Correio do Minho

Braga,

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Ao preço da uva mijona

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2011-09-16 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

E quase ao desbarato, note-se, devido ao destempero dos órgãos de comunicação social na sua incontrolável ânsia de audiência, a que se vem aliando uma generalizada falta de honestidade e de seriedade intelectual das próprias personagens. Efectivamente a realidade mostra-nos que tem vindo a proliferar, multiplicando-se, o número dos comentadores, analistas e opinadores políticos, o que se tornou de todo evidente após as eleições, seus resultados e cenários posteriores com a formação da coligação para o governo, número de ministros, de secretários, pastas a distribuir e competências.

Comentadores, analistas e opinadores de todo o género e feitio e ao preço da uva mijona, mas todos “apostados” em vomitar ideias, esgrimir competências e alardear conhecimentos, sugerindo nomes, apostando em determinadas figuras, referindo contactos, etc., e até prevendo e projectando determinados cenários.

Alguns, diga-se, não conseguindo ultrapassar esconsos despeitos e falhas tidas na governação, hoje incompatibilizados com o poder vêm andando por aí aos cochichos, destilando amargura e revelando recalcamentos e traumas, enquanto muitos outros, “emproados” numa inteligência bacoca e fictícia, vêm apostando em insonsas ironias e piadas, emparceirando de todo com os que, com cinismo e pura má língua, se revêem no televisivo “Eixo do mal” onde campeiam a mordacidade, a piada cínica e o comentário insidioso. Mas há ainda os de “qualificação” duvidosa, com “dores de cotovelo”ou ressabiados por lhes terem “roído a corda” em promessas e em sonhos, e que agora se entretêm em “desacreditar” os governantes com observações ridículas e insidiosas.

Aqui, refira-se, apodando de populismo uma e outra atitude, mais além tão só mostrando “interesse” pelas roupas e outros pormenores risíveis e de somenos, ainda que sempre muito hábeis e lestos em referenciar um encontro, um sorriso, um esgar, a falha da caneta na assinatura ou a motoreta usada na viagem até ao Palácio da Ajuda.

Aliás razão tinha aquele eurodeputado pequenote que pedia aos media mais compreensão e temperança face à gravidade da situação. Uma temperança e contenção em que tais comentadores e analistas, aliás “acolitando” o “professor”, não são nada pródigos, pois, ficcionando tudo saber, conhecer, manusear e manipular, com demasiada insensatez “mergulham” nos meandros do poder e em “realidades”(!?) que chamam de “secretas”, mas de todo formatando uma esconsa e perversa “moodeyzação” de conveniências e interesses. Deleitando-se com “análises e palpites de treta (...) em vez de procurar transmitir um discurso positivo e de esperança” (A.Policarpo, JN, 21.6.11).

Na verdade evocar quaisquer Constanças, Avilez, Claras, Metelos, Santanas, Medeiros, Pachecos, Rebelos, Carrilhos, Mendes, Pinas, Macedos, Mouras, Costas, etc., é tão só enunciar um número restrito dos muitos opinadores e analistas que hoje pululam nas televisões e rádios “lançando “ palpites, “bochechando” opiniões, “destilando” críticas e formatando “cenários” e que, diga-se, apenas vêm contribuindo para toda uma maior nebulosidade e insegurança, gerando medos, dúvidas, incertezas e pânico. Até porque a maioria enveredou pela crítica fácil e irresponsável com todo um perverso e despudorado sublinhar de suspeições, inexperiências e defeitos, assim minando confianças e créditos. Como se fossem de inteligência, visão e ciência superior, vivendo acima e fora do país real e imunes ao descalabro geral e bancarrota.

E até sorriem ufanos e presunçosos quando é de todo óbvio que apenas por dinheiro, tolo convencimento, bacoco vedetismo e oca vaidade muitas dessas figuras aparecem nas TVs, já que não passam de uns meros comentadores de “faz de conta”.
Aliás, reconheça-se, tão só um bacoco culto da imagem e uma incontida ânsia de aparecer em público explicam todo este “surto epidémico” de “cabeças” pensadoras e de “inteligências” quadradas a derreterem-se num tresloucado “falaciar”, babando-se em palavreado e embriagando-se com as suas próprias ideias e comentários.

São “os cínicos entendidos de sempre”, que “são pau para toda a colher”e se entretêm a sublinhar “a falta de experiência política“ de alguns governantes, sendo que “a ideia de que pode haver gente nova capaz de dar um novo crédito à coisa pública é demasiado entusiasmante para ser morta à nascença”(Manuel Tavares, JN, 18.6.11).

Aliás, “à falta de argumentos políticos, alguns tele-especialistas, entre os mais entendidos e cínicos, desenterraram a mais velha e relha ideia de que a antiguidade é um posto' quando é de todo incontornável e inquestionável que “afinal, esses analistas e comentadores pouco têm para dar aos seus cidadãos, além de um cinismo militante com o qual conseguem fazer-se passar por entendidos na matéria. Ou mesmo por entendidos em todas as matérias possíveis e imaginárias”.(id.)

Comentadores, analistas políticos e opinadores obviamente ao preço da uva mijona, e em total descrédito, sublinhe-se!...

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