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Alimentação mais sustentável

A avestruz risonha que tocava Strauss

Escreve quem sabe

2018-10-06 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Recentemente foi divulgado um estudo sobre as grandes tendências agroalimentares em Portugal, intitulado “10 tendências da comida do futuro”, realizado pelo IPAM – Instituto Português de Administração de Marketing, com base num painel de especialistas do sector público e privado que reuniu, entre outros, professores universitários, chefes de cozinha e empresários agroalimentares. Assim destacamos as que do ponto de vista ambiental terão mais interesse:
1) Redução do desperdício alimentar - O estudo em causa prevê, nesta área, uma evolução considerável. Sendo atualmente o desperdício ao longo de toda a cadeia logística alimentar de quase 1/3 , dentro de aproximadamente uma década, esta percentagem deve descer para os 15%.
2) Maior consumo per capita de produtos biológicos – os experts creem que o mercado de consumo de produtos biológicos em Portugal, terá um grande incremento, assim, o consumo per capita de 4 € passará para os 10 €.
3) Gastronomia Regional certificada como Reserva Gastronómica Mundial – Portugal é conhecido pela sua excelente gastronomia, assim é necessária a valorização dos produtos autóctones e da gastronomia regional, tais como, nesta região: de pratos tradicionais como os rojões à moda do Minho ou o “pica no chão”.
4) Crescimento da agricultura sintrópica - um conceito inspirado na dinâmica dos ecossistemas virgens, caracterizado pela organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente. É uma Agrofloresta.
5) Canal Horeca Nacional com certificação slow Food – os hotéis, restaurantes e atividades de catering vão procurar uma aproximação ao modelo Slow Food, com projetos diferenciadores e, até com certificação. Assim, os consumidores vão valorizar o produto/comida, o meio ambiente e a qualidade das suas refeições.
6) Pegada de carbono ganha peso na escolha dos alimentos – esta é uma mudança comportamental. Os consumidores vão estar mais empenhados na redução da pegada de carbono e, nas compras, selecionarão cada vez mais os produtos guiados por fatores como os quilómetros percorridos pelos alimentos. Assim, os fornecedores / distribuição, vão procurar encurtar os circuitos e oferecer produtos de proximidade.
7) Rotulagem clara e objetiva - as embalagens tendem a conter informação clara e objetiva sobre a composição dos alimentos, ex. açúcar, sal, intensificadores de sabor e outras substâncias usadas nos alimentos, a par de aditivos conservantes vão, assim, tornar-se mais visíveis dando mais oportunidade a uma escolha consciente da parte dos consumidores.

Além destas mudanças apostaríamos noutras de forma a sermos mais sustentáveis, reduzindo a nossa pegada ecológica, nomeadamente:
- Minimizando o consumo de carne, peixe, ovos e derivados animais dada a elevada pegada ecológica destes produtos, a questão da sobrepesca e bem-estar animal, não esquecendo o impacto que tem na saúde humana. Para fonte de proteínas tentar usar mais leguminosas (feijão, lentilhas, grão de bico, etc.) e para substituir o leite fazer bebida de amêndoa, soja (não OGM!) e afins.
- Reduzindo embalagens – dar preferência a produtos menos embalados e reclamar junto das empresas para minimizarem embalagens. Levando sacos reutilizáveis e sempre que possível procurando lojas que vendam a granel. Fazer as suas próprias compotas e conservas, reutilizando embalagens e evitando desperdício alimentar, nomeadamente nesta época do ano (tomate, maçãs, etc.). Beber água da torneira e não engarrafada.
- Preferindo produtos da época, reduzindo o uso de estufas (tantas vezes associados a grande consumo de agroquímicos) e o transporte de longas distâncias.
- Minimizar os fritos mas, sempre que não possa deixar de produzir óleos alimentares usados (OAU) guardá-los num recipiente e depositá-lo em oleões.
- Faça o seu próprio pão, bolachas, etc. assim sabe o que está a comer!
Festeje da melhor forma o Dia Mundial da Alimentação – 16 de outubro, celebrando a data com produtos locais, sazonais e biológicos, confecionados em pratos tradicionais saudáveis!

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