Correio do Minho

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Algas marinhas: diversidade e seus usos

Sobre o alojamento no Ensino Superior

Escreve quem sabe

2016-06-25 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Com uma extensão da costa de 830 km e o facto de estarmos situados numa região do planeta temperada, faz com que a riqueza na diversidade e quantidade de algas marinhas seja apreciável no nosso país.

Mas, o que são as algas? As algas são organismos que realizam fotossíntese, ou seja absorvem dióxido de carbono e libertam oxigénio (portanto possuem clorofila) e vivem na água ou em locais húmidos. As algas apresentam uma grande variabilidade sendo divididas em microalgas, de pequena dimensão apenas se podem observar através de microscópio, e macroalgas (de maior tamanho, até mais de 50 metros (o máximo registado foi 65 m), e ocorrem com maior diversidade no mar.

Assim, o termo “algas”, para o cidadão comum significará sempre “macroalgas marinhas”.
Estima-se que haja entre 7.500 e 10.000 espécies de macroalgas, sendo as verdes cerca de 1.500, as castanhas 2.000 e as vermelhas o número restante. Na nossa costa estão identificadas no total cerca de 400 espécies, na sua maioria macroalgas vermelhas.

A nossa costa tem extensões rochosas muitas das quais são ricas em algas, com variação clara na distribuição das algas, em que se distinguem duas zonas, que delimitam também a distribuição mundial de algumas espécies. Entre a foz do rio Minho e a foz do rio Tejo há espécies semelhantes às encontradas na zona central da Europa (Bretanha e Sul das ilhas Britânicas); e entre a foz do rio Tejo e o Algarve. Assim, a costa portuguesa é o limite Sul, na Europa, de mais de 40 espécies, enquanto que 20 espécies típicas do Mediterrâneo e da costa Atlântica de África, têm o seu limite Norte na costa Algarvia.

De norte para Sul há um aumento do número de espécies de algas vermelhas e uma diminuição das espécies de algas castanhas.
As algas têm inúmeros usos: na alimentação humana e animal direta; na indústria alimentar, através de aditivos alimentares extraídos das algas usados como espessantes, gelificantes e estabilizantes de suspensões e emulsões; na medicina, pela extração de compostos antibacterianos, antivíricos e antitumorais, fortalecimento do sistema imunitário, redutor de metais pesados e radioativos presentes no organismo; na agricultura como biofertilizantes; na cosmética; na indústria, incorporadas nas tintas, colas, pasta de papel, plástico para dar corpo, fixação, suavidade e brilho; como bioindicadores, bioacumuladores e fonte de biocombustíveis; e ainda, imaginem, em tecidos! A marca portuguesa Skintoiskin faz isso mesmo ao incorporar, entre outras fibras naturais, extratos de algas castanhas nos seus tecidos para promover conforto e proteção contra a irritação, inflamação e infeções de pele!

Merece ainda destaque o uso como fertilizantes, não só porque é de facto uma utilização muito útil para a agricultura, como foi uma prática secular, pois a colheita comercial de algas para fertilizantes foi regulamentada, pela primeira vez, pelo rei D. Dinis, em 1309. Até há poucas décadas manteve-se na região Norte, na zona de Póvoa de Varzim e Viana do Castelo, infelizmente hoje quase extinta.

As algas já arrancadas pelo mar não podem em caso algum ser utilizadas para a alimentação, porque se degradam com muito facilidade, por isso o uso como fertilizante é o melhor destino a dar a este recurso.

Há 2 tipos de algas para fertilizante:
- O sargaço (também designado por “argaço e limos”) é o conjunto de diversas algas marinhas (Saccorhiza, Laminaria, Fucus, Codium, Palmaria, Gelidium e Chondrus), recolhidas nas praias ou à beira-mar.
- O moliço é uma mistura de algas e plantas marinhas colhidas na Ria de Aveiro, com a ajuda dos barcos moliceiros. Esta mistura contém sobretudo Ulva, Enteromorpha (algas agora pertencentes ao género Ulva), Gracilaria e Lola, e as plantas marinhas pertencentes aos géneros Zostera, Ruppia e Potamogeton.
Agora que o verão teve início, aquando dos passeios pela praia, poderá ir-se familiarizando com as algas que encontra, tentando identificá-las, conhecendo assim melhor o ecossistema marinho. Em breve mostraremos como usá-las!

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