Correio do Minho

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As ervas silvestres comestíveis

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Escreve quem sabe

2016-05-28 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

A sabedoria popular foi acumulando ao longo do tempo o conhecimento de numerosas plantas silvestres com diversas utilizações, como usos alimentares, quer em substituição ou complemento das plantas hortícolas quer como condimentos, e usos medicinais. Mas a nossa sociedade industrial, que abrange também os setores agrícola e farmacêutico, foi-nos afastando destes conhecimentos populares, e inúmeras plantas comestíveis têm sido ignoradas e consideradas como daninhas, sendo-lhe impiedosamente aplicados métodos de destruição, como a aplicação de herbicidas, em vez de lhes ser reconhecido o seu valor e utilidade.
Ora, a região bioclimática que mais influencia o nosso país é a região mediterrânica que é também das mais ricas em biodiversidade do planeta, pois este clima mediterrânico favorece particularmente o desenvolvimento de grande diversidade de ervas.
Considerando ainda que as ervas em geral prestam muitos serviços ecológicos, e fazem-no gratuitamente; por exemplo ajudam à infiltração da água no solo, evitando a erosão; fixam carbono e produzem oxigénio; aumentam a biodiversidade vegetal e animal; estamos de facto, atualmente, a desperdiçar um valioso recurso que nunca nos abandonou, e aguarda pacientemente que voltemos a prestar-lhe atenção.
O declínio da recoleção de recursos alimentares silvestres, outrora uma prática muito difundida, sendo por exemplo uma das caraterísticas da chamada dieta mediterrânica, deveu-se também a uma conotação negativa desta prática, pois há ainda recordações de tempos de escassez em que os recursos silvestres eram muitas vezes os únicos disponíveis!
Investigação científica recente veio revelar que as plantas alimentares silvestres são mais nutritivas, principalmente no seu teor em antioxidantes, nutrientes que elas necessitam, pois as plantas silvestres resistem naturalmente sem qualquer intervenção da espécie humana, ao contrário das plantas de variedades agrícolas que sofreram um processo de seleção/domesticação e dependem em alguma medida de cuidados humanos.
A célebre frase de Hipócrates “Que o alimento seja o teu medicamento”, que convém nunca esquecer, aplica-se na perfeição aos alimentos silvestres.
A História tem ciclos e vai-se repetindo, embora não da mesma maneira, e o uso de ervas silvestres, em substituição de legumes cultivados, está a ser redescoberto e o livro editado pela Quercus “Ervas Silvestres Comestíveis - guia prático”, vem precisamente ajudar na sua identificação e como usá-las na cozinha.
Os melhores locais para encontrarmos ervas comestíveis são os locais humanizados, como bermas de estradas e caminhos, muros, depósitos de entulho, terrenos incultos e cultivados, por isso muitas são também consideradas infestantes.
É preciso fazer desde já um alerta quanto aos locais de recoleção. São de evitar locais que possam estar contaminados por pesticidas e outros poluentes, por isso bermas de estradas, locais próximos de unidades industriais ou de campos agrícolas onde sejam aplicados pesticidas de síntese, não são aconselhados.
As hortas biológicas e áreas naturais são dos melhores locais para a recoleção e é incrível a diversidade que por vezes podemos encontrar em poucos metros quadrados de terreno. Sem qualquer trabalho, a natureza pode fornecer muito mais alimento do que imaginamos!
Temos maior abundância de ervas comestíveis após as primeiras chuvas de outono até à primavera, pois na sua maioria devemos colhê-las antes da floração, ou seja, antes de se tornarem fibrosas e com sabor amargo.
Em conclusão, para além da recoleção ser um ato de economia podemos considerar acima de tudo como um ato de inteligência, porque nos obriga a sermos mais agradecidos e melhores observadores da Natureza selvagem que nos rodeia.
Esperamos que estejam com curiosidade para descobrirem essa Natureza selvagem que nos rodeia!

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