Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Ativar e construir o talento do futuro na sociedade digital

O exemplo do “livro de obra” …

Escreve quem sabe

2019-04-14 às 06h00

Manuel Barros

Os desafios colocados pela cultura digital ao nível da formação, qualificação e emprego , condensam oportunidades e perspetivas, que têm sido abordadas no âmbito do tema “O Talento do Futuro” tratado no Open Day da Católica, e que integrou uma conferência nacional sobre “Portugal, Universidade e o Futuro”. Um conjunto diversificado de reflexões prospetivas em torno de alguns programas, projetos e iniciativas, no âmbito das políticas públicas do ensino superior, do desenvolvimento tecnológico e do incremento do empreendedorismo, no processo da afirmação da dimensão humana na sociedade digital. Um evento que contou com a participação de políticos, líderes de opinião, gestores, profissionais liberais, investigadores, com especial destaque paro os alumni da Universidade Católica.
Na mesma linha, vou centrar a minha atenção nos estudantes que estão a frequentar nos diversos níveis de graduação e/ou qualificação, no que diz respeito à sua responsabilidade no processo da transferência de conhecimento e da tecnologia da universidade para o setor empresarial, social e cultural. Perspetivando a sua participação ativa individual e coletiva, com destaque para o movimento associativa nas suas diversas dimensões, enquanto ecossistema promotor de criatividade, de espírito de colaboração, de capacidade de comunicação e desenvolvimento de pensamento crítico dos estudantes.
O reforço e o incremento do talento é um desafio de toda a comunidade académica. Um desafio que pressupõe o envolvimento ativo dos jovens estudantes e diplomados, numa dinâmica partilhada e com base na sua capacidade de intervenção social, na sua autonomia, no conhecimento e no desenvolvimento das competências transversais adequadas. Tal como afirmou Gerd Leonhard, no seu livro Tecnologia versus Humanidade – O confronto futuro entre a máquina e o homem, “não podemos deixar que nos tornem irrelevantes, antiquados e ignorados, pelo tipo de formação e opções de vida que assumimos. Para fazer parte do talento do futuro, precisamos de encontrar uma nova estratégia para definir e reter o que nos torna mais humanos, na era da tecnologia e no mundo vertiginosamente digitalizado”.
Processo centrado na condição social dos jovens na atualidade, que emerge da diversidade de fatores e das condições sociais mais relevantes, que se identificam nas mudanças da sociedade resultantes das transformações no mundo do trabalho, e nas suas repercussões efetivas no emprego. Mudanças que implicam o desenvolvimento de uma postura renovada em torno das políticas públicas das últimas décadas, no que diz respeito à criação de novos programas que preconizam a valorização a educação não-formal e a participação ativa dos estudantes na promoção da empregabilidade, a título individual e através das associações e das organizações emergentes.
Nesta perspectiva, a empregabilidade não se reduz à “obtenção de emprego em que se articula diplomado e posto de trabalho”, é um processo dialético muito mais longo e complexo, que se constrói ao longo do da vida e que se aprofunda no percurso de formação superior, através da incubação de competências profissionais. Uma atitude, que o escritor britânico Road Dahl abordou em “Matilda”, em relação aos jovens de mais tenra idade, onde lançou algumas farpas aos adultos, que “castram a ânsia de conhecimento que carateriza a infância tornando-a igual a eles, fazem com que parem de inventar, de criar e de questionar o que os rodeia, até que se tornem seres planos e conformados”, uma realidade nada favorável a uma cultura empreendedora, que enforma a empregabilidade do presente e do futuro.
Conceito de utilização recente, a empregabilidade designa a qualidade ou possibilidade de se ter um emprego por conta de outrem ao na perspetiva de autoemprego, no processo de educação para o empreendedorismo em fase de implementação. Uma dinâmica que contextualiza a resposta às mudanças dos processos de produção e de organização do trabalho, com a aplicação das novas tecnologias e o aparecimento das novas formas de gestão. Um processo que têm gerado significativas alterações na vida social, fazendo com que a inserção no mercado de trabalho assuma uma dimensão diferente, na qualidade, na economia e no universo das relações sociais, e no sistema educativo nos seu diversos níveis.

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