Correio do Minho

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Áreas verdes e árvores ajudam a reduzir o risco de inundação

O amor nos tempos da cibernética

Escreve quem sabe

2013-11-30 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

As áreas impermeabilizadas nas áreas urbanas, tais como os arruamentos e o edificado, aumentam a quantidade e a velocidade da água a fluir à superfície do solo durante e após períodos de chuva prolongada e/ou intensa. A água da chuva habitualmente corre para a sarjeta, fluindo para o sistema de drenagem de águas pluviais, que poderá não conseguir drenar grandes volumes de água, originando inundações.

As cidades estão a aumentar o uso de sistemas de drenagem sustentável (SuDS, sigla em inglês, de sustainable drainage systems), incluindo áreas cobertas com vegetação, para controlar a água de tempestades. A água da chuva que atinge as árvores, ou é evaporada ou pinga no solo abaixo, onde pode penetrar. A água de superfície de áreas próximas pode também correr para áreas permeáveis, à volta das árvores, aumentando assim a água que penetra no solo e reduzindo aquela que corre para o sistema de drenagem.

Num estudo realizado em cinco locais na cidade de Manchester, no Reino Unido, os investigadores avaliaram o papel das árvores e gramíneas na redução da água que entra no sistema de drenagem. Em cada local eles instalaram 3 espaços de 3m x 3m de coberturas tipicamente urbanas: uma de asfalto, uma de relva, e outra plantada com bordos (Acer campestre) no cento de 1m x 1m e rodeada de asfalto. Entre Janeiro e Setembro de 2011, a água que corria à superfície foi recolhida num tubo colocado num canto destas áreas, num espaço ligeiramente inclinado. A pluviometria e a temperatura foram registadas no período em estudo.
Como seria de esperar, a área com maior quantidade de água a correr à superfície foi a asfaltada, com um total de 62% da água da chuva caída no Inverno e 53% da caída durante o Verão. A restante água caída no asfalto terá evaporado ou ficado em pequenas poças em vez de drenar para o tubo experimental, mais no Verão do que no Inverno pois o asfalto estava quente.
A água recolhida nas caldeiras das árvores foi só 26% da água caída no Inverno e 20% da caída no Verão, sugerindo que estas estruturas reduziram o volume da água a ir para o sistema de drenagem em 58% e 62% respectivamente, quando comparado com as áreas completamente impermeabilizadas com asfalto.

Como as árvores utilizadas neste estudo eram relativamente pequenas, com a copa da árvore a cobrir só cerca de 35% da área em estudo, a maior parte da redução da água deve-se à infiltração da água no terreno, mais do que devido à intercepção pela copa. Desenhar superfícies urbanas que inclinem para caldeiras de árvores, sem o risco de apodrecer as árvores, aumentaria a capacidade das árvores reduzirem a drenagem superficial.
As áreas de relva absorveram a maior parte da água, com a média de água de drenagem menor do que 1% da água total caída. Se houvesse maior área urbana coberta de gramíneas reduzir-se-ia o risco de inundação, considerando que o solo por baixo não se encontra compactado (o que o torna mais incapaz de absorver água).

Deste estudo o que se pode concluir é que, em cidades como Braga, onde chove consideravelmente (contrariamente ao que tem acontecido nas últimas semanas), as superficies devem, sempre que possível, ser deixadas por impermeabilizar. Isto é, um jardim deverá ter os seus caminhos em saibro ou noutro material permeável, os passeios devem ser em calçada portuguesa (com a vantagem da manutenção da identidade nacional subjacente), os arruamentos com os familiares paralelos, em vez de termos cimento e alcatrão, que tudo impermeabiliza, obrigando a água a correr para a sarjeta e desta para o rio Este, originando inundações repentinas e tão prejudiciais a pessoas e bens. Outra lição a tirar é a existência de caldeiras para as árvores, escolha adequada das árvores, cobertura herbácea de terrenos mais extensos (não forçosamente de relvas mas sim de prados, de plantas resistentes e de baixa manutenção.
O proprietário privado também deverá deixar a maior parte do seu jardim sem impermeabilizar, permitindo assim à água da chuva infiltrar-se e, desse modo, repor a água subterranean, reduzindo a água a jorrar para o rio Este.

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