Correio do Minho

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As mulheres de Braga são...

O amor nos tempos da cibernética

Ideias

2016-01-17 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

As mulheres do Minho, em geral, e de Braga, em particular, têm características próprias que as tornam diferentes de todas as outras do país.
Com a exceção do período que se seguiu ao 25 de abril de 1974, até então a maioria das mulheres de Braga sujeitava-se ao domínio do homem - ao pai, em solteira, ou ao marido, depois de casada - que as impedia de terem liberdade, quer familiar, quer profissional, quer pessoal.
No início do século XX, as mulheres de Braga estavam subjugadas ao homem, onde se incluía o padre, principal conselheiro e confessor. Todos os dias, ou quase, deslocavam-se à igreja, ou capela, para se entregarem a Deus, numa devoção impiedosa. A deslocação à igreja era a autorização mais imediata que tinham dos homens.
As mulheres de Braga ocupavam-se, diariamente, das lides da casa, onde se incluíam deslocações constantes à mercearia e mercado aqui existentes, sempre com a conivência do homem, que a supervisionava nestas tarefas. Eram, até, as primeiras a levantar-se de manhã, para prepararem o pequeno-almoço - ou mata-bicho - para o marido; eram também as últimas a sentarem-se e as primeiras a levantarem-se da mesa das refeições. Tinham que zelar pelas lides da casa e confirmar que tudo estava perfeito para a tranquilidade do marido.
O seu vestuário era marcado por saias largas e compridas, em muitos casos cobertas por um avental. Em 1911 começou a usar-se as saias-calças, mas as mulheres de Braga continuavam a manter a sua tradicional saia comprida. Apesar de noutras localidades do país a saia subir, à medida que o século XX foi avançando, em Braga esse encurtar das saias foi bem mais lento, bem mais tardio.
As modas que surgiam eram mais tardiamente seguidas pelas mulheres de Braga. Foi assim com a moda dos penteados: em finais do século XIX as mulheres andavam com enormes penteados, que muitos comparavam a autênticas almofadas. Mas as mulheres de Braga recusavam-se a entrar nesta moda, continuando a usar o seu cabeço preso, atrás das costas.
Os encontros amorosos das jovens raparigas eram controlados pelos pais, sendo frequente ver-se a rapariga a conversar (pouco) com o rapaz, ela de cabeça baixa e com os olhos virados para o chão, ele encostado a uma parede, em muitos casos com um varapau na mão, onde apoiava o queixo! Ambos mantinham, sempre, uma distância suficiente para o respeito exigido pela sociedade!
Foi neste contexto social que o jornal “Diário de Notícias” se atreveu, em 1921, a realizar um concurso para encontrar a mulher mais bonita do país. Para isso, enviou alguns emissários pelo país “á cata da mulher mais linda de Portugal”. (1)
Imaginemos então a reação dos bracarenses perante tal concurso! Essa reação foi trazida a público pelo célebre Artur Bivar, no jornal “Diário do Minho” (1). Este, insurgiu-se claramente contra este concurso, pois não simpatizava com qualquer concurso de beleza feminina porque “nós somos da velha guarda. Somos ainda pela distinção entre racionaes e irracionaes, compreendendo que um criador de gado bovino ou cavalar tenha orgulho em ir ás feiras mostrar bezerras nedias e eguas de boa estampa; mas não compreendemos que um pae, e muito menos um marido, vá à feira do Diário de Notícias expor as perfeições plásticas das filhas, ou da mulher”!
A crítica era de tal forma veemente que levou Artur Bivar a afirmar que se a mulher faz da sua beleza uma qualidade, é porque não tem outra melhor para mostrar!
O estranho concurso de beleza feminina podia até tornar-se perigoso para a sociedade e para as próprias mulheres, pois até existe um provérbio francês que chama a atenção para esta situação, ao lembrar que onde existe uma mulher bonita, um castelo fronteiriço e vinhas à face dos caminhos, logo existe uma guerra sem fim!
O azedume para com o “Diário de Notícias” agravou-se quando os jornalistas, que escreveram sobre Braga, referiram que esta não era uma terra de mulheres bonitas! Esta análise provocou críticas ferozes de muitas pessoas de Braga!
Em sentido contrário, o “Diário de Notícias” foi desafiado a criar, a nível nacional, um “concurso de bondade feminina”, em que se descobrisse no país a localidade onde existissem mais mulheres com “qualidades” das quais os pais e os maridos se devessem orgulhar! Nesse concurso, deveria ficar conhecida a zona do país onde existiam mais mulheres de qualidades sociais, com talento para obras de bondade cristã, com mais agilidade para o trabalho e com mais ternura para a família e para o marido!
A realização deste concurso deveria clarificar que se tratava de procurar as principais qualidades humanas e cristãs da mulher. Nesse ponto, “se algum jornalista puder dizer que em Braga não há mulheres bôas - o que é diferente de bôas mulheres, - então sim, cubramos o rosto de vergonha”! (1)
Se um concurso que procurasse a mulher mais dedicava e submissa se realizasse em Portugal, não existiriam dúvidas que quem o venceria seria Braga, pois aqui encontravam-se as mulheres com mais qualidades cristãs, com mais dedicação à família e maior entrega ao marido! Por isso, as mulheres de Braga são…

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