural). No entanto, a capitação total necessária para um habitante é mais do dobro: 230 l/dia, pois inclui perdas de água (ascendem a 32% do volume de água captada), consumos municipais (lavagem de ruas, rega de espaços verdes, etc.), entre outros. Em ambiente urbano, o consumo por habitante passa dos 109 para os 137 l/dia.
Os roubos e perdas técnicas de água apresentam um elevado custo ambiental e económico, seja pelo desperdício de água que representam, seja pelos custos com reagentes e energia e correspondente impacto ambiental. Cabe às Entidades Gestoras melhorar a eficiência das suas redes de distribuição.
Da água que, em média, cada um de nós utiliza, diariamente, cerca de metade não necessita de ser potável, podendo ser substituída por água da chuva, desde que correctamente reco-lhida, filtrada e armazenada ou até, em alguns casos, águas cin-zentas tratadas. Pois algo está realmente mal quando se gasta água po-tável nas descargas das sanitas, regas de espaços verdes e hortas, lavagens de ruas e carros. A água com qualidade suficiente para ser consumida por seres humanos é verdadeiramente um recurso escasso e precioso, que deve ser utilizado apenas nos usos que carecem dessa mesma qualidade - esta mudança de atitude precisa de ocorrer com urgência e como resultado da colaboração de todos, pois todos deste recurso dependem!
Alguns exemplos que ajudam na redução do consumo de água:
• cozinhe a vapor e na panela de pressão;
• tome banhos rápidos e duche, em vez de imersão;
• enquanto espera que a água chegue quente ao chuveiro, deite-a num balde, ficando disponível para a sanita, rega ou limpeza do chão;
• utilize autoclismos de duplo fluxo e menor consumo (ou então introduza uma garrafa de água na sua cisterna);
• quando for limpar o aquário, aproveite a água para regar as plantas, pois está enriquecida com azoto e fósforo, o que lhes faz muito bem;
• guarde a água da lavagem de frutas e legumes para descarga da sanita ou rega;
• use torneiras com redutores de fluxo;
• ao lavar louças, não deixe a torneira aberta, primeiro raspe bem os restos, passe por água e depois a esponja ensaboando e, só depois enxague, tudo de uma vez;
• lave o carro usando o balde em vez da mangueira;
• ao lavar a entrada da vivenda, ou passeio, não utilize a mangueira como se fosse uma vassoura; utilize uma verdadeira vassoura e depois deite um balde de água;
• se tem, realmente de regar, faça-o bem cedo ou ao fim do dia, para evitar a evaporação e, de preferência com a água da chuva;
• utilize sistemas de rega gota-a-gota.
A impermeabilização de grandes áreas dos solos em cidades e zonas industriais está na origem de algumas catástrofes ambientais, e humanas, relacionadas com inundações destruidoras que, com as alterações climáticas, se estão a tornar também mais frequentes. Além disso, a impermeabilização de grandes áreas de território altera também o ciclo natural da água, originando o progressivo afundamento dos lençóis freáticos por falta de reposição pela água da chuva. Portanto, deixe solo não impermeabilizado na sua propriedade e pressione a autarquia para fazer o mesmo. Não queira passeios cimentados nem ruas alcatroadas pois, nesse caso a água terá de correr para a sarjeta e desta para o rio mais próximo, originando inundações.

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