Correio do Minho

Braga, quinta-feira

As animadas manhãs da TV

Era uma vez um ano letivo!

Ideias

2019-01-14 às 06h00

Felisbela Lopes

Faz hoje exatamente uma semana vivia-se um clima de enorme expectativa nos canais generalistas portugueses. A estreia de “O Programa da Cristina” na SIC prometia uma revolução e a TVI preparou-se para o embate. Não de forma suficiente, percebe-se hoje. Porque em tempo de guerra não se limpam armas, o primeiro canal privado português entrou a matar. Dentro e fora da empresa, como se comprovou ontem pela capa do jornal Público e pelo alinhamen-to do Jornal da Noite da própria SIC.
Na passada segunda-feira, Você na TV chegou mais cedo e abriu as suas portas para fazer entrar no estúdio a equipa das manhãs da Rádio Comercial para aí fazer parte da emissão. Manuel Luís Goucha lá surgiu com uns interessantes sapatos onde estavam inscritas palavras que estabeleciam óbvias ligações semânticas ao momento de concorrência aguerrida entre os canais privados. Perto das 10h, a SIC cede a antena a um amplo intervalo publicitário que a TVI acompanha para fazer coincidir com a sua rival o programa da manhã. Logo ali se mostrava quem comandava a programação. Mesmo antes de mostrar o seu formato, Cristina Ferreira parecia ser ganhadora. E isso foi claro ao longo de toda manhã.

Logo a abrir a emissão, a nova apresentadora-mor da SIC diz que aquela é a sua casa. E o plateau parece mesmo um lar onde se vai encenando um certo efeito do real que, para os menos atentos, ganha um inequívoco estatuto de realidade. No meu caso, devo assumir que, a dado momento da manhã, fiz o percurso inverso àquele que se pretende que os telespectadores assumam. Tinha um enorme interesse em observar o formato, mas precisava também de terminar um texto para um livro. Procurei fazer ambas as tarefas em si-multâneo, mantendo o ipad sintonizado com a SIC em cima da minha mesa de trabalho.

A dado momento, percebo que há um telefonema que entra em direto na emissão. Levanto os olhos e vejo no oráculo a identificação do Presidente da República. Imaginei que se tratava ali de uma rábula para simular uma chamada de Marcelo Rebelo de Sousa, levando uns segundos para perceber que a realidade ultrapassava ali todas as (minhas) ficções. Na TVI, o canal que popularizou Marcelo, esse apoio a Cristina Ferreira foi mal digerido, ainda que o PR se tenha apressado a explicar à agência Lusa que a manifestação de apreço pela apresentadora tinha acontecido depois de ter dado uma entrevista a Manuel Luís Goucha pelo Natal. Os momentos não serão comparáveis, porque naquela segunda-feira SIC e TVI travavam um combate como há muito não se via na TV portuguesa. E havia ainda a RTP que Marcelo procura compensar passados dois dias, gravando no Palácio de Belém um vídeo para o programa “Agora Nós” para saudar Roberto Leal pela ligação às comunidades luso-brasileiras, dando através disso algum conforto ao cantor num momento em que este enfrenta uma doença oncológica e um certo respaldo à TV pública...

Cristina Ferreira não terá ficado melindrada com estas colaborações do Presidente. Porque teve Marcelo na altura mais sensível em termos de audiências: na estreia do seu formato. Nesse dia, haveria de receber outro Presidente, o do Benfica, com quem jogou à bisca e a quem estendeu a mão no momento de maior fragilidade de Luís Filipe Vieira, quando este recordou o pai. E ali estavam dois momentos de enorme atração de audiências que haveriam de entrar no alinhamento dos noticiários da SIC e na agenda de outros media noticiosos. A emissão estava ganha e, no dia seguinte, as contas do audímetro testemunhavam uma vitória do programa matinal da SIC sobre o seu rival da TVI. Que se repetiria durante a semana.

Nos próximos dias, o combate continuará duro. Ontem, Cristina Ferreira ocupava grande parte da primeira página do Público, com o título “Portugal a seus pés” e, à noite, entrou numa parte importante do alinhamento do Jornal da Noite, da SIC. Há duas semanas, preenchia parte da primeira página do Expresso e era capa da revista daquele semanário. Cristina Ferreira está em todo o lado. Também nos serões televisivos. “Na passada quarta-feira, 60 mil pessoas viram o (meu) programa à noite”, lembrava a apresentadora no Público. A TV está a mudar.

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