Correio do Minho

Braga, sábado

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Braga, cidade turística - o desafio da década

Como se faz uma amizade permanecer?

Ideias

2013-04-19 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Braga é uma cidade multidimensional, com uma forte identidade e um património valiosíssimo. Apesar da sua excelente localização na euro-região norte de Portugal - Galiza, não é propriamente pelas dimensões espaciais que é reconhecida, mas sim na sua vertente económica, cultural e histórica. Braga, capital do comercio; Braga, cidade do conhecimento; Braga, cidade da juventude; Braga religiosa; Braga romana; são algumas das dimensões que esta multifacetada cidade tem para oferecer a quem nela habita, trabalha ou a quem a visita.

Os seus recursos e potencialidades turísticas são impressionantes e estão ao nível das duas maiores importantes cidades portuguesas. Aproveitar estes recursos e transformar estas potencialidades num grande negócio é o maior desafio que a cidade, no seu todo, enfrenta na próxima década.

Considero que uma estratégia de desenvolvimento sustentado de Braga terá de assentar cada vez mais no sector do turismo. A médio prazo será o turismo que mais contribuirá para a criação de riqueza na nossa região e que alavancará decisivamente alguns dos sectores tradicionais da economia local como o comércio ou os serviços. Temos, por isso, de preparar a cidade para este negócio.

Existem, no entanto, aspectos absolutamente cruciais para que possamos vingar neste sector tão concorrencial e competitivo:
1 - Definir quais os produtos turísticos estratégicos em que a cidade vai apostar tendo em conta os seus atributos distintivos e as prioridades identificadas no PENT - Plano Estratégico Nacional do Turismo para a região. Atendendo aos recursos turísticos existentes parece-me claro que o turismo cultural e religioso e o turismo de negócios e científico serão apostas a ter em linha de conta.

2 - Criar condições de mobilidade que facilitem a movimentação dos turistas. Se a cidade ambiciona afirmar-se como uma cidade internacional e uma cidade turística, tem de assegurar as melhores condições possíveis para que os seus visitantes a descubram de forma simples e rápida. Uma nova opção de mobilidade, através de um transporte colectivo moderno, eficiente e atractivo, é crucial para ligar alguns dos pontos chave da cidade. Uma linha que ligue 'estação de comboios', 'centro histórico', 'Universidade do Minho', 'Bom Jesus', mais do que desejável é urgente. Sob pena de se desperdiçar muita da capacidade de atracção de alguns dos recursos existentes. Veja-se o caso dos turistas nacionais e estrangeiros que a Universidade do Minho consegue atrair a Braga para frequentar os eventos académicos e científicos que promove - praticamente todas as semanas um evento de dimensão relevante - que se não tiverem um meio de transporte que os traga ao centro histórico, dificilmente virão descobrir o coração da cidade, deixando assim de estimular o negócio do comércio, da restauração ou da animação nocturna que a cidade oferece.

3 - Produzir conteúdos turísticos relevantes e estruturantes. Só se faz turismo com informação e só é possível fazer promoção turística com conteúdos de qualidade. Estamos a falar de um sector altamente competitivo e todas as cidades acham que têm os melhores recursos e os melhores atributos para vender. Braga tem, por isso, de ser capaz de mostrar o que tem e puxar dos galões daquilo que é o seu património, porque os turistas não adivinham aquilo que a cidade tem para oferecer.

4 - Qualificar os agentes económicos do sector e os seus quadros. Braga é uma cidade de gente hospitaleira e acolhedora, mas os turistas hoje em dia são clientes altamente exigentes e têm uma capacidade de difundir as suas experiências, boas ou más, através da internet de forma instantânea e massiva. Assim sendo, Braga tem de assegurar um serviço de excelência em termos turísticos. É preciso fazer um esforço significativo de qualificação de todos os activos dos estabelecimentos de alojamento, restauração, comercio e serviços, nomeadamente em línguas estrangeiras. Numa cidade turística de dimensão internacional é condição basilar que os operadores económicos saibam falar inglês, mas também francês ou espanhol, devido à proximidade destes mercados. Os restaurantes deverão apresentar ementas traduzidas para diversas línguas. Tem de se facilitar ao máximo o acto do consumo.

A profissionalização da promoção e a criação de uma cultura turística em todos os actores da cidade, desde os políticos, aos empresários, às forças de segurança, até ao cidadão comum, são outras áreas a que é preciso dedicar atenção especial. Mas, fundamental, é que exista uma estratégia colectiva que seja do conhecimento de todos os actores económicos para que Braga vença este desafio.

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