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Arca de Noé

Cimeira da Acção Climática: “ainda não é tarde”...

Escreve quem sabe

2010-05-14 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

O Banco Mundial de sementes, Global Seed Vault foi inaugurado no dia 26 de Fevereiro de 2008, na cidade Norueguesa de Spitsbergen, a cerca de 1.000 km do pólo norte. Este é um armazém com uma grande variedade de sementes de plantas cultiváveis, cerca de 4,5 milhões, de todo o Mundo guardadas a baixas temperaturas, uma “pequena” arca de Noé. Este local encontra-se encravado a cerca de 120 metros dentro da pedra onde se inseriram três grandes depósitos no interior da montanha, nos quais as diversas sementes serão armazenadas numa temperatura constante de menos 18°C em caixas de alumínio fechadas hermeticamente, o que garante uma baixa actividade metabólica e um perfeito estado de conservação durante séculos. São cerca de 250 mil amostras de bancos de sementes de todo o mundo, concentradas num só local, mas que continuam a pertencer aos seus países de origem. Situado a 130 metros acima do nível do mar, e mesmo prevendo o degelo da calota polar, o banco mundial possuiu um sistema de refrigeração mas, mesmo que este falhe o permafrost permite garantir a temperatura inferior a 3,5 ºC. O tesouro representado pelo banco de sementes é protegido por espessas paredes de concreto, porta blindada e sistema de alarme e é impermeável à actividade vulcânica, aos terramotos e à radiação. O Banco Mundial de Sementes armazenará amostras provenientes de mais de 1,4 mil bancos de sementes de todo o mundo.
De Portugal, o Banco Português de Germoplasma Vegetal, sedeado em Merelim S. Pedro, Braga, procedeu à entrega de centenas de sementes para este depósito, após negociação das condições de transporte e a salvaguarda da devolução dessas sementes.
Não será demais relembrar que tudo é feito em nome de uma sobrevivência das espécies cada vez mais ameaçadas pelas alterações climáticas derivadas do efeito de estufa. Um facto importante é que estamos em vias de perder esta biodiversidade e por isso é necessário o armazenamento, para que a humanidade possa ser salva por esta enorme riqueza. Por isso e devido a várias condicionantes como guerras, revoltas ou causas naturais, o Banco Mundial foi reconhecido como fundamental para a manutenção da biodiversidade, sendo-lhe atribuída uma importância crescente.
A biodiversidade engloba a variedade de genes, espécies e ecossistemas que constituem a vida no planeta. Assiste-se a uma perda constante deste conjunto, com extinções e destruições com profundas consequências para o mundo natural e o bem-estar humano. As principais causas são as alterações nos habitats naturais, resultantes dos sistemas intensivos de produção agrícola, da construção, da exploração de pedreiras, da sobrexploração das florestas, oceanos, rios, lagos e solos, da introdução de espécies alóctones invasivas, da poluição e, cada vez mais, das alterações climáticas globais.
Neste Ano Internacional da Biodiversidade e particularmente no dia 22, Dia Mundial da Biodiversidade, será de não esquecer a dependência que temos dessa riqueza do nosso planeta.

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