Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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As plantas invasoras

O amor nos tempos da cibernética

Escreve quem sabe

2010-04-16 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

Austrália, mimosa, azeda, chorão-das-praias e jacinto-de-água. O que têm em comum estas plantas? São plantas invasoras. Vieram de fora e deram-se bem por cá.

Muitas das plantas que vemos no nosso dia-a-dia vieram de outros países e continentes - são plantas exóticas (do grego exotikós, “de fora”).Mas nem todas as plantas exóticas são invasoras. Algumas mantêm-se apenas nos locais onde foram plantadas ou coexistem com as plantas nativas (planta que é natural, própria da região onde vive) de forma equilibrada; é o caso das tílias ou dos abetos.

Outras produzem descendentes férteis em grande quantidade e dispersam-nos muito para além das plantas-mãe, podendo ocupar áreas extensas, em habitats naturais, semi-naturais ou humanizados, sem precisarem da intervenção directa do Homem - estas são plantas invasoras. Uma vez introduzidas, as plantas invasoras aumentam as suas populações e distribuição, de tal forma que podem ser uma ameaça para a biodiversidade, para os ecossistemas, para a produção de alimentos, para a saúde humana e para a própria economia.

Em Portugal existem mais de 30 plantas invasoras, entre elas as referidas mais acima, mas também a acácia-de-espigas, a cana, os penachos, a háquea-picante, a erva-da-fortuna, etc.
As invasões biológicas resultam quase sempre, directa ou indirectamente, de actividades humanas.

Nós movemos espécies para novos locais, dispersamo-las por todo o lado, por razões que vão do essencial ao banal. São os nossos comportamentos, as nossas necessidades, os nossos quereres e valores que potenciam a maioria dos problemas com espécies invasoras. Por isso, o sucesso da luta contra as espécies invasoras passa por nos sentirmos, cada um de nós, como um interveniente na prevenção e na resolução deste problema. Há várias formas de colaborar: aprender a identificar as plantas invasoras e NÃO as adquirir; se as tivermos em casa ou em terrenos, eliminá-las; ao comprar plantas, preferir espécies nativas; participar ou organizar acções de sensibilização e controlo de plantas invasoras, etc.

Em Portugal, a invasão por plantas exóticas ameaça muitas comunidades de espécies nativas, incluindo, por exemplo, aquelas que ocorrem em dunas, zonas ribeirinhas, áreas de montanha, lagos, sapais e rios.

Desde 1999, a legislação portuguesa reconhece a gravidade deste problema (Decreto-Lei n.º 565/99), proibindo a detenção, a criação, o cultivo e a comercialização das espécies listadas como invasoras e de risco ecológico. As mimosas (Acacia dealbata) estão entre as piores plantas invasoras em ecossistemas terrestres em Portugal, sendo muito frequentes na zona de Braga, nomeadamente no Bom Jesus, onde no próximo dia 24, o Núcleo de Braga da Quercus levará a cabo, em colaboração com o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, a Autoridade Florestal Nacional, a Associação Florestal do Cávado, a Associação de Defesa da Floresta do Minho, o Gabinete Florestal e o Banco Local de Voluntariado da Câmara Municipal de Braga, a Confraria do Bom Jesus e a do Sameiro, a Associação dos Antigos Estudantes da Universidade do Minho, o Instituto Português da Juventude, a Associação Guias de Portugal, as escolas Prosepe - Clube da Floresta e o Hipermercado Continente, uma actividade de controlo de mimosas, aberta ao público, com inscrições gratuitas mas obrigatórias até ao dia 20 de Abril (para tratar do seguro dos participantes), que decorrerá das 14 às 17h30 na Mata do Bom Jesus e constará de uma introdução teórica, seguida de acção no terreno e um convívio com lanche, no final.
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