Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Barão de Salgado Zenha: O bracarense que foi presidente do Banco do Brasil

Sarrabulho e kizombada

Ideias

2016-04-10 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes

Esta semana, Portugal e vários países ficaram a conhecer mais um paraíso fiscal, onde muitos escondem, ou fogem, à divulgação legal dos seus bens financeiros. Refiro-me ao denominado 'Panama Papers' que integra, pelo menos, 240 portugueses nas suas listas e ainda centenas de grandes figuras mundiais.
Nos últimos anos, temos assistido a um acentuar de escândalos financeiros, que se centram na fuga ao fisco, na existência de “sacos azuis”, no conhecimento de vários escândalos económicos e em encerramentos de instituições financeiras, muitas delas centenárias. Perante isto, parece que os valores, que norteiam a integridade de um ser humano, estão a perder-se ou, pelo menos, a revelar-se de forma mais intensa nestes últimos anos.

Para que não tenhamos a tentação de julgar todos pelo mesmo caráter darei, de seguida, um exemplo de um português que desenvolveu um trabalho notável na área financeira, e não só, e que hoje é recordado por ter sido íntegro e correto. Refiro-me ao Barão de Salgado Zenha.
Manuel de Salgado Zenha nasceu em Braga, em 1837, e acabaria por se tornar numa das primeiras e mais destacadas figuras daquela que se tornaria na célebre família Salgado Zenha.
Desde cedo que, à semelhança de outros portugueses, decidiu emigrar para o Brasil, onde se dedicou a uma vida de trabalho intenso na área económica e financeira.

Em poucos anos conseguiu a admiração e o respeito, quer junto dos brasileiros, quer junto da grande comunidade de portugueses que se encontravam a trabalhar nessa ex-colónia portuguesa. A elevada consideração foi a consequência do respeito, da dedicação, da confiança e da lealdade que sempre aplicou na sua vida pessoal, familiar e financeira. Na realidade, estes valores tornaram-se o centro da sua personalidade e da sua forma de vida.
No Rio de Janeiro, o Barão de Salgado Zenha fundou uma importante casa bancária, de primeira ordem, que depressa foi crescendo, ao ponto de terem sido cada vez mais os portugueses e brasileiros, que confiavam o depósito das suas poupanças nesta casa.

Quando morreu, em 24 de junho de 1894, no Rio de Janeiro, era presidente da direção do Banco Nacional do Brasil. Este cargo era uma prova da enorme confiança e respeito que o Barão de Salgado Zenha conseguiu junto dos portugueses e brasileiros.
Apesar de estar no Brasil, onde arrecadou uma considerável fortuna, nunca esqueceu a sua terra e, no início de junho de 1894, quando estava bastante doente, planeou vir a Portugal, concretamente a Braga, cidade que tanto admirava. Escreveu inclusivamente a familiares, avisando-os de que embarcaria no vapor “La Plata”, uma carreira marítima que fazia a ligação do Rio de Janeiro a Portugal, no mês de julho desse ano. No entanto, a morte surpreendeu-o, não o deixando cumprir o sonho de regressar à sua pátria, de reencontrar os seus amigos e familiares e de rever as paisagens magníficas de Braga e do Minho.

Portugal e o Brasil reconheceram os seus feitos, quer na vertente humana, quer na vertente profissional, concedendo-lhe vários títulos, destacando-se aqui a Comenda da Ordem da Conceição, de Portugal e o Oficialato da Antiga Ordem da Rosa, do Brasil.
O Barão de Salgado Zenha pertenceu e colaborou com várias associações e com instituições de solidariedade social bem como sociedades de beneficência, quer em Portugal, quer no Brasil. Estes princípios foram e continuam a ser a imagem principal desta família: a amizade, a cordialidade e a solidariedade.
Tinha sete filhos, sendo o mais velho Rodrigo de Salgado Zenha.

Desta ilustre família Salgado Zenha, com origem em Braga, notabilizaram-se, no decorrer do século XX, alguns dos seus membros que, posteriormente, serão recordados.
Neste contexto, na segunda metade deste ano, serão realizadas conferências sobre algumas das mais destacadas famílias de Braga, e que tiveram uma importante ação no desenvolvimento desta terra e deste país. São famílias que contribuíram ainda para o progresso dos valores nobres da humanidade, que se centram no respeito, no trabalho, na dedicação e na solidariedade. Uma dessas famílias é, precisamente, a família Salgado Zenha!

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