Correio do Minho

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Algas

O amor nos tempos da cibernética

Escreve quem sabe

2016-11-05 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

À parte de ser uma moda atual, as algas já são consumidas como alimento quotidiano há muitos séculos, principalmente por povos orientais, recuando o uso a cerca de 10.000 anos.
No Atlântico, no tempo dos Celtas e dos Vikings recolhiam-se para cozinhar sob a forma de sopa e para mascar. Na Irlanda as algas são tão comuns que podemos afirmar que a nossa tradição de petiscar tremoços equivale à deles de petiscar a alga “Dulce”. Na Bretanha Francesa, por exemplo, há a tradição de sobremesas com a alga “Musgo da Irlanda”, sopas de peixe com Laminaria ou Kombu e o pão do mar (pão de centeio com algas).

É natural que estes e outros nomes como “Esparguete do Mar”, “Alface do Mar”, “Wakame” ou “Nori” (do sushi), causem alguma estranheza uma vez que no nosso país não temos tido muita familiaridade com este tipo de alimentos. É de recordar, no entanto, a larga tradição em Portugal, da apanha do chamado “sargaço” (mistura de várias espécies de macroalgas) para utilização como fertilizante. Principalmente no Norte do país, o sargaço é seco e aplicado graças às elevadas concentrações de azoto e potássio e à capacidade de corrigir o pH do solo.

Também são conhecidas utilizações tradicionais para fins curativos. Na actualidade, as algas também são usadas para a produção de ração para animais. Substâncias de certas algas são utilizadas como emulsificantes, estabilizantes e gelificante. São utilizados em tintas para tecidos e produção de espuma de cerveja. Como outro exemplo, algumas substâncias de algas vermelhas são aplicadas na indústria farmacêutica, alimentícia e cosmética.

Apesar da pouca familiaridade alimentar no nosso país com as algas, habitualmente, e sem darmos conta, comemo-las quando saboreamos um pudim flan, um paté, maionese. Isto porque muito provavelmente os extractos de algas figuram entre ingredientes destes alimentos!
Comendo-se anualmente 3,5 milhões de toneladas de algas em todo o mundo, o consumo deste recurso é reconhecido, pelos melhores nutricionistas internacionais, como um fator de saúde e recomendado na dieta para o Século XXI. Com efeito, apesar da sua antiguidade no planeta, as algas são muito pertinentes na actualidade pois elas ajudam a reequilibrar o organismo em situações de falta de certos elementos essenciais (ex. iodo, ferro, vitaminas do complexo B) e de excessos de outras substâncias prejudiciais.

Ao serem originárias do mar têm a virtude de condimentar outros ingredientes mais suaves como o arroz, as batatas, as massas, as farinhas, as verduras, etc. Por outro lado, em pratos fortes e picantes, as algas passarão mais despercebidas e jogarão um papel oposto, suavizando a digestão e atenuando o peso digestivo. Sejam cruas, fervidas, fritas, no forno ou guisadas, existem mil e uma receitas para refeições com esta iguaria dos mares.

Para saber mais tem agora a oportunidade de participar na Oficina de algas que irá decorrer no dia 12 de Novembro, das 11h às 14h, na Quinta Pedagógica de Real, Braga, que terá uma parte teórica (Introdução às algas (principais tipos de algas); Importância histórica e nutricional das algas; Usos atuais das algas; Preparação das algas para fins culinários) e uma prática.

Poderá inscrever-se via on line em www.braga.quercus.pt, até 7 de Novembro. A taxa de inscrição é de 14€ para sócios e 16€ para não sócios. Recomenda-se trazer prato ladeiro, taça para sobremesa e copo, bem como talheres (incluindo colher de sobremesa), guardanapo de pano e 'serviço americano' ou pequena toalha pois iremos elaborar e consumir um almoço constituído por:
ENTRADA: Tomates recheados com algas Wakame e Dulce
PRATO PRINCIPAL: Feijoada de vegetais e alga Kombu rápida e Arroz de sultanas e alga Esparguete do mar
SOBREMESA: Creme agar-agar de pêras
BEBIDA: Sumo de pêra com espirulina
Mais informações através do telemóvel 927986133 ou por mail braga@quercus.pt.

Em co-autoria com a formadora Sara Carvalho

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